Uma das conclusões do programa Silver, programa da cooperativa de solidariedade social Aproximar em parceria com o programa europeu Erasmus+, concluiu que 58% dos entrevistados reformados afirmaram estar motivados para a reforma e 50% dos empregadores apresentaram algum tipo de ação para o apoio aos trabalhadores mais velhos, como workshops de preparação para a reforma.
No entanto, a Aproximar sublinha que o programa, que explorou as perspetivas das pessoas reformadas e compreender a visão dos empregadores, apontou o facto que não existe evidência suficiente sobre a eficácia de intervenções pré-reforma nos locais de trabalho.
Outras das conclusões do programa reforça que 28% dos trabalhadores desejava continuar a trabalhar por mais tempo, mas com condições diferentes, e 81% valoriza a existência de programas de apoio à transição para a reforma.
O desenvolvimento de cursos de formação e uma “caixa de ferramentas”
Com base nos dados, a Aproximar desenvolveu um curso para os Recursos Humanos, destinado a trabalhar as formações dos trabalhadores mais velhos.
“Os objetivos e estrutura destes cursos de formação tem em conta a longevidade e o mercado de trabalho e a transição progressiva. E, ao longo da formação, os formandos tem a possibilidade de integrar a sua formação na sua realidade prática”, explica Joana Portugal, vice-presidente e coordenadora na Aproximar.
Até ao momento, 121 gestores e professores de recursos humanos estão interessados nos cursos de formação da Aproximar.
Para Joana Portugal, ser capaz de criar estratégias diferentes de transição na carreira é o dado que deve ser mais trabalhado, em que muitos dos interessados se revelaram capazes ou nada capazes.
Ao mesmo tempo, a Aproximar desenvolveu uma “caixa de ferramentas” a ser utilizada pelos Recursos Humanos, composta 21 ferramentas separadas nas categorias de saúde, social, psicológico/emocional, financeiro e económico.
Um trabalho com muito para ainda ser feito
Rita Mexia, Senior National Manager Science & Clinical da Kelly, entende que ainda existe muito que se tem de fazer ao nível do idadismo. “Internamente temos práticas de formação intensiva para as nossas pessoas, de forma a que não exista o estigma de ‘não consigo aprender’. Para a Kelly, a partilha intergeracional é extremamente importante”, explica.
No caso do grupo Wellow, a possibilidade de existir outro conceito de trabalho, a formação contínua das pessoas e que promova uma cultura organizacional que tenha uma maior partilha de ideias. “O que mais me apercebi, com a testagem da caixa de ferramentas da Aproximar, foi que as pessoas, ao chegarem a idade de reforma, querem ser donas do seu tempo”, explica Bernardete Lopes, Corporate Social Responsibility da Talenter.
Já Claudia Silva, diretora da Unidade de Recursos Humanos da Casa Pia, admite que a formação dada pela Silver permitiu “pensar de forma diferente”. Para Claudia Silva, é importante “cuidar de quem cuida”, pelo que a Casa Pia está a implementar para o período 2023-2026 um gabinete psicossocial que permita ajudar as pessoas, tal como uma área vocacionada para o apoio de profissionais mais velhos.




