A fidelidade a uma empresa é um dos motivos por que muitas pessoas resolvem ficar nos locais de trabalho durante anos. Mesmo quando são tratadas de forma cruel através de políticas que desfavorecem o seu trabalho, contínuos despedimentos e layoffs que criam stress e ansiedade. No entanto, eles permanecem nas empresas.
Num artigo publicado na Harvard Business Review, Marlo Lyons, ex-jornalista e Team Coach, detalha cinco razões pelo qual as pessoas hesitam em abandonar um trabalho – e o que fazer acerca delas.
A primeira é a lealdade à “companhia de trabalho”, em que Lyons descreve como as relações estabelecidas entre os colaboradores ao longo tempo podem dificultar a saída de algumas pessoas, especialmente quando outros trabalhos oferecem melhores condições de trabalho do que as que o trabalhador usufrui de momento. Estas companhias passam a ser, muitas vezes, uma “segunda família”, com o qual se festejam aniversários e eventos importantes. “É importante reconhecer que uma equipa recruta uma pessoa pelas suas capacidades e competências para um serviço. Caso sinta que não está a ser valorizado por essas competências, determine se a empresa está a acrescentar valor à vida que merece e necessita”, explica Lyons.
A segunda, é o culto (ou atmosfera de culto). “Quando uma pessoa integra uma empresa, todas as pessoas estão a trabalhar para um objetivo comum. Se a empresa tiver a missão de fazer as pessoas felizes, com sucesso, saudáveis ou, por exemplo, ser sustentável, então os trabalhadores sentem que o que estão a fazer está a contribuir para o bem da humanidade. Mesmo se a empresa não estiver a ajudar o mundo, a atmosfera interna colabora entre si para atingir um objetivo comum”, enumera Lyons. O que muitas vezes este culto esconde são as horas extraordinárias, trabalhar durante os fins de semana e feriados, salários baixos para esforços extraordinários e deadlines diários stressantes.
“Se uma pessoa está a sentir que este ambiente não é saudável, eis algumas perguntas que pode colocar: o que é importante para mim neste emprego e como defino o que este emprego significa para mim? Que valores estão constantemente a ser honrados ou violados? Existe algo que eu possa fazer para assegurar que os meus valores são honrados”, elenca Marlo Lyons.
A terceira razão por que muitas pessoas têm dificuldades em abandonar o seu emprego antigo é o sentimento de nostalgia. “Quando ocorrem mudanças, seja a mudança de um líder, uma nova estrutura ou uma mudança na direção estratégica, pessoas podem ter dificuldades em habituarem-se ao novo paradigma, especialmente quando tiveram uma boa experiência durante meses ou anos”, sublinha Marlo Lyons. Mudanças organizacionais destas, explica a coach, podem ter efeitos como choque, negação, frustração ou depressão. “Mudança é difícil, por isso é necessário tempo para se ajustar ao que isto significa para o trabalho de alguém”.
“Se está a sentir que está a ter dificuldades após uma mudança de trabalho, considere as seguintes questões: como era a empresa quando eu me juntei e como é a realidade agora? O que tornaria o ambiente melhor para mim? Posso fazer mudanças adicionais ou pedidos para preencher o “valor” que está em falta?”, explica Marlo Lyons.
Outro aspeto enunciado por Lyons é “as algemas de equidade”. Alguns trabalhadores recebem ações da empresa, um bónus concedido ao longo do tempo, normalmente anos. “Portanto, depois de estar sujeito a um ambiente de trabalho stressante, uma pessoa pode sentir que é o seu direito esperar que esse investimento compense pelo que foi sofrido. Mas o que muitas pessoas se esquecem de perguntar é o seguinte: quanto trauma pode aguentar; depois de impostos, quanto vou receber destas ações; se eu abandonar o meu trabalho sem este dinheiro, isto vai afetar a minha reforma; quanto dinheiro eu necessitaria de ganhar em compensação noutra empresa para recuperar o dinheiro que perdi das ações não-investidas?”, acrescenta Marlo Lyons.
A última razão enunciada é o medo. Medo de que, depois de sair de um emprego, uma pessoa vai voltar a mais uma situação periclitante, que vai ter de voltar a provar o que consegue fazer e que não vai ser capaz de fazer tanto dinheiro. “Se uma pessoa se sente esgotada emocionalmente e fisicamente como resultado de um mau trabalho, o medo de abandonar um emprego, estando potencialmente desempregada por um tempo incerto, pode levar uma pessoa a ter pouca confiança numa mudança que pode levar a um melhor ambiente de trabalho. Por isso, pense no seguinte: Se eu não estivesse com tanto medo de abandonar o meu emprego, o que seria possível? Como é seria o meu novo ambiente de trabalho? Que tipo de suporte eu necessito para ter mais confiança em fazer uma mudança deste tipo?”, conclui Marlo Lyons.