Segundo partilhado pela revista Exame, as comunidades corporativas têm sido consideradas pelas empresas importantes ativos estratégicos. Muitas vezes também denominadas comunidades empresariais, tratam-se de grupos de colaboradores com interesses comuns. Apesar de poderem ser intencionalmente formadas pelas chefias, as comunidades constituem-se, por norma, a partir da iniciativa dos colaboradores.
Entendido o conceito, passemos à análise do valor estratégico destes grupos para as empresas. Ainda seguindo a mesma fonte, as comunidades corporativas estão associadas a diversas vantagens:
- Inovação – Quando pessoas de diferentes áreas se juntam em grupo, instala-se um ambiente de troca de ideias, suscetível ao desenvolvimento de novas ideias;
- União – A criação de comunidades em função de interesses comuns torna as pessoas mais unidas, diminuindo a probabilidade de desentendimentos e melhorando, assim, o ambiente de trabalho;
- Tendências – A partir das trocas de ideias, os líderes conseguem percecionar tendências e necessidades dos seus colaboradores, transformando-as em vantagens competitivas;
- Conhecimento – Em grupo, é frequente a partilha de boas práticas, o que permite a aprendizagem dos membros, associada ao aumento da produtividade e à melhoria das competências das equipas;
- Bem-estar – Ao sentirem que fazem parte de um grupo pelo qual se interessam verdadeiramente, os colaboradores sentem-se melhor no trabalho, estando mais envolvidos com a empresa.
Ainda assim, a revista Exame não deixou de fora os possíveis desafios:
- Equilíbrio – Nem sempre é fácil estabelecer o equilíbrio entre a autonomia e o suporte organizacional das comunidades, que se devem manter ativas e produtivas;
- Recursos – Para que as comunidades subsistam, são necessários recursos humanos e financeiros, bem como infraestrutura, plataformas de comunicação e tempo.
Feito o balanço sobre a temática, a RHmagazine procurou compreender de que forma as empresas desenvolviam e geriam as suas comunidades. Fiquemos, então, com os casos práticos da Worten e da IKEA, em Portugal.
Inês de Castro, Head of People da Worten, explicou, em entrevista à RHmagazine: “Temos a comunidade dos Embaixadores da Diversidade e Inclusão, constituída por 55 colegas que são responsáveis por dinamizar iniciativas que sensibilizem a restante organização para um dos quatro vetores do nosso plano de diversidade e inclusão: Igualdade de Género, Proteção da Parentalidade, Inclusão de Pessoas com Diferença e Work-Life Balance.”
“Temos, também, os nossos COE (Centros de Excelência) que, no fundo, são comunidades de expertise. Por exemplo, há a comunidade de Data & Analytics, a comunidade Tech, a Comunidade Digitalismo, entre outras. Existe, ainda, uma comunidade externa, que são os nossos embaixadores de employer branding. Tratam-se de estudantes que colaboram connosco para alavancar o nosso employer branding junto às comunidades estudantis.”, continuou.
“Os nossos COE […], no fundo, são comunidades de expertise.”
Inês de Castro, Head of People da Worten
A Head of People da Worten salientou as vantagens: “O facto de serem pessoas interessadas no mesmo tema (ou temas) estimula a curiosidade intelectual e a satisfação pessoal de poder partilhar, aprender e colaborar em conjunto com pessoas que têm os mesmos interesses ou conhecimentos.”
“Ademais, pegando no exemplo dos embaixadores da D&I, na Direção People, a nossa capacidade é finita para dinamizar iniciativas e pensar no tema. Este grupo de 55 colaboradores está exclusivamente focado nele e com níveis de energia e vontade de fazer acontecer enormes. Porque há uma relação emocional com o tema, porque são voluntários, o que acelera o seu desenvolvimento e o envolvimento na organização. Igualmente, as comunidades aceleram a transmissão de conhecimento e promovem a autonomia.”, concluiu.
Por outro lado, Rita Távora, Country Talent Development Manager da IKEA, partilhou com a RHmagazine: “Com base na Cultura e nos Valores da IKEA, procuramos envolver os nossos colaboradores em projetos relevantes, tais como Diversidade e Inclusão, Sustentabilidade, Desenvolvimento Digital e Aprendizagem e Desenvolvimento.”
“Acreditamos que a diversidade de perfis e perspetivas enriquece o nosso trabalho, contribuindo para soluções mais inovadoras e eficazes. Além disso, ao envolver um maior número de pessoas desde a fase inicial, facilitamos a implementação das iniciativas, assegurando que todos se sintam parte do processo. Essa abordagem não só promove um ambiente colaborativo e sentimento de comunidade, mas também gera um impacto social positivo nas comunidades onde atuamos.”, rematou.
“Acreditamos que a diversidade de perfis e perspetivas enriquece o nosso trabalho”
Rita Távora, Country Talent Development Manager da IKEA