Durante a pandemia, e contrariamente àquela que foi a realidade de grande parte dos setores, a empresa de e-commerce KuantoKusta viu a sua faturação crescer 180%, bem como o tamanho da sua equipa duplicar, através do reforço de várias áreas. A RHmagazine falou com Erin Martinez, DRH da organização, que conta como o KuantoKusta inovou neste período, nomeadamente no que ao processo de recrutamento diz respeito. Erin Martinez aborda ainda o recente reforço da equipa técnica da empresa, sublinhando o desafio que envolve a atração e retenção dos perfis de TI.
O e-commerce foi um setor bastante impulsionado nos últimos tempos. De que forma isso se repercutiu no vosso negócio, não só em termos de faturação, mas sobretudo ao nível de RH?
Sem dúvida alguma, o setor do e-commerce cresceu bastante e a um ritmo bastante acelerado durante a pandemia. Claro está que se o KuantoKusta não tivesse uma estrutura preparada para acompanhar esta tendência e assegurar que tudo corresse da melhor forma, não seria possível termos crescido 180% a nível da faturação, dobrar o tamanho da nossa equipa e aumentar o nível da especialização do talento humano que constitui o KuantoKusta.
Este impulso no setor provocou um aumento no volume do nosso negócio que, aliado à nossa vontade de melhorar os nossos serviços, fez com que reforçássemos todas as nossas equipas: Técnica, Comercial, Design, Marketing, Atendimento, Gestão de Encomendas, Financeiro, Conteúdos e Recursos Humanos.
Com a pandemia, surgiu também a oportunidade de inovar. Um exemplo disto foi a criação da startup Kargo, a nossa plataforma de gestão inteligente de transportes, onde tivemos também de reforçar a equipa com perfis comerciais experientes no setor, para angariar parceiros e divulgação deste novo serviço.
No início de 2020 trocaram o Centro Empresarial Lionesa por um escritório com o triplo da dimensão e capacidade para 80 colaboradores, no concelho de Vila do Conde. Como se processou o recrutamento para a nova sede?
Em relação à escolha do nosso novo escritório, tivemos em atenção as futuras necessidades da empresa e o cuidado de mudarmos para umas instalações que fossem espaçosas e que permitissem dar aos colaboradores o máximo de conforto possível. Sempre tivemos na nossa visão voltar “aonde tudo começou” e sediarmo-nos em Aveleda, o berço do KuantoKusta.
Existiram algumas condicionantes que foram tidas em conta durante a escolha, por exemplo, queríamos que todos os funcionários tivessem facilidade na deslocação para o escritório, independentemente do método de transporte que utilizassem. Assim, o KuantoKusta é servido pela Linha de Metro da Póvoa de Varzim, com a estação de Vilar de Pinheiro a uns rápidos 10 metros da porta principal e ainda, para quem vier de carro, facilidade de acessos e muitos sítios onde estacionar gratuitamente.
Outra preocupação que surgiu ao explorarmos as redondezas daquele que viria a ser o nosso novo espaço foi a falta de locais onde os colaboradores pudessem almoçar. De forma a ultrapassarmos este aspeto, criamos uma cozinha onde todos os dias são confecionados pratos maravilhosos através do Restaurante “A Famiglia”. Todos os dias existe um menu com quatro pratos à escolha do colaborador. Temos pratos variados, opções saudáveis e, ainda, uma opção vegetariana.
Pouco tempo depois chega a pandemia. Como geriram os processos de recrutamento e onboarding nesta fase? Sentiram dificuldades?
Não consigo dizer que os recrutamentos na fase de pandemia foram complicados, mas sim que tivemos de nos adaptar e refazer todos os processos e procedimentos para escolhermos os talentos que integraram a nossa equipa. Era muito importante que conseguíssemos replicar a presença física com os candidatos para que existisse uma sinergia entre todas as partes que participassem no processo. Assim, foi urgente criar uma forma célere, reativa e bem-disposta, que caracterizasse o KuantoKusta da melhor forma e que permitisse aos candidatos perceberem facilmente o ambiente que os esperaria, mesmo estando à distância e sem visitar os nossos escritórios.
De forma a que o talento que fomos recrutando conseguisse conhecer-nos melhor e integrar a equipa com facilidade, desenvolvemos um espaço em conjunto com todos os managers onde cada departamento se desse a conhecer e partilhasse, por videoconferência, quais são as principais funções, quem são as pessoas que constituem cada equipa, qual é o objetivo macro de cada área e, ainda, quais os projetos que têm em andamento. Desta forma, conseguimos dar a conhecer, mesmo à distância, o dia-a-dia de cada um de nós e quais os interlocutores para cada um dos departamentos.
As novas instalações foram dotadas de um open space, uma copa ampla, salas de descanso e massagens, salas de jogos… Tudo isto remete para o convívio, que ficou impossibilitado. Como se mantiveram próximos dos colaboradores no confinamento?
Sim, é verdade! Apostamos numas instalações incríveis, pensadas no bem-estar e conforto de todos aqueles que as utilizariam no dia-a-dia. Tudo está planeado no trabalho em equipa e na colaboração das pessoas e, é claro, na diversão delas também. Com a pandemia, um mês depois da nossa inauguração, a utilização destes espaços físicos ficou completamente comprometida.
Não obstante, não queríamos perder a nossa cultura de convívio e proximidade e, de forma a estarmos todos próximos, começámos a realizar uma reunião semanal que, apesar de se realizar à distância, junta toda a empresa de forma a discutirmos alguns resultados de cada equipa e falarmos acerca do dia-a-dia de cada uma delas.
O nosso Departamento de Recursos Humanos criou também o “Café com RH”, um projeto que permitia a marcação de reuniões individuais onde, de forma informal, cada colaborador podia falar de qualquer assunto do seu interesse. Nestas conversas podíamos não só receber feedbacks, ideias e sugestões muito válidas, mas também percebermos como as nossas pessoas estavam, como se sentiam, as suas preocupações e o que precisavam, de forma a que nunca se sentissem à parte da empresa.
Fazíamos questão de ouvir com detalhe as dificuldades e os sucessos dos nossos colaboradores e fazer parte da solução.
Uma outra iniciativa que aconteceu à distância, foi o nosso evento “Cozinha com o Pimenta”, em que cada um de nós recebeu um conjunto de ingredientes em casa e tivemos uma aula de culinária online, ministrada pelo Pedro Pimenta, sócio do KuantoKusta e mestre em bolachas deliciosas. Este encontro online possibilitou que nos conhecêssemos um pouco mais a nível pessoal e passar um ótimo momento todos juntos. Foi super agradável e tivemos um feedback bastante positivo.
Que modalidade de trabalho oferece o KuantoKusta, atualmente (100% remoto, híbrido…)? Oferecem outras condições aos colaboradores, no sentido de amenizar as dificuldades trazidas pela pandemia?
A nossa maior preocupação, principalmente durante a pandemia, é a segurança e bem-estar dos nossos recursos humanos. Enquanto existiram os confinamentos, sempre ouvimos os especialistas e respeitamos as diretrizes que ditaram todas as medidas de segurança, que incluíram o teletrabalho para todos os nossos colaboradores durante estas fases. Neste momento, o KuantoKusta regressou aos escritórios e estamos a trabalhar 100% no modelo presencial [resposta anterior às mais recentes medidas de combate à pandemia, que preveem o teletrabalho obrigatório até dia 14 de janeiro]. Temos a sorte de ter instalações que nos permitem estar bem e com bastante segurança e, ainda hoje, continuamos a respeitar o uso da máscara em todos os espaços, de forma a que a segurança de todos não seja comprometida. Percebemos, junto das pessoas, que estas preferiam estar no escritório e reforçamos a nossa segurança.
A nossa cultura é de proximidade e não poderíamos fazer “ouvidos surdos” aos pedidos do nosso talento humano.
Reparamos que, neste momento, o KuantoKusta tem em aberto duas vagas, ambas para o setor de TI. Estes perfis são especialmente difíceis de atrair e recrutar, especialmente agora com o “boom” da digitalização. Estão a notar essa dificuldade?
No KuantoKusta adotamos algumas estratégias em relação ao recrutamento e seleção dos perfis técnicos. Sim, é um facto que cada vez mais é desafiante recrutar perfis técnicos.
Hoje em dia, a oferta para este tipo de perfis é maior do que a procura e, esta diferença aliada à concorrência de vencimentos mais altos em outros países, comparativamente aos praticados em Portugal, torna deveras desafiante atrair estes recursos humanos. A fuga destes talentos para o estrangeiro e, ainda, as ofertas em full remote, estão a gerar escassez de profissionais nas áreas de TI para trabalhar nas empresas portuguesas.
Não obstante, atualmente o nosso foco está mais na retenção do talento que já temos no KuantoKusta do que na contratação do mesmo.
O KuantoKusta reforçou a equipa técnica nos últimos meses e o nosso principal objetivo é muni-los de todas as ferramentas e dar-lhes toda a formação de que necessitam para o desempenho das suas tarefas diárias. Só após uma análise cuidada com a equipa e, por sua vez, dos projetos que estão em curso, é que iremos analisar se faz sentido, a breve trecho, recrutar mais profissionais nesta área.

