A transformação que a inteligência artificial (IA) promete trazer para a economia portuguesa é tema de debate e estudo. Recentemente, Duarte Begonha, sócio da McKinsey &Company, apresentou um estudo “Future of Work: Automação com GenAI: Oportunidade única para melhorar a produtividade em Portugal”, elaborado pelo McKinsey Global Institute (MGI), em colaboração com a Nova School of Business and Economics (SBE) no qual destaca o impacto da IA e automação na economia nacional, ressaltando a urgência de Portugal adotar essas tecnologias para impulsionar a produtividade e acompanhar a evolução global.
O Potencial da IA na Economia
Duarte Begonha da McKinsey & Company defende que Portugal, ao adotar rapidamente a IA, pode reduzir o fosso de produtividade com outros países europeus. O estudo indica que uma implementação acelerada permitirá ganhos significativos de competitividade, num mercado onde o país, historicamente, tem enfrentado desafios neste indicador. Embora a tecnologia já esteja acessível e madura, o diferencial está na velocidade de adoção: somente com uma transição célere, Portugal evitará ficar para trás.
Velocidade da Adoção
- Identificação da Diferença: A principal diferença está na velocidade de adoção das tecnologias de inteligência artificial (IA).
- Disponibilidade da Tecnologia: A tecnologia estará disponível para diferentes atores a nível nacional, incluindo setor público e privado.
- Integração nos Processos: A adoção envolve a integração de algoritmos, modelos e soluções de IA nos processos e sistemas diários das empresas.
- Formação: É necessário formar os funcionários para usar essas ferramentas de forma eficaz. A formação é crucial para superar a resistência à mudança.
- Alteração de Mentalidades: Trabalhar sobre as mentalidades é essencial, pois sempre haverá resistência à adoção de novas tecnologias
Barreiras e Resistências à Mudança
Segundo Duarte Begonha, uma das maiores barreiras não é tecnológica, mas sim humana e cultural. A resistência à mudança e a falta de formação são desafios centrais. Para garantir a adoção eficaz da IA, as empresas terão de investir em formação e adaptação de processos, e o Estado deve liderar a criação de políticas que facilitem a implementação e adaptação da IA nos setores público e privado. Todos os níveis organizacionais precisam de compreender e aceitar o valor das novas tecnologias, o que envolve um esforço de ajuste de mentalidades e requalificação dos colaboradores.
Setores e Profissões em Transição
A IA terá um impacto democrático e amplo, afetando diversos setores como indústria, logística, telecomunicações e finanças. A automação promete otimizar tarefas repetitivas, aumentar a precisão e reduzir erros, enquanto as profissões com maior exigência criativa e humana serão menos afetadas. Estes profissionais, ao manter um papel essencial, representarão um elemento crítico para o futuro da economia digital em Portugal. O relatório aponta que cerca de 30% do mercado de trabalho será impactado com adoção rápida das tecnologias referidas, exigindo novas capacidades tecnológicas e sociais equivalentes a novas tarefas, e que mais ou menos 320 mil pessoas deverão ser realocadas, sobretudo as que estão em tarefas mais previsíveis, repetitivas e com exposição direta a cliente (atendimento a cliente e apoio administrativo).
Adaptação às Novas Tecnologias
- Resistência à Mudança: Nem todas as pessoas nas organizações aceitam ou se adaptam facilmente às novas tecnologias.
- Natureza das Funções: A resistência pode estar relacionada à função específica que a pessoa desempenha e ao medo de perder o emprego.
- Necessidade de Trabalhar Diferente: O maior impacto da IA será a necessidade de trabalhar de forma diferente, não necessariamente a substituição de postos de trabalho.
- Treinamento e Capacitação: Com o treinamento adequado, as pessoas podem superar a resistência e aprender a usar as novas ferramentas.
Formação e Requalificação: Um Pilar Essencial
O estudo da McKinsey alerta que para que “cerca de 1,3 milhão de portugueses precisarão de formação adicional até 2030” para se adaptar à nova economia digital. A requalificação é central para garantir que os trabalhadores não apenas mantenham o emprego, mas prosperem na economia digital. Aqui, é preciso que tanto o Estado quanto as empresas se unam, promovendo uma formação continúa que integre competências digitais e de IA, visando uma força de trabalho preparada para os desafios futuros.
Setores Impactados: Sistemas de informação, área financeira, telecomunicações e áreas científicas terão grandes ganhos de produtividade com a IA.
Automação na Indústria e Logística: A robotização permitirá ganhos de produtividade enormes, com menos erros e melhor qualidade de serviço.
O Papel do Estado na Adoção da IA
Duarte Begonha reforça que o Estado português, em alinhamento com a União Europeia, deve atuar como um agente da mudança. O estabelecimento de regulamentos claros sobre o uso da IA é essencial para garantir segurança e conformidade, e, ao mesmo tempo, promover a confiança necessária à adoção das tecnologias. O setor público, ao adotar a IA nas suas próprias operações, pode, ainda, servir como um exemplo para o setor privado e fomentar uma mentalidade de inovação.
Papel do Estado
- Agente da Mudança: O setor público deve adotar tecnologias e requalificar a função pública.
- Quadro Regulatório e Legal: É necessário criar um quadro regulatório para o uso consciente da IA.
- Educação e Formação Profissional: O Estado tem um papel relevante na promoção da educação e formação profissional adequada.
Papel das Empresas
- Investimento Necessário: As empresas precisam investir na adoção de tecnologias para não perder competitividade.
- Impacto Positivo: A adoção de tecnologias pode ter um impacto positivo, permitindo trabalhar de forma mais produtiva e obter ganhos além da manutenção da posição no mercado.
Conclusão: Uma Perspetiva Otimista
Apesar das incertezas, Duarte Begonha acredita que Portugal está bem posicionado para se beneficiar da IA, desde que a adoção seja rápida e estratégica. O impacto global da IA é inevitável, mas, com um compromisso sério em formação, adaptação cultural e políticas regulatórias adequadas, o país poderá transformar essa revolução tecnológica numa oportunidade de crescimento e evolução.
Portugal tem, portanto, uma janela de oportunidade que não pode desperdiçar. A chave está em agir agora, com determinação e visão, para garantir que a IA contribua para uma economia mais produtiva, inovadora e competitiva.