O aumento mais expressivo na procura de competências em Portugal diz respeito às competências digitais. Em 2021, 63% das ofertas de emprego pediam este tipo de competências, um valor que se segue ao crescimento de 12 pontos percentuais entre 2019 (54%) e 2020 (66%).
Dados sobre as ofertas de emprego revelados pela plataforma Brighter Future da Fundação José Neves mostram ainda que foram pedidas competências técnicas em 87% das ofertas em 2021 e competências transversais em 82%. Independentemente do tipo de competência, os valores apresentados representam um aumento da procura face a 2019. Um outro insight demonstra que as ofertas de emprego em 2021 caíram cerca de 6% face a 2020, mas que o último ano ficou marcado por menos oscilações de procura ao longo dos quatro trimestres. E ainda que algumas profissões registaram uma queda de procura superior a 30%.
Procura por competências aumentou desde 2019
2020 e 2021 foram anos atípicos: a crise pandémica, as restrições impostas e os efeitos económicos e sociais que se seguiram modificaram o mercado de trabalho. Houve alterações na procura por parte dos empregadores e tanto empregadores como trabalhadores tiveram de se adaptar a um novo contexto laboral, marcado pelo trabalho a partir de casa e com recurso a tecnologias de informação e comunicação.
Há cada vez mais procura por competências digitais e a procura por algumas competências mais do que duplicou em 2021.
Entre as competências digitais que mais cresceram entre 2020 e 2021, destacaram-se as competências relacionadas com programação informática, designadamente as competências de ‘Python’, ‘JavaScript’ e ‘Java’.
Para todas competências digitais do ‘top 5’, a procura aumentou pelo menos 43% em 2021 face ao ano anterior.
As competências técnicas estão no ‘top’ das que mais cresceram. E as cinco cuja procura mais aumentou variaram pelo menos 93%. Ou seja, o número de ofertas de emprego que pediram estas competências quase duplicou entre 2020 e 2021. Deste grupo destacou-se a competência “organizar reuniões”, com uma variação de aproximadamente 207%.
No caso das competências transversais, o crescimento foi mais contido, com as cinco competências transversais que mais cresceram entre 2020 e 2021 a variarem pelo menos 15%. A competência “trabalhar numa equipa de serviços de hotelaria e restauração” destacou-se das restantes pelo aumento de 43% da sua procura nas ofertas de emprego entre 2020 e 2021, provavelmente devido à relativa recuperação do setor turístico no último ano.
As competências mais procuradas pelos empregadores nas ofertas de emprego não têm variado nos últimos anos, havendo apenas ligeiras alterações na sua ordenação. Quer em 2021, quer nos dois anos anteriores, as dez competências mais procuradas representaram cerca de 21% do total de competências mencionadas nas ofertas de emprego.
Os empregadores parecem destacar competências para lidar com situações de mudança, para resolver problemas, para trabalhar em equipa, competências digitais básicas e relacionadas com o serviço aos clientes.
A competência “adaptar-se à mudança” permaneceu como a competência mais pedida pelos empregadores nas ofertas de emprego. As competências digitais, apesar de estarem em minoria, ocuparam a segunda e terceira posição do top: “utilizar computadores” e “utilizar os programas do Microsoft Office”.
As competências mais pedidas pelos empregadores em 2021
- Adaptar-se à mudança (competência transversal)
- Utilizar computadores (competência digital)
- Utilizar os programas do Microsoft Office (competência digital)
- Trabalhar como parte de uma equipa (competência transversal)
- Criar soluções para problemas (competência transversal)
- Prestar apoio a clientes (competência técnica)
- Revelar responsabilidade (competência transversal)
- Princípios do trabalho em equipa (competência técnica)
- desenvolver estratégias de resolução de problemas (competência transversal)
- Serviço ao cliente (competência técnica)
Ofertas de emprego em 2021
As ofertas de emprego tiveram uma forte oscilação em 2020 e 2021, justificada por variações sazonais, mas também pela situação pandémica e pelas medidas restritivas que condicionaram a atividade económica.
Os trimestres com menos procura por parte dos empregadores foram aqueles passados em confinamento e com medidas mais restritivas: o 2.º trimestre de 2020 e o 1.º trimestre de 2021.
Enquanto os níveis de oferta de emprego nestes dois trimestres mais restritivos foram muito semelhantes entre si, há diferenças substanciais na evolução registada nos trimestres seguintes. No 3.º trimestre de 2020 as ofertas de emprego mais do que duplicaram face ao trimestre anterior (123%), já do 1.º para o 2.º trimestre de 2021, o crescimento foi muito mais contido (44%). A subida em 2021 parece ter sido mais sustentada do que a de 2020, que não passou de um pico muito significativo. Para o comprovar, a volatilidade foi maior no ano de aparecimento da pandemia. Os meses com o maior e menor volume de ofertas dos últimos anos foram ambos em 2020.
Esta evolução fez com que o total de ofertas de emprego em 2021 ficasse apenas 6% abaixo do registado em 2020.
O grupo das profissões mais qualificadas foi o que menos sofreu com a pandemia em 2020, o que poderá dever-se à maior capacidade de adaptação ao novo contexto laboral derivado da crise pandémica, nomeadamente na maior possibilidade de desempenhar tarefas à distância e com recurso a tecnologias de comunicação e informação.
Já em 2021, os grupos de profissões com qualificações intermédias e mais baixas ganharam terreno e tiveram uma maior dinâmica de recuperação nos 2.º e 3.º trimestres do ano. No entanto, é de notar que foram as ofertas destas profissões que mais voltaram a cair no último trimestre de 2021, em pelo menos 14%.
A maioria (59%) das profissões Brighter Future com expressão de procura em 2020 registaram um decréscimo de ofertas anuais em 2021, acompanhando a tendência geral.
Algumas profissões tiveram uma redução bastante expressiva no volume de ofertas entre 2020 e 2021, algumas com uma queda superior a 40%:
- Compositor, músico, cantor, bailarino e coreógrafo
- Técnico de operação e controlo de processos industriais
- Matemático, atuário, estaticista e demógrafo
- Técnico operador das tecnologias de informação e comunicação (TIC)
- Ator, apresentador, criativo e outros artistas
- Farmacêutico
Em termos absolutos, a redução das ofertas foi mais significativa para as seguintes profissões:
- Programador de software
- Representante comercial
- Pessoal de informação administrativa
- Empregado de aprovisionamento, armazém, de serviços de apoio à produção e transportes
Em contraciclo, estiveram profissões que, apesar da redução de 6% do volume de ofertas totais entre 2020 e 2021, registaram um crescimento no mesmo período superior a 40%:
- Empregado de mesa e bar
- Ajudante de cozinha e assistente na preparação de refeições
- Diretor de recursos humanos
- Estafeta, bagageiro e distribuidor
- Cozinheiro
A plataforma Brighter Future é a maior base de conhecimento sobre Educação e Competências em Portugal, ao transformar dados em factos e informação relevante para que profissionais e estudantes possam tomar as melhores decisões para o futuro. No Brighter Future é possível pesquisar cursos do ensino superior por área de estudo, região, nível e tipo de ensino ou instituição; saber mais detalhes sobre cada profissão, desde as tarefas, aos salários médios ou nível de educação mais comum; e ainda explorar as competências mais relevantes em determinada profissão ou área.
Siga-nos no LinkedIn, Facebook, Instagram e Twitter e assine aqui a nossa newsletter para receber as mais recentes notícias do setor a cada semana!