Autor: Sónia Saraiva, Human Performance
A saúde mental é o resultado de um estilo de vida e de uma abordagem holística da temática. Não somos só uma mente, assim como não somos só um corpo ou só emoções. Somos na verdade tudo isso numa mistura única com personalidade, identidade, necessidades e limites.
Dentro do panorama empresarial este tema tornou-se muito central durante e após a pandemia, pois todos nós sofremos durante o período de trabalho em casa em que o lado pessoal e de trabalho se juntou. O risco de vida e morte apareceu como tema no dia a dia e isso realmente revolucionou a forma como todos nós olhamos para a vida, pois quando o tema é saúde somos confrontados com a finitude desta.
Desde então é investido pela empresas capital em experiências, formações e coaching onde os colaboradores falam sobre o assunto, debatem, sentem o efeito imediato de várias ferramentas e têm a possibilidade de as implementar nas suas vidas.
No entanto, as estruturas empresarias têm um limite na sua responsabilidade perante indivíduo. Pois muito da saúde mental passa por cuidar da saúde do corpo, e essa só cada um pode fazer.
E aqui toco com o dedo numa ferida grande, que é a da auto responsabilidade pela mudança.
Poucos se querem responsabilizar por si, pelos cuidados que corpo mente e emoções precisam. É sempre mais fácil quando o sintoma aparece, mascará-lo com medicação, ou responsabilizar o que está fora de si e totalmente fora do seu controle.
Tive a oportunidade de dar formações sobre saúde mental através do corpo, e sempre vi que todos os que participam compreendem a lógica de dormir 7h a 8h por dia, alimentar-se com mais qualidade e fazer exercício, que é o tripé da saúde do corpo para começar, mas e depois da formação? Nem o formador e nem a empresa têm o dever nem o direito de interferir nas escolhas de cada colaborador.
Se o colaborador continua a escolher dormir mal ou pouco, não se alimentar corretamente, não movimentar o corpo, o stress vai chegar, e não é só porque há muito trabalho, mas porque o nosso corpo não aguenta a falta de nutrição, de hidratação, de descanso e de movimento.
Mesmo tendo de estar sentado 8 horas a fio no trabalho, você pode se levantar de hora a hora e alongar-se durante 1 minuto. Mesmo tendo uma carga de trabalho superior ao que gostaria você pode decidir parar com os écrans pelas 20h e dormir às 22h ao invés de 0h00 porque vê TV e adormece no sofá….é o pior que podemos fazer pelo nosso descanso e recuperação nervosa, no entanto é o que todos fazem.
Embora pareça duro o que estou a escrever hoje, creio chamar-lhe a atenção para algo muito importante: Não é só a empresa que pode mudar o seu dia a dia no trabalho e ajudar a reduzir o seu stress, você tem um papel ativo nisso e há muita coisa que pode fazer por si.
Pergunte-se e reflita: O que posso fazer de diferente no meu dia a dia para dar ao meu corpo o que ele precisa, mesmo com todas as responsabilidades que tenho?
Lembre-se o tripé é: Alimentação, Sono e Movimento.
Comece com pequenas mudanças em que não precisa de pensar muito. Por exemplo, dormir um pouco mais, colocar a boa nutrição à noite acima dos jantares exagerados que interferem em muito no seu descanso.
É um trabalho de disciplina consigo mesmo, mas nos dias de hoje com o estilo de vida atual, ou começamos ou adoecemos, é só uma questão de tempo. O nosso corpo é o resultado de como você o trata. Não o abandone, ele é o único património que temos e que nos acompanhará até ao último sopro de vida. É ele que materializa as suas ideias e os seus sonhos e merece todo o nosso cuidado diário.