No último trimestre de 2025, a população ativa feminina atingiu um máximo histórico de 2,8 milhões de mulheres, mais 2,6% do que no ano anterior. As mulheres representam hoje 49,5% da força de trabalho. Ainda assim, continuam a ganhar, em média, menos 15,4% do que os homens e enfrentam uma taxa de desemprego superior (6,5% contra 6% no masculino).
O cenário é traçado pela Claire Joster People first, empresa do grupo Eurofirms People first especializada em executive search, com uma análise aos indicadores mais recentes do mercado laboral português, a propósito do Dia Internacional da Mulher, que se assinala a 8 de março. Os dados mostram avanços claros na participação feminina, mas revelam que o equilíbrio quantitativo não se traduz, ainda, em igualdade estrutural.
O retrato do emprego feminino começa, lentamente, a alterar-se. As atividades de saúde humana e apoio social continuam a concentrar a maior fatia de emprego entre mulheres (16,7% do total de mulheres empregadas), mas há sinais de rutura com a segmentação tradicional.
No setor da construção, a presença feminina aumentou 22,2%, enquanto nas atividades imobiliárias, o crescimento foi de 16,9%. A entrada em áreas historicamente masculinas sugere uma transformação progressiva na ocupação de funções e na perceção social do papel das mulheres no mercado de trabalho.
Um país a várias velocidades
O crescimento da população ativa feminina não é uniforme. A Região Autónoma da Madeira e o Centro lideram a subida, com aumentos de 5,3% e 5,9%, respetivamente, no último trimestre de 2025. O Algarve (3,9%) e a Grande Lisboa (3,2%) mantêm uma trajetória consistente de crescimento. Já o Alentejo apresenta uma evolução mais contida (1%) e o Norte regista um aumento de 0,8%.
Apesar das diferenças regionais, os dados do Instituto Nacional de Estatística, mencionados pela Claire Joster People first, indicam que Portugal caminha para uma representação paritária em quase todo o território. Na Grande Lisboa, na Península de Setúbal e no Algarve, as mulheres já representam metade ou mais da população ativa.
Fosso salarial
A remuneração permanece como o principal marcador de desigualdade. Em média, as mulheres ganham menos 15,4% do que os homens.
A diferença agrava-se em determinadas funções. Nos postos de operação de instalações e máquinas, as mulheres auferem menos 25%. Entre técnicos e profissões de nível intermédio, a diferença salarial é de 22,3%. Nos cargos de direção e gestão, atinge 18,7%.
Para Sílvia Coelho, National Leader da Claire Joster em Portugal, “os números recorde de participação feminina são positivos, mas o fosso salarial e a menor presença em cargos de gestão a nível nacional mostram que o progresso é lento”. Sublinha ainda que “competência não tem género e que a equidade é um pilar fundamental para o sucesso e sustentabilidade de qualquer organização”.
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