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escalada do conflito no Médio Oriente está a abalar os mercados energéticos globais e a projetar incerteza sobre a economia europeia. Ainda assim, o mercado de trabalho da Zona Euro deverá resistir sem entrar numa espiral de despedimentos em massa, pelo menos se o choque se mantiver temporário. A conclusão é da Oxford Economics, numa análise publicada recentemente e assinada por Leo Barincou, economista sénior da instituição.
“Em vez de um declínio absoluto no emprego total, prevemos que as novas contratações abrandem até quase estagnarem, agravando as tendências existentes no mercado de trabalho”, afirma o economista, acrescentando que “os dados mais recentes sugerem que o mercado de trabalho se encontrava numa situação de ‘baixa contratação e baixa demissão’ no final de 2025, com as taxas de transição tanto para o desemprego como para fora dele nos níveis mais baixos de sempre”.
Fatura chega aos salários
A lógica é semelhante à observada durante a crise energética de 2022-2023. Perante um novo choque de oferta, as empresas tenderão a ajustar primeiro através dos preços e não dos quadros. O resultado, antecipa a Oxford Economics, será uma nova compressão dos salários reais. Leo Barincou sublinha que “os rendimentos reais e as horas de trabalho serão as principais variáveis de ajustamento”.
Num cenário base, o emprego na Zona Euro deverá, assim, revelar-se relativamente resistente ao impacto do conflito no Golfo Pérsico. A natureza temporária do choque, aliada à rigidez estrutural do mercado laboral europeu, reduz a probabilidade de despedimentos difíceis de reverter. Em vez disso, as empresas deverão congelar contratações e reduzir vagas antes de avançarem para cortes nos quadros. “A procura diminuiu de forma mais acentuada do que o emprego em todos os setores”, pode ler-se.
Mecanismos de proteção como o Kurzarbeit alemão continuam amplamente em vigor e funcionam como amortecedores adicionais. Mas essa estabilidade tem um custo. A transferência dos custos para os preços, mais rápida do que a atualização salarial, volta a colocar pressão sobre os rendimentos.
Num cenário adverso, nomeadamente se o bloqueio do Estreito de Ormuz se prolongar por seis meses, o cenário altera-se. A Oxford Economics admite uma contração do emprego e uma subida da taxa de desemprego para um pico próximo dos 7%. Ainda assim, na sexta-feira, Irão e Estados Unidos levantaram os respetivos bloqueios à navegação comercial naquela rota estratégica, embora o tráfego permaneça condicionado face aos níveis anteriores ao início do conflito.
No cenário central da instituição, o desemprego deverá manter-se nos 6,2% este ano, ligeiramente acima do mínimo histórico de 6,3% registado no início do ano. O impacto mais visível surgirá no ritmo de criação de emprego, que deverá desacelerar para menos de 0,1% por trimestre, o crescimento mais lento desde 2013.
Economia a diferentes velocidades
Setores como restauração, alojamento, cultura e retalho surgem como os mais vulneráveis, em parte devido à elevada proporção de trabalhadores temporários, que facilita o ajustamento. Ainda assim, “o setor automóvel destaca-se pelos seus desafios estruturais pré-existentes e pela exposição a preços mais elevados do petróleo”.
A procura por bens duradouros de elevado valor, como automóveis, deverá ser particularmente afetada. O setor já vinha acumulando fragilidades antes do conflito, pressionado pela concorrência chinesa e por intenções de contratação em terreno negativo.
Mesmo que o choque energético se dissipe rapidamente, o horizonte não aponta para uma recuperação robusta do emprego. O desgaste das margens de lucro das empresas – em mínimos históricos, excluindo o período da pandemia – deverá levar as organizações a privilegiar ganhos de produtividade e o aumento das horas de trabalho em detrimento de novas contratações.
A tecnologia surge como outro fator de contenção. A inteligência artificial, a par do envelhecimento demográfico, reforça a tendência estrutural de menor dinamismo no mercado laboral. “Mesmo antes do conflito, a recuperação da atividade não se traduziu em melhores perspetivas de emprego”, alerta a análise de Leo Barincou.
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