Daniela Pinheiro
Gestora de RH
Recentemente ouvi dizer por aí que “os Gestores de Recursos Humanos já faleceram todos e ainda ninguém os avisou”. No último grande evento Internacional de Liderança no passado mês de junho, com a presença de grandes nomes e de grandes intervenções, os Gestores de Recursos Humanos presentes sofreram um choque ao ouvir tal despautério.
Mas será mesmo assim? Será este um presságio credível? Já um facto que quase ninguém constatou? Ou trata-se simplesmente de um chavão “bonito” para introduzir as mudanças de paradigma e o papel dos RH na indústria 4.0?
Certo é que as nomenclaturas para os velhos Departamentos de Recursos Humanos ou pior ainda, Secções de Pessoal, estão mais bafientos que o Prédio Coutinho. Hoje já ouvimos falar de organizações com um Chief Happiness Officer, ouvimos termos como Big Data, Business Intelligence ou Machine Learning e até de Metodologias Agile e SCRUM aplicadas aos Recursos Humanos. Sabemos que num futuro muito próximo ou os Gestores de Recursos Humanos lideram projetos e equipas reunindo competências transversais de Gestão e de Coaching ou alguém o fará por eles. Se esperam manter o velho processamento salarial e as tarefas anexas como principal foco da sua atividade desenganem-se. É só o tempo das suas organizações perceberem o retorno de um Software de Gestão RH, que a gestão diária administrativa de um departamento de RH deixa de ter ciência, bem como necessidade de tanto tempo e pessoal investido no mesmo.
Será que, tal como a morte do personagem do livro de Gabriel García Márquez, a “morte” dos nossos GRH poderia ser evitada, caso fosse levada a sério a ameaça? Sei que ainda há muitas empresas tradicionais em que todos estes “palavrões” ainda nada ou pouco significam e que ainda demorará a chegar lá o tsunami da mudança, mas para esta tão digna e maravilhosa profissão, eu só desejo o melhor, bem como o crescendo da sua importância nas organizações, não que esta fique reduzida a uma pequena franja de organizações fora do seu tempo. Para isto deixo o meu repto, invistam nas vossas competências, estejam abertos às possibilidades e não ignorem as evidências (e presságios) que já estão bem à vista de quem quiser ver.