Em entrevista ao Jornal Eco, o patrão dos patrões, que vai entregar o testemunho da presidência da Confederação Empresarial de Portugal a Armindo Monteiro no próximo dia 12 de abril, não defende a necessidade de revisão do acordo assinado, já que este tem inscrita uma cláusula de revisão, mas defende que os parceiros signatários ficaram “muito mais despertos para os timings de execução do acordo”.
Quando questionado se sente que foi enganado ou usado pelo Governo, quanto às alterações introduzidas ao Código do Trabalho no âmbito da Agenda do Trabalho Digno, António Saraiva desmente essa ideia.
“Não me sinto enganado, mas sinto que não houve o respeito das regras de jogo por parte do Governo no acordo. E é curioso que o Governo dá isso como mérito da sua governação”, explica.
O que a CIP antecipa incluir numa renegociação
Como o acordo foi negociado em outubro, António Saraiva explica, que com a entrada em vigor do salário mínimo em janeiro, deveriam ter início as contrapartidas. “Aumento de 2% da produtividade, serem extintos o Fundo de Compensação do Trabalho e o Fundo de Garantia”, explica.
O presidente cessante da CIP também acrescenta que o Fundo de Compensação do Trabalho está capitalizado em “600 milhões de euros”, sendo esse dinheiro das empresas. “Mas não se destinando ao fim a que foi criado deveria ser devolvido”, aponta.
Neste sentido, António Saraiva defende que esse dinheiro pode ser usado para duas coisas: “formação profissional, algo em que o Estado deveria estar parcialmente envolvido nesta equação porque o país também beneficia com uma população mais qualificada, ou para apoio à habitação de público jovem”.