Os jovens imigrantes, segundo um estudo do Observatório do Emprego Jovem (OEJ), demoram cerca de cinco meses a encontrar trabalho. A generalidade dos jovens em Portugal, por outro lado, demora cerca de 11 meses. Os jovens imigrantes representaram 18,5% do desemprego jovem no segundo trimestre do ano passado. Este grupo representa um quinto dos colocados e integra-se, maioritariamente, nos setores mais precários.
O estudo “Jovens à Procura de Emprego Inscritos no IEFP: caraterísticas, trajetórias e colocações” do OEJ, e ao qual o Jornal Público teve acesso, divulgou estes resultados. A base foi a análise dos dados de jovens com idades compreendidas entre os 16 e os 29 anos. Os jovens, inscritos no IEFP (Instituto do Emprego e Formação Profissional) no segundo trimestre de 2023, são constituídos em mais de 4% por imigrantes.
Os jovens imigrantes são, segundo apurado pelo Jornal Público, provenientes de países de língua oficial portuguesa, maioritariamente (64,9%). Residem na região de Lisboa e 63,5% têm o ensino secundário. Apenas 21,7% recebia o subsídio de desemprego no período em análise.
No caso dos jovens que estão à procura do primeiro emprego, a diferença entre a generalidade e os imigrantes é ainda maior: 4,5 meses para os imigrantes e 15,5 meses para a generalidade dos jovens. Os imigrantes demoram cerca de 3,5 meses a sair da situação de desemprego, na busca pela mudança de trabalho, face aos 6,5 meses da generalidade.
Os motivos que justificam os resultados
Paulo Marques, coordenador do OEJ e professor no ISCTE, confessou ao Jornal Público: “Os imigrantes estão dispostos a aceitar empregos que são piores do que as expectativas iniciais, ajudando isso a explicar porque é que se inserem mais rapidamente no mercado de trabalho do que a globalidade dos jovens em Portugal.” Ademais, a pressão dos imigrantes para aceitar trabalho é maior, devido à menor rede de apoios.
21% das 8.026 colocações efetuadas pelos centros de emprego no segundo trimestre de 2023 correspondem a jovens imigrantes. As atividades administrativas e serviços de apoio representam 35,9% dos desempregados. Seguem-se a indústria transformadora e o alojamento e restauração.
Segundo apurado pelo Jornal Público, o estudo em questão alerta: “Os imigrantes, para quem a pressão de encontrar um trabalho é acrescida devido aos requisitos dos vistos de residência, vêem-se, por vezes, obrigados a aceitar estas oportunidades. É devido a esta dinâmica que determinados setores se sustentam, mantendo as condições de trabalho pouco atrativas.”
Outros grupos vulneráveis
Para além dos imigrantes, também os jovens pouco qualificados e os que concluíram o ensino superior em áreas de baixa empregabilidade são considerados vulneráveis. 36,1% dos desempregados do segundo trimestre de 2023 ficaram pelo 3º ciclo do ensino básico. As idades são, maioritariamente, entre os 25 e os 29 anos. Este grupo apresenta maior dificuldade em competir com a população mais escolarizada, segundo o referido no estudo.
No que toca aos jovens com ensino superior, as dificuldades aplicam-se com mais frequência às áreas das ciências sociais, comércio e direito. Estes representam 41,6% dos jovens desempregados inscritos no IEFP. A área das artes e humanidades corresponde a 15,1%. Estas áreas integram, na maioria, mulheres, que são 56,3% dos desempregados.
Segundo o Jornal Público, o estudo em questão recomenda uma maior articulação entre as universidades e o mercado de trabalho, para melhorar a empregabilidade dos jovens. Também a promoção de escolhas educativas e profissionais mais informadas, o esforço suplementar para atrair mulheres para as engenharias e tecnologias de informação e os programas de reskilling que envolvam universidades e politécnicos são sugeridos.