Num contexto de escassez de talento, ter colaboradores satisfeitos com o seu trabalho – seja no dia, seja em termos de condições genéricas – é vital. Esse bem-estar revela-se precioso para a retenção (e maior produtividade), mas também para a criação de um rasto global na comunidade profissional, que extravasa os quadros de cada empresa, a tal “boa fama” que facilitará a atração/contratação de pessoas no mercado e que ajuda a construir um forte “employer branding”, o outro conceito emergente da identidade das empresas.
Segundo a Gartner, no seu estudo “As 5 principais prioridades e tendências de RH para 2024”, a employee experience do colaborador estará no centro das atenções das equipas de RH, de forma a “revigorar a confiança e o envolvimento” entre as empresas e as suas pessoas. O “Estado da Employee Experience 2023-2024”, do EXchange Group (em colaboração com a TI People e a FOUNT), vai na mesma linha, ao indicar que entre os 165 líderes e outros elementos(de RH e outros setores) auscultados no inquérito sobressaiu como 1.a prioridade o “redesenho” das experiências profissionais (31,4%), quando em 2022-23 ocupava a 5ª posição (16,9%).
A Qualtrics também realizou um estudo sobre o que esperam os colaboradores das suas empresas no ano que já se iniciou. O “Tendências de Employee Experience 2024” baseou-se num inquérito realizado a cerca de 37.000 colaboradores de 32 países (6 continentes), em mais de duas dezenas de setores, identificando cinco eixos principais.
Todas as empresas têm a ganhar com o mapeamento e melhoria das suas experiências, com claro retorno ao nível da atração e fidelização de talento
1 – Os colaboradores preferem que a IA os assista em vez de os gerir. Quer isto dizer que estão mais abertos à utilização de IA que podem controlar e dirigir do que àquela que pressupõe avaliação ou “maior impacto na sua carreira e subsistência”. O estudo revelou ainda três correlações curiosas: quanto maiores forem o cargo na estrutura da empresa, o empenho do colaborador e a confiança na organização, maior será também a abertura para usar a IA no trabalho. Estes atributos contribuirão para que aumente “a probabilidade de acreditar que a sua organização utilizará a IA em seu benefício”, refere Sarah Marrs, Diretora de Employee Experience (EX) Strategy Execution da Qualtrics.
53% dos considerados colaboradores empenhados dizem sentir-se confortáveis com a IA no trabalho
2 – Os colaboradores da linha da frente para o exterior são os mais infelizes, os que recebem menos apoio e os que menos confiam. Para alterar esta situação, a Qualtrics aponta como prioridade a comunicação entre as lideranças e este patamar profissional, de forma a encontrar soluções e também para que estes colaboradores “saibam que as suas vozes são ouvidas”. Sarah Marrs indica ainda outra vantagem: “aproxime-se dos pontos fracos dos clientes para compreender o que se passa com os seus empregados.” O estudo refere ainda as “poderosas perceções” dos colaboradores resultantes da sua experiência, isto é da maior proximidade que mantêm com os produtos e clientes da empresa.
-10% é a confiança dos colaboradores da linha da frente na liderança, quando comparada com a dos outros funcionários
3 – A fase de lua de mel do novo emprego desapareceu. O estudo revela que os colaboradores com menos de seis meses de antiguidade são os que têm menor intenção de permanecer (três anos ou mais) na sua empresa: 38% (contra 65% no total). A Qualtrics identifica três eixos explicativos para este “desencantamento precoce”: o onboarding, que precisa de ser repriorizado e reconstruído; as experiências dos novos colaboradores, que têm ir mais ao encontro das suas expetativas, devendo para tal os empregadores fazer um esforço de alinhamento nos respetivos programas (que pode implicar até o seu redesenho) e, finalmente, a perceção dos colaboradores de que podem crescer e desenvolver-se na sua organização, que este estudo revela ser reduzida.
38% dos colaboradores com menos de seis meses na casa que pretendem permanecer três ou mais anos na empresa
4 – Escuta contínua. Os colaboradores abrem os seus e-mails e chats de trabalho para serem ouvidos, mas são mais ambivalentes em relação às redes sociais. O estudo da Qualtrics revela que os colaboradores mostram grande disponibilidade para abrir os seus canais de comunicação privados (como por exemplo o e-mail ou chat de trabalho) ao universo laboral, se isso contribuir para uma melhor experiência no trabalho. Tal permitirá alargar a recolha de dados à chamada escuta passiva, um campo que os RH temiam não ser do agrado das suas pessoas (limitando-se, por isso, muitas vezes à escuta ativa/inquéritos). Mas o mesmo já não sucede com as suas redes sociais: metade dos inquiridos confessa-se desconfortável com o uso dos respetivos dados por parte da empresa.
80% dos colaboradores considerados empenhados estão abertos a que a empresa recolha dados através do seu e-mail de trabalho
5 – É melhor passar algum tempo no escritório do que nenhum – a não ser que sejam cinco dias. O estudo mostra que os colaboradores que trabalham cinco dias no escritório ou num local no local de trabalho apresentam os índices de employee experience mais baixos. Já aqueles que o fazem num horário híbrido apresentaram os índices mais elevados. Por outro lado, os colaboradores não querem mergulhar totalmente no trabalho remoto, em especial aqueles que acabaram de chegar a uma organização, pois tal constitui um obstáculo à integração.
68% dos colaboradores que trabalham em regime híbrido (três dias no escritório) manifestam vontade de continuidade na empresa (número superior aos que trabalham de forma sempre remota ou sempre no escritório)
Transversal aos estudos e tendências aqui mencionados, a preocupação dos empregadores irem ao encontro da expetativa dos seus colaboradores, de forma a agradá-los com uma melhor employee experience.
Somos [Grace] um grande construtor de pontes, preocupados em aumentar awareness, literacia e, com recurso ao mapeamento dos associados e da economia social, identificar a ponte certa para cada empresa
Artigo publicado na edição 151 da RHmagazine, referente aos meses de março e abril de 2024