O Fórum Económico Mundial, realizado todos os anos em Davos, pegou no tema da Inteligência Artificial e tornou-o um dos temas centrais deste ano, ao lado de assuntos como a geopolítica e os desastres climáticos.
Os 2800 participantes de 120 países e três centenas de figuras públicas de todo o mundo reuniram-se também para discutir temas relacionados com o impacto da Inteligência Artificial no mercado de trabalho: como, por exemplo, qual será o impacto previsto da IA no mercado de trabalho e na criação de novos postos de trabalho; em que medida a utilização desta ferramenta vai condicionar a requalificação profissional; e como a utilização de ferramentas como estas pode agravar as desigualdades salariais, prejudicando a classe média.
40% dos empregos mundiais vão ser afetados pela IA, especialmente nas economias avançadas
Segundo a diretora-geral do Fundo Económico Mundial (FMI), o desenvolvimento da IA terá consequências para 40% dos empregos em todo o mundo, sobretudo nas economias avançadas.
“No mundo, 40% dos empregos serão afetados. E mais será o caso quanto mais qualificado for o emprego. Portanto, para as economias avançadas e alguns países emergentes, 60% dos empregos serão afetados”, declarou Kristalina Georgieva.
Estes dados foram divulgados pelo FMI antes do início das reuniões em Davos, alertando que a IA poderá agravar as desigualdades salariais, prejudicando sobretudo a classe média, enquanto os trabalhadores com rendimentos já elevados poderão ver os seus salários “aumentarem mais do que a proporção” dos ganhos de produtividade com esta tecnologia.
“É certo que haverá um impacto” disse Georgieva, notando que a IA pode acabar com alguns empregos e melhorar outros. A dirigente defendeu que a prioridade deve ser ajudar os trabalhadores afetados e “partilhar os ganhos de produtividade“.
De acordo com o relatório, Singapura, os Estados Unidos e o Canadá são os países que estão melhor preparados até agora para a integração da IA.
Julie Sweet, presidente da Accenture, avisou esta terça-feira que nenhuma área e indústria está imune ao impacto da Inteligência Artificial. “Nos últimos 30 anos, não consigo lembrar-me de uma outra tecnologia em que eu pudesse estar em frente de um CEO e mostrar-lhe, com tanta credibilidade, um impacto material. Isto é muito diferente”, explica, sem deixar de salientar que o fator de novidade da IA pode dar tempo às empresas de apanhar o comboio.
De acordo com o Expresso, estudos comparativos do Fórum apontam que a chegada aos 100 milhões de utilizadores da Google demorou 78 meses (mais de seis anos), enquanto que no Tik-Tok levou nove meses. Já o ChatGPT, uma das plataformas de IA mais usadas, demorou apenas dois meses para chegar aos 100 milhões de utilizadores.
Ser “criativo”, como refere Cristiano Amon, presidente da Qualcomm (semicondutores), vai ser o desafio para o futuro. Ao mesmo tempo, Arvind Krishna, presidente da IBM, entende que abraçar a IA é uma forma de ser “mais produtivo”, sendo o contrário um caminho para se ficar sem emprego.
Os 17 empregos digitais mais bem pagos no futuro, segundo o Fórum Económico Mundial
Um dos relatórios económicos do Fórum Económico Mundial apresentou, em antevisão, quais os 17 empregos digitais em ascensão e mais bem remunerados até 2030.
O Fórum Económico Mundial prevê que, até 2043, os países de rendimento mais baixo tenham mais 50% de população ativa no mercado de trabalho do que os países mais prósperos, e espera-se que um quarto dos empregos atuais diminua.
De acordo com o relatório, as 17 profissões mais bem pagas em 2030 serão: Desenvolvedores de software; Analistas de segurança da informação; Especialistas em risco financeiro; Gestores de redes e sistemas de computador; Gestores financeiros; Advogados; Gestores de marketing; Auditores e contabilistas; Consultores especializados; Especialistas em operações comerciais; Consultores financeiros pessoais; Subscritores de seguros; Analistas de Pesquisa Operacional; Gestores de serviços médicos e de saúde; Professores de ciência da computação; Diretores de gestão de emergências; eGestores de telecomunicações.