O pós-pandemia trouxe um interesse conjunto por parte de trabalhadores e empregadores em remodelar o trabalho e a forma como se trabalha nas empresas. Um interesse que cresce cada vez mais, como explica a consultora WTW.
De acordo com o inquérito “Dinâmica do Trabalho” da WTW, o número de empresas na Europa Ocidental que automatizaram parte do seu trabalho deverá aumentar para 80% em três anos, contra os 76% este ano e os 59% há três anos.

Além disso, essas organizações esperam que mais de um terço (37%) do seu trabalho seja automatizado dentro de três anos, mais do dobro (17%) do que há três anos. Os inquiridos também disseram que esperam que mais de metade dos seus colaboradores (63%) trabalhe totalmente à distância ou de forma híbrida dentro de três anos, em comparação com 16% antes da pandemia.
“À medida que os empregadores emergem da pandemia, a necessidade de repensar como e onde o trabalho é feito está no ponto mais alto de sempre“, afirmou Sandra Bento, Associate Director da WTW Portugal. “Esta transformação, incluindo a mudança para o trabalho remoto, conduziu a um aumento dos riscos pessoais, empresariais e operacionais. Infelizmente, muitos empregadores veem grandes riscos e oportunidades pela frente, mas poucos estão preparados”.
De facto, apenas 41% dos inquiridos afirmam ter gerido eficazmente os riscos associados à dinâmica do trabalho – alteração das condições de trabalho, digitalização e fontes alternativas de talento – nos últimos três anos.
Medidas tomadas pelos empregadores para enfrentar estes riscos
Os empregadores estão atualmente a tomar ou a planear tomar medidas para enfrentar estes riscos. Estas incluem:
- Digitalização: Mais de um terço dos inquiridos da Europa Ocidental (36%) espera e está preparado para uma maior utilização da digitalização e da automatização. Isto compara-se com um terço dos inquiridos (33%) a nível mundial. Entre os inquiridos a nível mundial, 39% estão a reformular os empregos ou as funções para redistribuir o trabalho entre colaboradores, não colaboradores e novas tecnologias; outros 19% planeiam fazê-lo este ano.
- Condições de trabalho: 44% dos inquiridos da Europa Ocidental esperam e estão preparados para uma maior utilização da mudança das condições de trabalho. A nível mundial, a mesma percentagem (44%) espera e está preparada. Entre estes, 37% realizaram atividades de auscultação dos colaboradores para identificar alterações nas preferências destes ou medir o impacto da alteração das condições de trabalho. Outros 36% estão a redesenhar a experiência dos colaboradores para promover a mudança para a nova cultura de trabalho.
- Fontes alternativas de talento: Mais de um quinto dos inquiridos da Europa Ocidental (22%) espera e está preparado para uma maior utilização de fontes alternativas de talento. Dois em cada 10 inquiridos a nível mundial (21%) esperam e estão preparados. Entre estes, 39% estão a redesenhar a experiência dos colaboradores para se alinharem com os novos modelos de trabalho e de carreira; outros 15% estão a planear reforçar a comunicação externa sobre as mudanças a potenciais colaboradores este ano.
“A dinâmica do trabalho continuará a evoluir durante muitos anos. É necessário criar vantagem competitiva sustentável que exigirá estratégias sólidas para libertar o potencial destas mudanças e uma gestão cuidadosa das pessoas e dos riscos operacionais. Os planos com resultados efetivos começarão por colocar o talento, o “Employee Experience”, no centro das mudanças no trabalho, compreendendo as preferências e as perceções dos colaboradores, alinhando o trabalho e os programas de recompensas totais e reforçando os quadros de gestão do risco“, afirmou Sandra Bento.