Decorreu esta segunda-feira a conferência ReImaginar Portugal organizada pelo Alumni Club do The Lisbon MBA, que reuniu um conjunto de decisores de várias áreas para debater a reconstrução económica e social do país.
Durante a conferência, foram discutidas diversas propostas e medidas para resolver os problemas estruturais e sustentar a recuperação económica, necessárias para aumentar a produtividade de Portugal e contribuir para ultrapassar a profunda crise que abalou os pilares fundamentais da sociedade devido à pandemia.
Participaram nesta conferência Carlos Moedas, antigo comissário europeu e atual Administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, o Professor António Costa e Silva, autor da Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030, Daniel Traça, Dean da Nova SBE, Filipe Santos, Dean da Católica-Lisbon, Cristina Campos, presidente do Alumni Club do The Lisbon MBA e presidente do Grupo Novartis Portugal e Maria José Amich, diretora executiva do The Lisbon MBA.
Cristina Campos, Presidente do Alumni Club, apresentou os contributos da comunidade académica e de antigos alunos do The Lisbon MBA de vários quadrantes da sociedade, com estratégias e ideias para a reconstrução do país, organizados no livro Reimaginar Portugal.
Entre as ideias chave para a recuperação dos setores, destacam-se a aposta na transição energética, na reestruturação do turismo, e na reindustrialização suportada pela inovação. A importância do talento e a requalificação e formação contínua dos recursos humanos para aumentar a produtividade, e uma economia do conhecimento, enquanto vantagem competitiva, fazem também parte das propostas. Também a aposta na capacitação digital total e inclusiva, na transformação digital das empresas e do Estado, com as telecomunicações como motor da digitalização e do futuro, têm um papel fundamental a desempenhar no futuro do país.
Carlos Moedas explicou a importância do MBA no contexto dos planos de Educação e do mundo em mudança, destacando o talento nacional e o reforço na requalificação do capital humano como vantagens competitivas. Salientando as três grandes tensões em que vivemos atualmente, designadamente entre o mundo físico e digital, nacional e supranacional e entre a liberdade e o controlo, destacou a importância de se repensar os processos para o salto da produtividade.
Visão também partilhada por António Costa e Silva que salientou além da reestruturação dos processos industriais e de trabalho, a necessidade de simplificar os procedimentos administrativos e aumentar a transparência e a prestação de contas, com a necessidade de aplicação consistente dos fundos europeus, de forma monitorizada e responsável. António Costa e Silva, afirmou ainda importância de combinar a reflexão estratégica com uma boa execução, atuando com agilidade, revisitando e adaptando os planos de ação sem perder o rumo e a visão de longo prazo.
Daniel Traça, Dean da Nova SBE, defendeu a necessidade de uma gestão a longo prazo e de um maior planeamento. Destaca ainda a importância das estruturas de governance independentes do Governo e dos constrangimentos dos círculos eleitorais, que possam definir e garantir a execução de um plano estratégico para Portugal, dando como exemplo o que já foi desenvolvido na Irlanda.
Por outro lado, Filipe Santos, Dean da Católica-Lisbon considerou que o futuro do país passa pela mobilização dos diferentes setores e stakeholders, sendo que a vantagem competitiva está na economia do conhecimento, para a qual há duas áreas chave a desenvolver: educação e transformação digital. A importância de visão consensualizada para Portugal, entre todos os intervenientes políticos e institucionais, foi também referida como forma de obter um elemento agregador e de validação para as estratégias e políticas de longo prazo.
O encerramento da conferência esteve a cargo de Maria José Amich, diretora executiva do The Lisbon MBA que referiu: “A resposta aos atuais desafios exige colaboração entre os diferentes stakeholders, do governo à sociedade civil. E a Academia, precisamente as escolas de negócio, têm um papel determinante no desenvolvimento de talento, na formação de gestores e líderes capazes de inspirar, mobilizar e gerir a transformação necessária das organizações, para tirar partido das oportunidades, e que resulte num impacto real, tangível e positivo”.
E, concluiu: “A verdade é que vivemos um momento único, a pandemia obrigou-nos a parar – e temos que ter a certeza de que estamos juntos para traçar o novo ciclo de desenvolvimento e crescimento para Portugal. A recuperação é a nossa oportunidade de repensar a economia e a sociedade que queremos para as futuras gerações, a estas devemos todo o nosso empenho”.
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