Perante a dificuldade, cada vez mais premente, em recrutar os melhores talentos, qual será a melhor aposta? Persistir na tentativa de contratar ou requalificar os recursos da “casa”? A Cerealis, empresa transformadora de produtos alimentares, a braços com a lacuna de competências técnicas dos seus trabalhadores, encontrou a solução no programa formativo da ATEC – Academia de Formação.
Nota: O presente artigo foi escrito antes da mudança de funções de Manuel Gaspar, que atualmente é Diretor de Manutenção Industrial do Grupo Impetus.
Cada vez mais somos confrontados com novas tecnologias, novas tendências e novos métodos de trabalho e urge que empresas e colaboradores se adaptem às constantes mudanças da realidade laboral. Perante a escassez de recursos humanos qualificados, emerge a necessidade de requalificar ou reconverter os talentos da “casa”. Falamos, então, de “upskilling” e “reskilling” – as novas tendências de gestão de pessoas.
A Cerealis, enquanto empresa da indústria transformadora do setor alimentar, detém uma pluralidade de equipamentos que requerem equipas de manutenção multidisciplinar. Equipamentos assentes em diversas tecnologias, de diferentes anos e com um conjunto de funcionalidades completamente assimétricas. Perante isto, tornava-se imperioso um conhecimento bastante amplo da equipa técnica – mas esta era constituída por um número insuficiente de efetivos e sem o know-how para absorver toda a tecnologia ao seu dispor. Reconhecidas estas lacunas, vislumbrava-se a inevitabilidade de implementar um programa formativo na empresa.
Uma relação win-win
Foi em 2016 que a Cerealis recorreu à ATEC – Academia de Formação, com o objetivo de consolidar e desenvolver as “tech skills” dos técnicos de manutenção das suas unidades da Maia e Trofa e, dessa forma, procurar nivelar o conhecimento dos diferentes colaboradores, elevando as respetivas qualificações.
A solução passou, desde logo, pela realização de quatro assessments técnicos para mapeamento de competências, a fim de se chegar aos “gaps”. A partir daí, foi desenhado um programa de formação assente nas dificuldades internas da empresa, nas áreas de Mecânica, Instrumentação, Automação e Redes Industriais. O plano de formação – customizado e levado a cabo nas oficinas da Cerealis, com os seus próprios equipamentos – dividiu-se em três níveis de aprendizagem, cada um com uma série de horas de formação (nível 1 – 160 horas; nível 2 – 160 horas; nível 3 – 88 horas), perfazendo um total de 408 horas. Completado o programa, os formandos receberam acreditação, aproximando-se da oportunidade de elevar a sua posição profissional, passando de técnicos a chefias, por exemplo.
“Os técnicos treinados têm uma capacidade e uma reação muito diferentes daquelas que tinham”, afirma Manuel Gaspar, à data, Engineering and Projects Director da Cerealis. “Por um lado, estão mais motivados e, por outro, têm um conhecimento teórico e prático daquilo que realmente têm de fazer em determina dos equipamentos, uma vez que foi neles que tiveram a formação”, acrescenta.
Como resultados da implementação do programa de formação da ATEC, Manuel Gaspar destaca a redução do tempo de resposta a avarias e do tempo de paragem das linhas de produção. E os números não enganam: se em 2016, antes de se iniciar nesta “aventura”, a Cerealis detinha cerca de 12% de taxa de avaria, em 2021 viu esse número reduzir-se para 2,5%.
“Conseguimos arranjar uma relação win-win entre o colaborador, os equipamentos e todo o ecossistema da organização”, defende o, então, Engineering and Projects Director da empresa transformadora de produtos alimentares.
Este modelo, que hoje se intitula Academia de Formação Técnica da Cerealis, com suporte da ATEC, permitiu ganhos quer ao nível interpessoal dos próprios colaboradores, quer para a própria organização, que assistiu a um menor número de flutuações de entradas e saídas de técnicos, tornando a equipa muito mais estável ao longo do tempo.
“Conseguimos arranjar uma relação win-win entre o colaborador, os equipamentos e todo o ecossistema da organização” (Manuel Gaspar)
“Havendo uma grande dificuldade em encontrar talentos com qualidades técnicas suficientes para entrar na organização, se conseguirmos dar-lhes a requalificação necessária, permite-nos atingir excelentes resultados”, defende Manuel Gaspar, sublinhando acreditar que, neste momento, a empresa já possui um nível de conhecimento acima da média do mercado.
Quando às principais dificuldades sentidas na implementação deste projeto, Manuel Gaspar menciona as tarefas de envolver as equipas, alertando-as para a necessidade daquela requalificação, e de demonstrar que não se tratava de uma formação “standard”, de sala de aula, mas sim de uma formação altamente customizada à realidade da Cerealis.
Case Study publicado na edição n.º 139 da RHmagazine, referente aos meses de março/abril de 2022.
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