Susana Véstia, People & Culture Head EU da Philip Morris International
Qual foi a solução encontrada na empresa?
A nossa prioridade foi e tem sido sempre a segurança, prevenção e proteção da saúde das nossas pessoas, mas também da nossa comunidade mais alargada, composta por parceiros, clientes, fornecedores e todas as centenas de indivíduos e organizações com quem nos relacionamos no contexto da nossa atividade. Ativámos imediatamente a nossa equipa de gestão de crise, que é multidisciplinar, e envolve elementos da equipa de gestão e outros responsáveis de departamento. Implementámos desde logo um plano de contingência que teve em linha de conta as recomendações da Direção Geral de Saúde (DGS), e as normas orientadoras para prevenção da COVID19, da Philip Morris International (PMI), da qual a Tabaqueira é uma subsidiária.
Este plano de contingência passou pela divulgação e reforço de medidas de proteção individual, implementação de um regime de trabalho remoto para todas as atividades que possam ser desempenhadas à distância, identificação dos trabalhadores pertencentes aos grupos de risco para que os pudéssemos colocar em regime de teletrabalho, e/ou dispensar das suas atividades profissionais até informação em contrário. Neste momento, temos todos os trabalhadores que o podem fazer a trabalhar remotamente, também a maioria da nossa força de vendas está a trabalhar remotamente. A nossa loja IQOS continua a operar, uma vez que é uma atividade permitida, assim como a nossa fábrica, e implementámos uma série de medidas para assegurar a segurança dos nossos trabalhadores. Temos um centro médico nas nossas instalações, e através destes profissionais de saúde, disponibilizámos de imediato uma linha telefónica para esclarecimento de dúvidas e aconselhamento aos nossos trabalhadores. Recentemente estendemos este serviço para uma outra linha telefónica diária com uma psicóloga disponível por videochamada, para lidar com questões de ansiedade ou isolamento
Eliminámos as reuniões presenciais, fazemo-las por videoconferência ou conferência telefónica, reforçámos as rotinas de limpeza, aumentámos o número e dimensão dos veículos de transporte dos nossos trabalhadores, para que se possam sentar-se em ziguezague e implementámos uma política de portas abertas para evitar a utilização dos puxadores. No refeitório da empresa, atribuímos áreas específicas onde as diferentes equipas da fábrica se devem sentar, e alterámos o circuito de entrada de pessoas para que tenham que passar obrigatoriamente através de uma zona para lavagem de mãos.
Estas são apenas algumas medidas implementadas de forma transversal a toda a empresa. Existem outras de caráter mais localizado e específico, e que foram sugeridas pelos nossos trabalhadores.
Até agora não tivemos necessidade de recorrer a medidas de layoff, férias antecipadas ou despedimentos.
Caso tenha colaboradores a exercer funções em regime de teletrabalho, acha que isso impactou positiva ou negativamente a produtividade?
Não é o teletrabalho em si que impacta a produtividade, mas as condições atuais desse teletrabalho. A nossa empresa tem todos os sistemas e infraestruturas que permitem acomodar o teletrabalho, os nossos sistemas e ferramentas de trabalho permitem que a maioria da atividade normalmente executada nos escritórios seja executada em teletrabalho, sem impactos que afetem significativamente o desempenho.
No entanto, hoje muitos colegas não estão só em teletrabalho. Têm potencialmente todo o agregado familiar em teletrabalho, poderão ter dependentes a seu cargo, menores ou idosos, além de terem as naturais preocupações com a gestão da saúde e bem-estar das suas famílias. Isto implica um ajustamento por parte de todos, flexibilidade para nos ajustarmos os novos ritmos de trabalho e percebermos que nem toda a gente estará sempre disponível. Na nossa organização gerimos em função de objetivos e isso não muda, mas neste momento favorecemos a flexibilidade e pedimos a todos as chefias que considerem o impacto pessoal de cada situação naquilo que podemos esperar dos nossos trabalhadores. Até agora, as nossas pessoas têm sido incríveis, respondido às atuais exigências com entusiasmo, dedicação e criatividade. Não só conseguimos manter a nossa atividade, como conseguimos ainda dedicar tempo a projetos que nos permitam apoiar os nossos trabalhadores, parceiros de negócio e comunidades durante este período.
Na sua opinião qual o impacto do surto pandémico Covid-19 nas atividades da sua organização?
É muito cedo para antecipar o impacto que esta pandemia terá no nosso negócio. A Tabaqueira é um dos maiores empregadores do Concelho de Sintra, com quase 1000 trabalhadores, e exporta 80% da sua produção para mais de 25 países – aproximadamente 600 milhões de euros em 2019, encontrando-se entre as 10 maiores empresas exportadoras nacionais.
Dito isto, o impacto no nosso negócio irá também depender muito da evolução da conjuntura externa, e dos apoios económicos futuros concedidos às pequenas e médias empresas, algumas delas de natureza familiar, que fazem parte do circuito logístico de distribuição e comércio por retalho de produtos de tabaco.
Continuaremos a acompanhar o evoluir da situação diariamente e com a máxima atenção, cuidando para que as nossas pessoas e a nossa comunidade se mantenha informada. As medidas que temos vindo a tomar passam sobretudo por assegurar, em primeiro lugar, a integridade e a saúde de todos os nossos trabalhadores. O capital humano é a nossa principal valia. Quanto ao negócio em si, face às incertezas da duração desta crise de saúde pública, vemo-nos obrigados a fazer uma gestão dia a dia. Monitorizamos a evolução da situação, bem como o nosso plano de contingência, para analisar em tempo real as novas informações, proceder a análises de risco e decidir medidas e planos de ação, e dar o apoio necessário aos nossos trabalhadores.
Qual o impacto que a pandemia Covid-19 vai ter nas diferentes áreas da sua organização?
Ainda é cedo para antecipar o impacto nas diferentes áreas, a médio ou longo prazo.
Como estão a procurar minimizar esse impacto?
Continuaremos a acompanhar e a rever de forma regular a evolução da situação em Portugal, e nesse contexto, a revisitar as medidas que tomámos para assegurar a segurança e a saúde dos nossos trabalhadores, bem como a revisitar os nossos planos de contingência, sempre alinhados com todas as orientações das autoridades de saúde pública. Este é um trabalho diário e constante da equipa de gestão de crise.
O que acha dos apoios decididos pelo governo? São suficientes? O que faria falta na sua opinião?
O Estado assume um papel essencial não apenas durante a gestão desta crise, mas sobretudo na fase posterior à crise. Tem que garantir que existirão os meios e instrumentos adequados para uma recuperação económica tão rápida quanto possível. Se por um lado tem de ter um papel regulador, por outro necessita não só de garantir o bem-estar das pessoas, mas também de se posicionar como o principal apoio dos agentes económicos, tendo fundamentalmente de acionar e implementar medidas de suporte ao tecido empresarial.
É essencial que o Estado garanta que as medidas já comunicadas chegam a todos, às empresas de pequena, média e grande dimensão. Além disso, há que ter a certeza de que qualquer empresário as pode acionar, e que a sua implementação é rápida. Ou seja, o Estado tem de garantir que o apoio chega a quem de direito e na hora certa, para que a economia mantenha a sua dinâmica e a recuperação seja rápida. Além das medidas nacionais que venham a ser tomadas, é da maior importância a coordenação ao nível europeu. Este não é um desafio exclusivamente português: é também europeu e global.