Como chegou ao jornalismo? O que o fez escolher a profissão?
Nunca quis ser jornalista. Foi um acaso. Fiz o curso de Formação Geral em Jornalismo, no CENJOR, na altura uma das melhores escolas de jornalismo do país. O curso teve dois anos de duração e teve um estatuto especial, porque foi considerado bacharelato. Especializei-me em Imprensa, Rádio, Televisão e Fotojornalismo. Mas foi a televisão que escolhi.
Quando terminei o curso, em 1995, fui convidado a tirar a certificação de formador e passei, um mês depois, a dar formação em Jornalismo Televisivo, no CENJOR. Nessa altura, estava já a trabalhar na TSF e, nesse ano (1995), fui contratado pela TVI e comecei a trabalhar em televisão.
Ao longo deste tempo, estudei, pesquisei, criei as minhas ferramentas e os meus planos de formação, abri o leque de oferta e comecei a ser chamado por escolas, universidades e centros de formação. Passei, dez anos depois, da formação em Jornalismo Televisivo a treinar pessoas para comunicarem com impacto, com autoconfiança e segurança e comecei a ser convidado para dar treino em comunicação, em organizações, empresas, a pessoas, a título individual.
Apareceram os convites para palestras, debates, moderação de eventos, apresentação de eventos. Fui sempre adaptando as minhas bases do jornalismo a todos os projetos e hoje faço, sobretudo, master classes sobre burnout e comunicação e sobre como “comunicar com impacto”, em empresas e formações individuais (workshops). O meu treino em comunicação é “tailored”.
O que significa, para si, “comunicação disruptiva” e como se aplica no contexto atual?
Eu uso os conceitos para criar os meus próprios conceitos, por isso, tudo o que faço em comunicação é disruptivo. Comecei a desenvolver um conceito ao qual chamei Comunicação Imaterial e esse conceito, em conjunto com todas as técnicas de comunicação, é de tal forma disruptivo que impacta as pessoas.
Pode partilhar alguns exemplos práticos de como a comunicação disruptiva pode ser eficaz em ambientes corporativos?
Eficaz e impactante, porque o que impacta “fica”. A comunicação disruptiva transforma a forma como as empresas “vivem” dentro delas próprias. Aumenta a eficiência, a colaboração e, claro, a felicidade. Como dizia Steve Jobs, less is better. Mas, o mundo evolui e, por exemplo: reuniões holográficas permitem uma imersão total numa reunião e a sensação de presença física melhora a colaboração, por a “tal imaterialidade”, apenas ao alcance dos seres humanos, assim ser obrigada através do nosso subconsciente.
Que tipo de competências e ferramentas os participantes podem esperar adquirir nos seus workshops?
Trabalho quatro colunas da comunicação que entendo serem aquelas que, entre humanos, devem existir sempre: gestão da ansiedade, comunicação oral/verbal, comunicação não verbal/linguagem corporal e comunicação imaterial.
Quem frequenta as minhas ações (muitos repetem para objetivos diferentes da primeira vez) sai com as ferramentas necessárias para comunicarem com impacto, melhor do que antes, e saem confiantes e felizes, porque o meu treino é muito próximo das pessoas, muito atento.
Entre 2007 e 2009, enfrentou um período de burnout. Pode descrever como este período impactou a sua vida pessoal e a profissional?
Nunca entrei em processo de negação. O meu burnout foi descoberto um ano depois de “já cá estar”. Foi a maior lição que dei a mim próprio e amo desafios. Desafiei-me a derrotar o burnout e ganhei. Hoje, a minha master class “My Dear Burnout” mostra como eu fui ao fundo do poço, quase lá fiquei, saí e cresci.
Se sou aquele que quero ser, devo ao que aprendi com o meu burnout, a minha coragem, a minha rede próxima, aprendi a viver e nunca parei a minha carreira, até hoje. Por isso, atualmente, levo o meu exemplo (pessoal) às empresas. É uma forma disruptiva de comunicar, nas organizações, por exemplo.
Que estratégias utilizou para superar o burnout e como aconselha outros profissionais a lidar com esta situação?
Nunca negar a doença. Depois, tentei tudo (mas não posso dizer aqui, senão esvazio a master class) e procurei ajuda. Demorou três anos muito duros, mas valeu a pena. A família, os amigos e a empresa foram fundamentais para que eu pudesse ter ganho aquela guerra. Não foi uma batalha. Foi uma guerra duríssima.
Qual a importância da comunicação eficaz no desenvolvimento de uma carreira de sucesso?
É fundamental ter técnicas para dominar a comunicação – a nossa e a do outro. Facilita a criação de redes profissionais e pessoais, fortalece relações, constrói relacionamentos (networking, também). A comunicação eficaz (com impacto) torna tudo claro, reduz os erros e mal-entendidos e garante que as expectativas e o caminho a fazer são totalmente compreendidos. Comunicar é comum aos humanos (não só, mas, no caso, é relevante que sejam só humanos).
É importante, também, porque resolve conflitos e desacordos de forma positiva. Comunicar “bem”, no desenvolvimento de uma carreira de sucesso, permite ser-se persuasivo e influente, porque as habilidades de comunicação ajudam a convencer e influenciar os outros. Ajuda a desenvolver a liderança. Líderes eficazes são comunicadores proficientes. A comunicação eficaz é um alicerce de uma carreira bem-sucedida.
“Passaram trinta anos de jornalismo e de formação, formei milhares de pessoas, ao longo do tempo. […] O Euro 2004 e a minha estreia na CNN são momentos que me dizem muito.”
Artigo publicado na edição 153 da RHmagazine, referente aos meses de julho e agosto de 2024