Pedro Ramos
Diretor de recursos humanos do Grupo TAP Air Portugal
No outro dia, no final de uma entusiasta apresentação sobre o Futuro da Gestão de Pessoas que tive oportunidade de desenvolver na Coimbra Business School, após um período para perguntas da assistência, e quando foi anunciado que responderia a uma última questão… um participante sentado bem na última fila levanta o braço e coloca-me a seguinte pergunta:
“Se o futuro será em dez anos, se as competências no âmbito da Inteligência Artificial (IA) estão evoluindo para comportamentos mais humanos e amigáveis, olhando para o que estamos estudando e aprendendo atualmente nos mestrados e doutorados, o que impede que a profissão de Gestor de RH desapareça ou não seja nada disso que estamos a estudar?”
Bem… confesso que fiquei uns segundos pensativo e, após ter solicitado uma salva de palmas pela coragem da (excelente) pergunta, acabei por responder um sonoro e entusiasta:
“NADA! Nada impede que a função de gestor de pessoas morra num futuro próximo! É exatamente isso que eu acho! Se não nos transformarmos como gestores, não sobreviveremos…”
A questão foi-me colocada por Fábio Azevedo, um profissional de Gestão de Pessoas do Brasil que fez uma pausa “na sua vida” e está em Coimbra a fazer um mestrado com o objetivo de voltar à sua terra natal mais qualificado…
E isso fez-me realmente pensar que a ainda atual função de gestor de pessoas, nos moldes que tem sido enquadrado enquanto “guardião” das pessoas e dos vários processos de desenvolvimento pessoal e organizacional adequados aos vários ritmos de crescimento de cada empresa, já é definitivamente um ser com morte anunciada para breve!
Será que faz sentido continuarmos a falar, formar e qualificar gestores de pessoas que almejam ingressar nas empresas, arregaçando as mangas, e implementando processos de recrutamento, seleção, avaliação, formação e desenvolvimento, entre outros processos, quando os mesmos passam definitivamente a ser geridos através de ferramentas suportadas por Inteligência Artificial on demand?
Não fará de todo! A função de gestor de pessoas terá de se reinventar para não morrer! Terá de assumir um novo enquadramento organizacional ou então “arrumar as botas” com carácter definitivo.
Tenho para mim que, num futuro muito próximo, deixará de fazer sentido falar especificamente de “Gestão de Pessoas” e teremos de falar de forma mais abrangente de (apenas?) “Gestão”! Gerir, gerir e gerir… meios, processos, desafios e, sobretudo, PESSOAS…. será o novo enquadramento de quem (simplesmente) gere pessoas hoje nas nossas empresas!
E já que a “morte está anunciada” mais vale irmos, desde já, construindo os alicerces de uma NOVA VIDA!
É que nós – atuais gestores de pessoas – já tivemos várias vidas… Já fomos “de pessoal”, “de recursos humanos”, “de capital humano”, “gestores de talento”, “gestores de pessoas” e… sabe-se lá mais o quê! Se formos “como os gatos” ainda teremos mais umas vida para viver! Para isso teremos de nos ir preparando e reinventando, caso contrário, como diria o meu interlocutor em Coimbra, nada impede que possamos MORRER de vez!