Autor: Rita Cadillon, Head of People & Culture da SMB & CPA Portugal & África na Cegid
Um ambiente corporativo saudável constrói-se todos os dias, através de uma série de decisões que, no seu todo, devem ter como prioridade promover o bem-estar emocional e a saúde dos colaboradores. Quando uma organização incentiva os colaboradores a cuidarem da sua saúde, além de revelar uma preocupação com seu bem-estar, tem um impacto direto no desempenho e na produtividade das equipas. A implementação de medidas que promovam o bem-estar físico, emocional e financeiro dos colaboradores é hoje um dos principais desafios das organizações.
A remuneração deixou de ser um fator decisivo no momento de escolher entre propostas de emprego. Hoje, são cada vez mais os profissionais que optam por empresas capazes de lhes proporcionar uma boa experiência no local de trabalho, a chamada Employee Experience ou, em português, Experiência do Colaborador. Os benefícios sociais são também cada vez mais um fator decisivo, na medida em que contribuem para o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.
Ora, se assim é, a grande preocupação do departamento de RH deve ser oferecer aos seus colaboradores uma experiência verdadeiramente positiva. O colaborador precisa de uma boa experiência para poder evoluir e aumentar o seu nível de conhecimento, atingindo o seu potencial e transformando-se numa verdadeira mais-valia para a organização. Para as empresas, os ganhos não estão exclusivamente ligados ao desempenho. Os programas e iniciativas para promover o bem-estar dos trabalhadores contribuem significativamente para reduzir os períodos de ausência associados a problemas de saúde e reduzir os custos relacionados com o turnover e o recrutamento.
Enquanto empresa considerada uma referência nacional em boas práticas de gestão de Recursos Humanos, procuramos promover a igualdade e a conciliação entre a vida pessoal e familiar, além de fomentar o bem-estar dos nossos colaboradores, através de iniciativas concretas como workshops de gestão de stress, do sono, das finanças, nutrição, ações de sensibilização para questões de ergonomia, e protocolos com ginásios, clínicas de psicologia, clínicas médicas de saúde e bem-estar, entre outros benefícios, que oferecem condições mais acessíveis para cuidar os colaboradores cuidarem da sua saúde.
Face aos últimos números divulgados pelo estudo do Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis, que revela que quase 80% dos colaboradores inquiridos mostram pelo menos um sintoma de burnout, devemos ter em conta que, se parte dos problemas de saúde mental são geradas por questões patológicas, outra grande parte podem ser fruto de falta de condições no local de trabalho e de um ambiente desagradável, composto muitas vezes por lideranças autoritárias que acabam por gerar emoções negativas nos profissionais. Tudo isto pode traduzir-se em altos níveis de stress e na queda de produtividade, que afeta negativamente a experiência do colaborador na organização.
Perante os problemas apresentados, é necessário existir uma comunicação aberta e transparente com os colaboradores, para promover um ambiente de trabalho saudável e produtivo, cultivando um sentimento de pertença, para uma maior satisfação e motivação no trabalho. Dessa forma, os colaboradores irão sentir-se mais valorizados e serão mais produtivos, conseguindo progredir profissionalmente e atingir o máximo do seu potencial.
Por outro lado, é fundamental disponibilizar modelos de trabalho flexíveis, como o teletrabalho e horários flexíveis, para reduzir o stress relacionado com as deslocações e outras responsabilidades pessoais, que são, muitas vezes, difíceis de gerir sem esta flexibilidade oferecida pelas empresas.
Melhorar o bem-estar dos colaboradores através de informação sustentada em dados
Para avaliar a experiência e o engagement dos colaboradores, as organizações devem ter em conta as métricas que têm hoje à sua disposição, que são um ótimo aliado para estarem conscientes das preocupações e necessidades de melhoria dos seus colaboradores. Os dados podem ser recolhidos através de inquéritos e formulários de feedback contínuo, por exemplo, e desempenham um papel fundamental na análise de pessoas (People Analytics), nomeadamente para detetar sinais de fadiga ou desmotivação e identificar padrões entre diferentes as equipas e departamentos.
O People Analytics permite não só melhorar a tomada de decisão dos profissionais de RH, mas também aumentar a agilidade na elaboração dos planos de ação, que contribuem para melhorar a experiência do colaborador. Este método de análise de dados permite antecipar tendências, apoiar na retenção de talento, potenciar um ambiente de trabalho mais positivo, impulsionar a produtividade, e, finalmente, melhorar o desempenho global das empresas. Diria que o grande poder do People Analytics reside precisamente na análise preditiva: através da análise do histórico de dados, é possível distinguir quais os colaboradores com maior potencial de crescimento e identificar fatores que contribuem para a rotatividade dos colaboradores. É aqui que o People Analytics desempenha um papel crucial, não só para construir uma força de trabalho resiliente, mas também para desenvolver estratégias de gestão de talento – tais como programas de formação destinados ao desenvolvimento de competências -, e de retenção – como a oferta de benefícios sociais.
Percebemos, então, que devemos manter-nos atentos às necessidades dos colaboradores e adotar medidas proativas para melhorar a sua experiência e bem-estar dentro da organização. Para isso, é essencial apoiarmo-nos em mecanismos de medição contínua, para criar um ambiente de trabalho positivo, melhorar o bem-estar dos colaboradores, impulsionar o empenho e a produtividade, reter o talento, e, finalmente, melhorar o desempenho global da empresa.
O segredo de uma experiência dos colaboradores de sucesso
Geralmente, as empresas que investem na melhoria da experiência dos colaboradores obtêm colaboradores mais satisfeitos, envolvidos e produtivos. O segredo é promover uma cultura de proximidade e colaboração.
O foco das organizações deve estar em criar estratégias que contribuem para melhorar o bem-estar e desenvolvimento de competências dos colaboradores, fatores esses que têm um impacto direto na produtividade e no desempenho global das empresas. Criar líderes fortes que inspirem as suas equipas, promover uma cultura de formação contínua, incentivar a inovação, apoiar os colaboradores em momentos de mudança e dar prioridade ao equilíbrio entre a vida profissional e familiar é essencial para o sucesso dos negócios a longo prazo.
Além disso, a tecnologia tem também importante para aproximar as empresas dos seus colaboradores, na medida em que permitem uma comunicação, em tempo real, com toda a organização e disponibilizam as ferramentas necessárias para o desenvolvimento da relação laboral de cada colaborador. Quer a adoção de tecnologia, quer a implementação de medidas que promovam o bem-estar dos funcionários, devem ser encaradas como um investimento que gera inúmeros benefícios não só para as pessoas, mas também para os negócios. Vamos a isso?