Este mês destaco uma competência que cada vez mais se posiciona como uma vantagem competitiva para todos nós: “aprender a aprender”.
Esta competência passa pela capacidade de desenvolvermos e gerirmos conscientemente o nosso processo de aprendizagem e visa que não percamos a nossa capacidade de aprender, mantendo uma mentalidade de aprendizagem contínua.
A sua grande vantagem é estarmos mais preparados para a adaptação a novas situações. Por tudo isto é uma competência que pode ser diferenciadora e nos permitir, não apenas sobreviver mas, ter sucesso nos dias de hoje.
Com um ritmo de mudança e transformação cada vez mais acelerado, todos nós temos que nos adaptar mais rapidamente a novas informações e tecnologias e ser também impulsionadores dessa mentalidade nas nossas pessoas.
Esta competência adquire mais relevância para líderes que não só precisam de tomar decisões informadas num ambiente de constante mudança, como devem incutir este “bichinho” da aprendizagem nas suas pessoas e criar condições para que tal aconteça.
Nunca esquecer o lema: “O que nos colocou onde estamos não é o suficiente para nos manter no mesmo lugar!!”
De acordo com o 28.º PwC Global People Survey* quase 40% dos CEO acreditam que a sua empresa não será viável além da próxima década se continuar no caminho atual sem se reinventar.
O desafio passa por conseguir imaginar como será o contexto em que a organização irá atuar no futuro, sendo crucial apostar em conhecimento especializado, na equipa executiva, como é também salientado nas conclusões.
Com tantas vantagens, quais são então os desafios à manutenção desta mentalidade de aprendizagem contínua?
Por um lado, a cultura organizacional em que estamos inseridos desempenha um papel fundamental na promoção ou inibição da aprendizagem contínua. Felizmente no contexto da PwC, em que somos conhecidos como “empresa-escola” a aprendizagem contínua faz parte do nosso ADN.
Também os gigantes da inovação, empresas como a Google ou a Amazon, investem continuamente numa cultura de aprendizagem e curiosidade, na senda de inovação, para prosperar neste ambiente de rápida evolução.
Organizações com um perfil mais rígido e pouca capacidade de aceitação do erro irão encontrar maiores desafios, pois o foco estará centrado numa ótica de continuidade, ou seja, continuar a fazer o que se faz, como se faz. E o nosso cérebro é como um músculo. Se o deixarmos na sua zona de conforto, sem serem tomados grandes riscos, vai perder a elasticidade necessária para gerar novas ideias e iniciativas.
Também a conhecida resistência à mudança, o medo de sair da zona de conforto, pode levar a que as pessoas se apeguem à sua forma de trabalhar e tenham maior dificuldade em desenvolver espírito crítico e continuamente procurar formas mais eficientes de trabalhar no dia a dia.
A sobrecarga de informação pode também ser um obstáculo, temos também que ter consciência que não podemos chegar a todo o lado ao mesmo tempo e que o tempo é um recurso precioso e escasso. Aqui diria que temos que ser organizados e definir aquilo que é prioritário em cada momento.
Falemos então de estratégias para “Aprender a aprender”:
• Curiosidade e espírito crítico: mantermos curiosidade com o que nos rodeia e a capacidade de questionar o que nos rodeia são ferramentas fundamentais para aprender;
• Aprendizagem ativa: aprender fazendo, potenciar a partilha de conhecimento entre as equipas, aprender uns com os outros;
• Adotar uma mentalidade de aprendizagem contínua: definindo, inclusivamente, metas e objetivos de aprendizagem e monitoriza-los;
• Leitura regular: leitura de livros, artigos e publicações relevantes para a área de atuação;
• Acompanhar podcasts ou vídeos: para quem não gosta ou não consegue encaixar a leitura no seu dia a dia, existem inúmeras outras formas de ter acesso a conhecimento através de podcasts que podemos ir ouvindo em deslocações, por exemplo, ou pesquisar vídeos sobre temas de interesse;
• Participar em cursos e workshops: participação em formações, conferências e eventos, presenciais e online;
• Networking e mentoria: construir redes de contacto e procurar mentores que possam partilhar as suas valiosas perspetivas. Agendar almoços com pessoas diferentes para ter diferentes conversas; Fazer muitas perguntas;
• Novos desafios e iniciativas: ficar atento a novos desafios e iniciativas em que possa participar dentro e fora da organização; fazer voluntariado;
• Reflexão e autoavaliação: muitas vezes esquecida, a prática regular de reflexão sobre o que foi aprendido e como isso pode ser aplicado pode ser extremamente útil.
Por fim, pode parecer muito ambicioso mas basta alguma disciplina para incluir estas componentes no nosso dia a dia. Por exemplo, quando tenho objetivos mais concretos que quero atingir e aprofundar conhecimento sobre determinado assunto, chego a bloquear a minha agenda semanalmente para o efeito.
Noutros temas, ou quando preciso de mais estrutura, procuro um curso de formação mais formal. Outra iniciativa que funciona muito bem na minha equipa é partilharmos uns com os outros cada vez que alguém se depara com um conteúdo interessante.
E por fim, já é raro haver um dia em que não consulte a inteligência artificial para me dar dicas sobre determinado tema.
Se acabou de ler esta crónica, parabéns! A leitura de publicações é uma forma de aprender! Qual o seu próximo momento de aprendizagem?
*https://www.pwc.pt/pt/temas-
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