Sylvie Le Pottier, Head of Human Resources do BNP Paribas Portugal, fala sobre o crescimento da empresa em Portugal e quais estratégias implementam para promover o desenvolvimento de competências dos colaboradores.
O BNP Paribas continua a crescer em Portugal. Como tem sido a vossa história cá?
O BNP Paribas está em Portugal desde 1985, um dos primeiros bancos estrangeiros a operar no país. Ao longo dos últimos 38 anos tem vindo a consolidar gradualmente a presença em território nacional, oferecendo aos seus clientes, corporativos e particulares, um conjunto alargado de soluções financeiras integradas, para os apoiar no seu dia a dia e respetivos negócios.
O BNP Paribas Portugal é uma parte fundamental da configuração europeia do banco, e a nossa ambição é continuar a aumentar a presença local em Portugal, enquanto contribuímos ativamente para a sociedade e economia portuguesas, bem como para o percurso transformador do BNP Paribas em todo o mundo.
No país, o banco tem uma forte atuação local, com cobertura total dos seus negócios. Conta com 10 entidades a operar diretamente em Portugal, duas delas abertas nos últimos dois anos, reafirmando a importância deste mercado. Para além destas 10 entidades, o BNP Paribas Portugal conta ainda com 11 centros de excelência que são centrais para o modelo global do banco, prestando serviços de elevado valor ao grupo tanto a nível global como local.
Ao todo, o grupo conta já com mais de 8.000 colaboradores em Portugal, de 82 nacionalidades diferentes – 85% são portugueses – e uma taxa de crescimento de 10% (de 2021 para 2022). Este crescimento continuará em Portugal de forma contínua.
O BNP realizou, em parceria com a Nova BSE, um estudo chamado Re-imagining Work. Quais foram as conclusões e como as aplicaram no banco?
Atualmente, as prioridades das gerações mais jovens mudaram. O BNP Paribas quis entender melhor como é que as próximas gerações pensam e o que procuram quando falamos de carreiras.
No estudo Re-imagining Work, mais de 3,5 em cada 4 jovens destacaram a “Cultura Colaborativa e Amigável”, a “Conduta Ética e Responsável” e as “Oportunidades de Crescimento na Carreira” como os atributos corporativos mais relevantes. Mais de 3 em cada 4 alunos entrevistados escolheram o “Respeito”, o “Empoderamento” e a “Integridade” como os valores corporativos mais importantes, seguidos de perto pelo “Equilíbrio Vida Pessoal-Profissional ” e o “Bem-estar”.
Entre os colaboradores que já estão inseridos no mercado de trabalho, mais de 3,5 em cada 4 trabalhadores escolheram o “Respeito” e a “Integridade”, seguidos do “Equilíbrio entre Vida Pessoal-Profissional”, do “Empoderamento” e da “Comunicação Aberta”.
Conseguimos também concluir que muitos dos valores defendidos pelo BNP Paribas vão ao encontro das opiniões do talento futuro, o que nos dá confiança para continuar no caminho que estamos a percorrer, contribuindo para uma política de recursos humanos atrativa e multidisciplinar, sempre com o objetivo de assegurar as melhores condições possíveis para a integração e retenção dos futuros e atuais colaboradores na nossa empresa.
Verificou-se que entre os estudantes internacionais que participaram no estudo, apenas 1 em cada 3 pensa trabalhar em Portugal após terminar a licenciatura. No entanto, perante um cenário que inclui a possibilidade de trabalhar em Portugal numa empresa cujos valores corporativos são semelhantes aos do BNP Paribas (embora o nome da empresa não tenha sido mencionado), esta percentagem sobe para 2 estudantes em cada 3.
Por outro lado, mais de 86% dos estudantes e 60% dos profissionais defendem o modelo híbrido como forma de trabalho preferencial e é, não só mas também, nestas premissas que o BNP Paribas fundamenta a sua estratégia de Smart Working.
Por falar no Smart Working, como se tem refletido esta política na vossa Employee Value Proposition (EVP)?
A ambição do BNP Paribas é cultivar um ambiente positivo e aberto para todos, que incentive a colaboração e que promova uma atmosfera inclusiva; contribuir ativamente para os objetivos de “Diversidade e Inclusão” do grupo; e para os “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável” (ODS) da ONU, construindo, ao mesmo tempo, uma verdadeira cultura de oportunidade e inclusão no BNP Paribas em Portugal.
É neste sentido que a nossa EVP estabelece, como um dos seus três pilares, a construção de um ambiente aberto e positivo para todos, completamente alinhado com os ODS das Nações Unidas. Esta é a ambição do BNP Paribas: continuar a evoluir os seus métodos de trabalho nos próximos anos. Desenvolvido a partir da experiência adquirida durante a crise pandémica, da análise das práticas de mercado e, acima de tudo, da escuta de colaboradores e dos gestores, o Smart Working assenta na confiança, na autonomia e na colaboração.
O BNP Paribas quer manter um sentimento de pertença à empresa, proporcionando um equilíbrio geral entre o trabalho remoto e a presença no local de trabalho, com um máximo de 60% de trabalho remoto por colaborador. A organização híbrida das equipas e a ênfase no trabalho colaborativo estão a mudar a nossa relação com os escritórios e as nossas interações com os colegas. As áreas de trabalho estão a adaptar-se gradualmente a estas novas necessidades e aos constrangimentos do mundo do imobiliário.
Um dos fatores para o sucesso da transição para a modalidade híbrida é a possibilidade de trabalhar a partir de casa, bem como colocar ao alcance de todos os colaboradores o equipamento necessário para trabalhar de forma eficaz. Apoiar as pessoas para que seja possível trabalhar de uma forma mais híbrida, ao mesmo tempo que se proporciona aos colaboradores os meios para que mantenha um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, é uma dimensão essencial do Smart Working.
O BNP Paribas aposta na mobilidade interna para que os colaboradores possam desenvolver a sua carreira em diferentes funções. Como se processa esta estratégia na prática?
Enquanto promotor do talento nacional, o BNP Paribas apoia a mobilidade local e internacional dentro do grupo e aposta na promoção da diversidade e inclusão entre os colaboradores, através da promoção ativa de uma política de igualdade de oportunidades.
A mobilidade interna é incentivada como meio para responder aos requisitos de negócio, bem como às expectativas e necessidades de desenvolvimento das pessoas. O nosso objetivo é que o processo de mobilidade seja percebido como fluido e transparente. As pessoas devem assumir um papel proactivo na mobilidade com o apoio do respetivo manager e dos Recursos Humanos, que fomentam a mobilidade transversal.
A seleção de colaboradores para uma vaga assenta numa avaliação objetiva das competências exigidas, de acordo com os princípios da não discriminação e do incentivo à diversidade. As listas são suficientemente diversificadas e incluem, pelo menos, um(a) mulher/homem.
A complementar esta estratégia de mobilidade interna, o banco promove todos os anos o “Portugal Career Days” como um marco importante neste compromisso, uma vez que a iniciativa é feita para que os colaboradores conheçam o grupo, as equipas e as suas funções, e reflitam sobre o seu próprio desenvolvimento.
Como detetam e apoiam os colaboradores com capacidades de liderança, para que consigam alcançar essas posições?
Conforme consta da nossa Employee Value Proposition local, o BNP Paribas assumiu um compromisso com o desenvolvimento das pessoas, porque é um dos principais impulsionadores do nosso crescimento organizacional. Enquanto o banco promove diferentes oportunidades de carreira, as pessoas estão ao comando do seu desenvolvimento e são incentivadas a tomar as rédeas do seu próprio percurso profissional.
O BNP Paribas identifica os seus futuros líderes através de quem gere diretamente os seus percursos nas diferentes áreas de negócio: a sua liderança. Esta informação é recolhida e centralizada no departamento de Gestão de Pessoas para validação de critérios de seleção e decisão quanto à sua integração num dos programas de desenvolvimento de liderança em prática no grupo, dos quais o mais expressivo será o programa “Leaders for Tomorrow”. Os gestores das diferentes áreas de negócio são responsáveis por continuar a apoiar a permanência dos colaboradores no programa, nomeadamente criando as condições necessárias para a sua participação nas diferentes atividades (formação, mentoria, coaching, etc) que este contempla, bem como a promoção do plano de desenvolvimento pessoal de cada futuro líder, que exige o compromisso de todos: do próprio colaborador, do seu manager e dos profissionais de Gestão de Pessoas que os acompanham.
E qual a vossa estratégia para a formação contínua dos colaboradores?
Para nós, o desenvolvimento das pessoas é um compromisso de longo prazo e um dos principais impulsionadores do crescimento organizacional. Temos orgulho de investir continuamente no desenvolvimento das capacidades e dos conhecimentos dos nossos colaboradores através de planos de desenvolvimento pessoal personalizados, formações de soft skills, programas de gestão, formações de negócios e finanças, e do nosso “Programa de Talentos”, projetado para apoiar os nossos colaboradores a alcançarem sucesso e destaque num ambiente de ritmo acelerado.
Na “Academia de Formação” incentivamos os nossos colaboradores a enriquecer os seus conhecimentos e a expandir as suas competências através de planos de desenvolvimento pessoal feitos à medida de cada um. Em 2023, lançámos a nossa primeira academia de aprendizagem social que permite aos nossos pares aprender e desenvolver as suas competências.
Podemos também acrescentar que o banco tem apoiado a integração de refugiados e migrantes, promovendo os seus talentos e competências, durante os anos de 2022 a 2024, oferecendo-lhes acesso à educação, aulas de idiomas e formação profissional. Em Portugal, a Fundação BNP Paribas apoia, na sua primeira edição, a Associação JRS (Jesuit Refugee Service).