Autora: Luísa Pestana Bastos, Advogada Associada do Departamento Laboral da SMFC
In a world of remote working, employees may stress instead how the employer communicates with them. Not so much “management by walking around” as management by phoning – or Zooming – around. Time to get dialing.
(The Economist, Bartleby, Managing by Zooming around, December 5th 2020)
No passado dia 15 de janeiro entrou em vigor um novo confinamento geral, que veio recuperar a obrigatoriedade da adoção do regime de teletrabalho, sempre que as funções sejam compatíveis, sem necessidade de acordo.
O teletrabalho obrigatório já não é propriamente inovador no contexto de pandemia que temos vivido. Se, em março de 2020, ainda havia várias empresas no tecido empresarial português que não estavam tecnologicamente preparadas para colocar a maior parte dos seus trabalhadores a prestar funções a partir das suas residências, hoje é inquestionável que as organizações dependem muito das TI. Muitas empresas viram-se forçadas, num curto espaço de tempo, a capacitar-se tecnologicamente, a atualizar e a procurar ferramentas tecnológicas eficientes que permitissem manter a sua atividade num cenário pandémico.
Para além desta transformação digital, tornou-se premente capacitar os trabalhadores para enfrentar os desafios que trabalhar a partir de casa, à distância e longe da presença física das equipas, das chefias e dos colegas de trabalho, coloca.
Um desses desafios para os empregadores recai precisamente no cumprimento, com sucesso, do dever a que os mesmos estão adstritos de evitar o isolamento dos teletrabalhadores, designadamente através da manutenção de contactos regulares com a empresa e com os demais trabalhadores (artigo 169.º, n.º 3 do Código do Trabalho).
Uma boa comunicação direta com os teletrabalhadores e a promoção de contactos com os demais colaboradores é essencial para manter as equipas produtivas e comprometidas, com o intuito de gerar um ambiente organizacional saudável e uma melhoraria generalizada da qualidade do trabalho e do “delivery” apresentado. Neste ponto, os gestores de equipa são uma chave essencial para tal sustentabilidade, que é gerada por trabalhadores satisfeitos e prontos a remar, todos, para o mesmo lado.
Há, pois, que colocar todas estas ferramentas digitais que têm sido utilizadas para cumprimento de imperativos legais, como o teletrabalho obrigatório, ao serviço do propósito de “diminuir” a distância entre os trabalhadores e as organizações, que deve ser, neste momento, tão-só, física. Mais do que nunca, requer-se das empresas flexibilidade e resiliência para lidar com os desafios que a Covid-19 edificou sobre todos. Esses desafios são também desafios humanos e relacionais. Desta forma, afigura-se urgente reunir sinergias e comunicar.
A palavra “comunicar” provém do étimo latino communicare, que significa “pôr ou ter em comum, repartir, dividir, reunir, misturar, falar, conversar” [1], pelo que, para além de um dever legal, a comunicação com os trabalhadores significa partilha.
Com vista à sustentabilidade das organizações e para uma organização eficiente e repartida do trabalho, a comunicação revela-se, neste adverso enquadramento que vivemos, uma das principais chaves-mestras na criação de valor empresarial.
Neste contexto, a definição e implementação de uma estratégia de comunicação, a promoção de team–building e de ações que convoquem a colaboração e cooperação das equipas entre si, ainda que à distância, a partilha com e entre os trabalhadores remotos de experiências, dúvidas e ideias, bem como a adaptação e clarificação de planos de trabalho, através do estabelecimento de contactos e de reuniões de trabalho frequentes com as equipas ou individualmente, com cada um dos trabalhadores para obtenção de feedback, serão metodologias cruciais (agora mais do que nunca) para a comunicação e fixação, com transparência e exatidão, dos objetivos e metas que cada equipa e cada trabalhador deve atingir.
Neste sentido, a aposta na formação tecnológica – não nos esqueçamos de que esta é a nova literacia – e a aposta na formação e numa comunicação interna contínua e profícuo dos gestores de equipas com os seus trabalhadores e teletrabalhadores tem impactos diretos, desde logo no seu desempenho e criação de valor, pelo que tais prioridades deixaram no contexto atual de ser meras boas-práticas, para passaram a ser verdadeiros imperativos na Gestão (estratégica) de Pessoas.
[1] “comunicar”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008 2020, https://dicionario.priberam.org/comunicar [consultado em 15-01-2021].
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