Mais de 5.400 pessoas com 55 ou mais anos, entre desempregados e reformados, regressaram ao mercado de trabalho através da plataforma social 55+, um projeto presente nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, em Aveiro e na região do Algarve e que procura transformar competências acumuladas ao longo de uma vida profissional em respostas para necessidades concretas das comunidades. A informação foi avançada pelo jornal ECO.
Há quem cozinhe em casa de clientes, acompanhe séniores ao médico, cuide de crianças ou animais ou dê aulas de inglês e música. Outros fazem pequenas reparações domésticas, penduram candeeiros, substituem tomadas ou tratam da canalização. A oferta inclui ainda serviços de chef ao domicílio, jardinagem, limpezas e costura.
A plataforma foi criada em 2018 por Elena Durán, natural de Jaén, no sul de Espanha, e começou por operar em cinco freguesias da Grande Lisboa. O projeto nasceu da constatação de que a saída do mercado de trabalho, por desemprego, reforma ou pré-reforma, não significa necessariamente o desaparecimento das competências adquiridas ao longo de décadas.
“O que fazemos é ativar, valorizar e promover a participação e a contribuição das pessoas com mais de 55 anos que estão numa situação de inatividade, seja pelo desemprego, pela reforma ou pela pré-reforma”, explica Elena Durán ao ECO, adiantando que o projeto pretende transformar esses “talentos em agentes de mudança nos seus territórios”.
Mais de 60 mil horas de serviços
O projeto cresceu, entretanto, para outros territórios, de norte a sul do país, e expandiu-se também para Barcelona. Segundo o ECO, os chamados “Talentos 55+” já ultrapassaram as 60.300 horas de serviços realizados.
A plataforma funciona através de dois modelos. Num deles, os clientes pagam diretamente pelos serviços que procuram. No segundo, designado de “duplo impacto”, os serviços destinam-se a pessoas que não têm capacidade para suportar esse custo. Nesse caso, são as autarquias e outras organizações parceiras que assumem o pagamento das horas prestadas pelos “Talentos 55+”. Para já, este modelo está disponível em Leiria e na região algarvia. “Em Leiria, por exemplo, contamos com o apoio do Instituto de Segurança Social, enquanto no Algarve já temos a ajuda da Fundação Auchan, da Câmara Municipal de Loulé e de fundos europeus para inovação social”, detalha Elena Durán ao ECO.
Na região do Porto, o modelo é diferente. “A 55+ integra a rede social local e mantém uma relação de proximidade com a câmara municipal, embora sem um protocolo formal”, explica a fundadora, citada pelo jornal.
Em algumas cidades, o projeto conta, assim, com a colaboração das autarquias e de outras entidades locais para chegar a pessoas que, de outra forma, não conseguiriam pagar pelos serviços.
O que se perde quando o talento sai do mercado
O crescimento da plataforma acontece num contexto em que as economias locais enfrentam, simultaneamente, dificuldades na contratação de trabalhadores e uma população cada vez mais envelhecida. Ao mesmo tempo, muitas pessoas com mais de 55 anos permanecem afastadas do mercado de trabalho, apesar da experiência e das competências acumuladas ao longo da vida profissional.
O objetivo passa agora por replicar o modelo noutras cidades do país. Para Elena Durán, importa perceber o que uma comunidade perde quando deixa de contar com aquilo que esse “talento” ainda tem para dar, como explicou ao ECO.
Mais de oito anos depois de ter começado em cinco freguesias da Grande Lisboa, a plataforma soma já mais de 5.400 pessoas que regressaram à atividade e ultrapassou as 60.300 horas de serviços prestados.
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