A intenção de contratação das empresas portuguesas irá manter-se em 2019, mas com uma ligeira redução de 5% no número de organizações que pretendem reforçar as suas equipas face a este ano. As conclusões são do estudo da Mercer, divulgado esta terça-feira.
Em 2019, haverá menos empresas a recrutar profissionais e a reforçar as suas equipas. Segundo o estudo Total Compensation Portugal 2018, acerca de tendências de compensação e benefícios, desenvolvido pela Mercer | Jason Associates, 48% das empresas em Portugal irão contratar colaboradores no próximo ano – percentagem que representa uma redução de 5% comparativamente com 2018, ano em que 53% das organizações reforçaram as suas estruturas.
Nos últimos dois anos, manteve-se a tendência de intenção de contratação das empresas. A percentagem aumentou de 41% em 2017, para 53% em 2018. Para 2019, o relatório da consultora estima que o número de profissionais se mantenha em metade das organizações. Apenas 2% preveem reduções de colaboradores.
Incrementos salariais
Com a recuperação da economia portuguesa, a diminuição da taxa de desemprego, que em junho se situou nos 6,8%, registando o valor mais baixo desde setembro de 2002, segundo o Instituto Nacional de Estatística, e a criação de emprego, há aumentos nos salários. De acordo com o Total Compensation, os incrementos salariais têm variado entre 1,37% e 3,11%, em função dos níveis de responsabilidade. Os quadros superiores apresentam incrementos salariais de cerca de 3%, as funções de direção-geral ou administração registam incrementos de 1,37%, as chefias intermédias de 2,06%, os comerciais de 2,24%, os administrativos apresentam aumentos salariais de 1,83% e os operários de 2,47%. Para o próximo ano, as expectativas de aumento salarial localizam-se entre os 2% e os 3%, para a maioria das famílias funcionais.
Os aumentos salariais resultam de um conjunto de fatores que, de acordo com a Mercer, “influenciam diretamente o valor disponibilizado para esse fim”. Os resultados individuais do colaborador (86%) e o posicionamento na grelha salarial (68%) são os fatores que mais impactam os aumentos salariais. No período de revisões salariais, que ocorre uma vez por ano na maioria das empresas (85%), são consideradas, ainda, as diretrizes da casa-mãe, a equidade interna, o orçamento aprovado e Acordos Coletivos de Trabalho. A antiguidade e o nível funcional são os fatores que menos influenciam a atribuição do incremento salarial.
Em 2019, haverá menos empresas a congelar salários nos grupos funcionais referidos, conforme aponta o relatório da consultora. Entre os recém-licenciados, alvo de uma crescente procura no mercado de trabalho, em determinadas áreas, o salário-base anual, em início de carreira, deverá fixar-se, no próximo ano, entre os 14 mil euros e os 18.725.
Benefícios atribuídos
De acordo com o Total Compensation, o benefício flexível mais concedido pelas empresas aos seus colaboradores é o seguro de saúde (94%), frequentemente extensível aos familiares (64%). Na maioria das organizações, o custo para o colaborador é totalmente suportado pela empresa (71%). Segue-se a concessão de viatura (91%), atribuída, maioritariamente, para uso profissional e pessoal. O automóvel é renovado depois de quatro anos, válidos para todas as famílias funcionais, ou de 120 mil quilómetros percorridos.
O seguro de vida é concedido por 72% das empresas e o seguro de acidentes pessoais por 53%. Há, ainda, 43% de organizações que atribuem aos seus colaboradores um plano de pensões e 47%, mais 17 pontos percentuais face a 2017, que facultaram empréstimos ou adiantamentos aos empregados.
Cerca de 56% das empresas concede dias de férias extras aos seus colaboradores, percentagem que representa um aumento de 3% em relação a 2017. Os benefícios atribuídos pelas empresas estendem-se, também, às despesas com a educação. Segundo o estudo da Mercer, 34% das organizações asseguram os custos com a educação dos filhos dos colaboradores, em média em cerca de 68% do custo total, 31% atribuem subsídio escolar e aproximadamente 12% concedem subsídios para a creche.