Quanto mais a tecnologia avança, menos claras parecem as regras do trabalho. É neste território instável, onde a inteligência artificial (IA) acelera e as certezas diminuem, que a HR Week Lisbon 2026 se realiza, a 28 e 29 de abril, no Centro de Congressos de Lisboa. O Instituto de Informação em Recursos Humanos (IIRH) estará presente com um stand, convidando os profissionais a prolongar a discussão para lá das sessões.
Em vez de oferecer respostas prontas ou modelos replicáveis, a conferência propõe tensão entre o que se sabe e o que se assume, entre o julgamento humano e a inteligência das máquinas, e entre o que os recursos humanos (RH) foram e o que poderão deixar de ser.
À medida que a IA se torna mais sofisticada, também se torna mais convincente. As respostas surgem completas, coerentes e muitas vezes com uma autoridade difícil de questionar. O problema é que tudo isso pode esconder enviesamento e limites técnicos. Neste contexto, a pressa em decidir pode tornar-se um risco. Assim sendo, a competência crítica já não é decidir mais rápido, mas saber duvidar melhor.
Em “The AI Paradox: Smarter Systems, Uncertain Humans”, David Timis (AI & Future of Work Throught Leader and Speaker, AI Governance Fellow, Global Communications & Public Affairs Manager at Generation) explora a crescente assimetria entre a confiança das máquinas e a hesitação humana. Já Oana Iordachescu (DEI Strategist, Founder of Fair Cultures, ex-Facebook, Booking.com and Crieto, Curator of the Fair – Workplace Inclusion Conference) questiona a ideia de que liderar implica ter respostas, defendendo modelos capazes de operar em ambiguidade.
A mesma linha é aprofundada por Stefaan Van Hooydonk (Founder of the Global Curiosity Instituet Bestselling Author of The Workplacce Curiosity Manifesto and Curiosity: The Secret Ingredient for Professional and Personal Sucesso, Global Speaker on Workplace Curiosity), que propõe uma redefinição da curiosidade não como traço de personalidade, mas como disciplina. Num mundo onde as respostas são automáticas, o valor passa a estar em quem faz as perguntas certas. Para os RH, o impacto é menos foco no alinhamento em torno de respostas, mais capacidade de desenhar organizações que funcionam mesmo quando a incerteza não desaparece.
O desempenho já não se gere, desenha-se
Hoje, o desempenho depende cada vez menos de indivíduos “bem geridos” e cada vez mais dos sistemas em que operam da forma como a informação circula, das decisões que são incentivadas, da carga cognitiva que é imposta. É aqui que a HR Week Lisbon desloca o debate.
Em “Re-imagine HR: From Performance to True Impact”, Terence Mauri (HR provocateur and future leadership expert, founder of HACK FUTURE LAB, entrepreneurship member at MIT and IE Business School) desafia os profissionais de RH a sair da lógica de execução e a assumir um papel ativo na construção do futuro organizacional. Amy Brann (Neuroscience Expert, Author and Advisor to Global Brands, Specialist in Applying Brain Science to Leadership and Performance) leva a discussão mais longe ao colocar uma pergunta incómoda: quem está, afinal, a desenhar o desempenho: as pessoas ou os sistemas?
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A proposta ganha forma em sessões como “Delete the Roles. Deploy the Skills”, de Alessandro Rimassa (CEO of Future of Work Group and Founder of RADICAL HR, Investor in HRTech and EdTech, Author of Le 5 lenti dell’HR), que aponta para modelos organizacionais menos rígidos, mais dinâmicos, centrados em competências e não em funções fixas.
Se o trabalho está a ser transformado pela tecnologia, pela psicologia, cultura e economia, então pensar o trabalho apenas a partir dos RH é, no mínimo, insuficiente. A HR Week Lisbon assume essa limitação e responde-lhe com uma abordagem deliberadamente interdisciplinar.
Jitske Kramer (Corporate anthropologist who travels all over the world to learn from traditional healers, leaders, surprising innovator and random passers-by) traz a lente da antropologia para interpretar cultura e comportamento coletivo. Magnus Lindkvist (Leading Swedish futurist, author of “Minifesto” and “Creative Friction”) desafia a dependência da clareza antes da ação. Carlos Pinto (Member of Parliament, Former Executive Director of Instituto Mais Liberdade, Strategy Manangement Consultant) reinterpreta o burnout não como falha individual, mas como desajuste sistémico.
Já Manjuri Sinha (VP de RH e Head of GTM Org Sucess & People Partners na Miro, oradora internacional, ex-People Leader na Accenture, Zalando e OLX) introduz uma dimensão crítica ao debate, abordando poder, enviesamento e responsabilidade em sistemas potenciados por inteligência artificial.
O difícil começa quando a conferência termina
Apesar da densidade das discussões, a HR Week Lisbon não se apresenta como um espaço de respostas fechadas. Pelo contrário, posiciona-se como um ponto de partida. Porque perceber tendências já não chega, o verdadeiro teste está na capacidade de agir quando não há garantias, questionando o que sempre foi assumido, redesenhando estruturas e tomando decisões com informação incompleta.
Num mundo em que as máquinas são cada vez mais eficazes a dar respostas, a vantagem pode estar cada vez mais em quem não tem medo de fazer perguntas difíceis.
Entre a reflexão e o lado prático: há um stand onde vale a pena parar
Recorde-se que o IIRH estará presente com um stand ao longo do evento. Quem passar pelo espaço pode habilitar-se ao sorteio de uma entrada para o Fórum RH 2026, que decorre já a 5 de maio, no Estádio do Sport Lisboa e Benfica.
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