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gestão de pessoas está a entrar num novo ciclo de exigência. Pressões tecnológicas, demográficas e regulatórias estão a alterar, em simultâneo, a forma como as organizações estruturam o trabalho, tomam decisões e cuidam das suas pessoas. É esta a principal conclusão do artigo 2026 Human Capital Outlook, da Aon, que identifica cinco forças que já estão a moldar as prioridades da função de recursos humanos (RH) e a expor fragilidades nos modelos atuais.
Ei-las:
1- Inteligência artificial e a redefinição do trabalho
O artigo destaca que a IA está a acelerar a revisão de funções, exigindo que as organizações deixem de pensar em “cargos” estáticos para passar a modelos baseados em competências e tarefas. Neste contexto, os líderes de RH têm um papel central na adopção da tecnologia, não apenas como facilitadores de inovação, mas como “guardiões” de processos transparentes e com supervisão humana.
Entre os benefícios, salienta-se a capacidade de tornar as equipas mais ágeis, expandir pipelines de talento e reduzir custos a longo prazo através da formação interna e da adaptação dos recursos às necessidades de negócio.
2- Custos de saúde sob pressão
O segundo eixo de transformação prende-se com os custos crescentes dos cuidados de saúde, que estão a consumir uma parte significativa dos orçamentos de “total rewards” (remuneração, benefícios e incentivos). O artigo refere que:
- Uma pequena percentagem de beneficiários (cerca de 1%) é responsável por aproximadamente 40% dos custos totais de saúde nas organizações;
- Os orçamentos de “total rewards” poderão aumentar cerca de 22% nos próximos quatro anos, com os custos de saúde a representar cerca de um terço desse crescimento.
O uso de análises preditivas e de dados integrados de sinistros, ausências e saúde é recomendado como forma de antecipar riscos e orientar intervenções precoces, reduzindo despesas e protegendo o bem-estar dos colaboradores.
3- Decisões baseadas em dados
A capacidade de tomar decisões com base em dados integrados é apontada como uma vantagem competitiva. A Aon afirma que a fusão de informações sobre compensação, benefícios, saúde e desempenho permite:
- Identificar padrões que isoladamente passariam despercebidos, como o facto de 60% dos trabalhadores com pedidos de compensação por acidentes também apresentarem condições crónicas de saúde;
- Antecipar custos futuros, melhorar a planeamento e desenhar programas de apoio mais eficazes.
4- Transparência salarial
A transparência salarial deixou de ser uma opção para se tornar uma exigência. Segundo a Aon, quase 47% dos trabalhadores indicam que um salário acima da média e benefícios significativos são o principal fator na escolha de um empregador.
A Diretiva Europeia da Transparência Salarial deverá ser transposta pelos Estados-membros até 7 de junho de 2026. Exige que as empresas publiquem critérios objetivos de remuneração, reduzindo lacunas injustificadas e promovendo maior equidade entre géneros e grupos profissionais.
5- Longevidade e equipas multigeracionais
O artigo da Aon indica que, nas próximas décadas, a proporção de pessoas com 65 anos ou mais deverá praticamente duplicar, criando desafios tanto para sistemas públicos como para políticas empresariais.
Desta evolução decorrem várias implicações:
- As carreiras lineares tornam-se menos frequentes, elevando a importância de modelos de aprendizagem ao longo da vida;
- Equipas multigeracionais exigem novos modos de liderança, desenvolvimento e sucessão.
As organizações são incentivadas a rever benefícios de aposentação e a promover transições mais graduais, integrando a longevidade nas suas estratégias de retenção e liderança futura.
Pela voz de Marinus van Driel, líder global de Human Capital Advisory da Aon, a análise deixa claro que esta transformação não é apenas tecnológica, mas profundamente humana. Num contexto em que a IA pode tornar algumas funções obsoletas, reforça que a confiança será determinante: “Os colaboradores precisam de confiança de que, se estiverem a usar tecnologia que possa torná-los obsoletos nas suas funções atuais, serão recompensados por terem outra função para a qual possam transitar”.
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