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ENTREVISTA: Liliana Cerqueira, diretora de recursos humanos da MDS

“Uma das minhas prioridades é garantir que os valores da MDS são partilhados e vivenciados por todos os nossos colaboradores”

Mónica Felicidade Por Mónica Felicidade
2 de Dezembro, 2019
em MERCADO RH, PESSOAS
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ENTREVISTA: Liliana Cerqueira, diretora de recursos humanos da MDS

Fotografia: Olympus Digital Camera

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A diretora de recursos humanos da corretora de seguros revela que o objetivo que definiu em 2017 está a ser cumprido e está a fazer aquilo que mais a realiza profissionalmente – desenvolver pessoas.

Liliana Cerqueira chegou à MDS há cerca de dois anos para assumir a direção de recursos humanos. Vinda da empresa de transporte e logística STEF, onde permaneceu durante cinco anos, abraça agora o desafio de alterar a perceção que os jovens têm em relação ao setor segurador. Mas não só. Dada a dimensão mundial da MDS, a política de recursos humanos deve ser pensada globalmente para aplicação local. Seja qual for o desafio, Liliana Cerqueira, que está, atualmente, a fazer o que a realiza profissionalmente – desenvolver pessoas – , pretende garantir que os valores da MDS são partilhados e vivenciados por todos os colaboradores, como explica em entrevista ao InfoRH.

Em 2017, aquando da sua entrada na MDS, era seu objetivo potenciar o capital humano da empresa. Tem sido cumprido?

O desafio que vim abraçar na MDS tem-me permitido fazer aquilo que me mais me realiza profissionalmente: desenvolver pessoas. Essa missão está no ADN da MDS, que, sendo uma empresa de serviços, reconhece o papel crucial das pessoas e as posiciona no centro da sua estratégia. Respondendo diretamente à sua questão, sim, tem sido cumprido, sendo que é um processo contínuo e o resultado do trabalho de uma vasta equipa. Desde logo, as lideranças de topo têm direcionado o foco e recursos na capacitação e reforço de competências das equipas, sendo inclusivamente esse um dos drivers estratégicos da empresa. Existe um alinhamento conjunto tendo em vista compreender holisticamente as nossas pessoas e, para cada uma delas, garantir um acompanhamento individualizado e regular, com vista a promover níveis de contributo e realização superiores. Pessoalmente, vejo-me um pouco como um piloto, na medida em que procuro agilizar as melhores soluções e ferramentas em termos de desenvolvimento, por exemplo com recurso ao coaching, formação, mobilidade funcional ou outras. Evidentemente, temos noção que se trata de uma corrida de fundo, da qual depende também a força de vontade e o investimento individuais. O caminho percorrido até aqui tem sido gratificante.

Hoje, como é que descreve a política de recursos humanos da empresa?

A política de recursos humanos é orientada pela visão, missão e valores da MDS, com enfoque nas pessoas, que são parte integrante do sucesso e desenvolvimento da empresa. Uma das minhas prioridades é garantir que os valores da MDS são partilhados e vivenciados por todos os nossos colaboradores. Paralelamente, foco-me em garantir o desenvolvimento de competências e promover níveis de liderança superiores que nos permitam responder adequadamente aos desafios diários. A equipa da direção de pessoas, para além de se ocupar dos processos do dia-a-dia, como o recrutamento, integração, formação, payroll ou gestão de benefícios, entre outros, tem também um papel determinante ao atuar como consultora. Isso requer proximidade com as áreas de negócio, diagnósticos regulares e orientação para a solução. Fomento muito essa atitude junto da minha equipa: ir ao encontro das pessoas, desafiá-las regularmente para saírem fora das suas zonas de conforto e, com o nosso suporte, encontrar as melhores soluções.

A MDS emprega mais de 200 colaboradores em Portugal. Que desafios estão associados à gestão de um universo de profissionais da referida dimensão?

Em Portugal, a MDS tem mais de 200 colaboradores, sendo o grupo composto por cerca de 800 a nível mundial. O desafio atual é pensar global e agir local. A MDS completa este ano 35 anos de existência e o seu crescimento e internacionalização são conquistas notáveis. Algum crescimento fez-se por via de aquisições e, como tal, alguns dos desafios normais com os quais a empresa se confrontou foi, desde logo, a integração de pessoas vindas de outros contextos organizacionais com diferentes culturas, práticas e expectativas. A MDS investiu bastante no que se refere a bem acolher essas pessoas e diria que, hoje, apesar de continuarmos a comprar empresas e a integrarmos novos colaboradores por essa via, existe já um caminho de aprendizagem positivo nessa matéria e estamos mais conscientes do que devemos fazer para sermos bem-sucedidos neste processo de integração. Adicionalmente, há que dizer que, tal como outras empresas, vivemos o desafio intergeracional. Felizmente, existe uma consciência bastante presente nos nossos líderes dos desafios que este mundo VUCA (Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade) nos coloca. Existe uma grande proatividade em procurar entender e adaptar-se às necessidades dos mais jovens, dar-lhes contextos desafiantes e estímulos regulares, proporcionar-lhes feedback regular e apreciativo e, como temos áreas na empresa em que este diálogo fica mais facilitado, pela própria proximidade com a tecnologia e com as novas linguagens, como business intelligence, marketing, digital, entre outras, a tendência é para as diferenças se irem esbatendo. Contudo, no core business existe ainda um caminho maior a percorrer, no sentido de alguns dos paradigmas mais tradicionais do setor darem lugar a um novo modelo de atuação mais ágil e adaptativo. Como líderes de mercado, gostamos de inovar e antecipar tendências, pelo que estamos a desenvolver um projeto de melhoria contínua a dois níveis: por um lado, como antídoto para a cristalização e, por outro, como fertilizante para as novas ideias e criatividade.

E há desafios que se colocam à gestão do capital humano relacionados com o setor de atividade da MDS?

O maior desafio consiste em alterar a perceção que os jovens têm do setor segurador. Vêem-no como cinzento, formal e conservador e não como algo colorido, sexy e moderno, como, por exemplo, tendem a qualificar as empresas tecnológicas. Neste sentido, atrair talento jovem tem sido um exercício de “pesca à linha’’ e temos apostado em promover contextos de interação regulares com este target. Destacamos a realização de protocolos com universidades chave para atuarem como parceiros na divulgação da nossa atividade e das oportunidades de carreira que temos para oferecer. Recentemente, promovemos um open day com alunos universitários, dando a conhecer o propósito da atividade seguradora e da gestão do risco. Os seguros são uma pedra basilar da vida moderna. Sem seguros, segmentos da nossa sociedade e economia não funcionariam. O setor segurador oferece proteção contra riscos económicos, climatéricos, tecnológicos, políticos e demográficos, o que, por sua vez, permite aos indivíduos que vivam o seu dia-a-dia e às empresas que operem, inovem e se desenvolvam. Esse sentido de propósito e de missão será, talvez, um dos fatores motivadores mais fortes dos mais jovens e a MDS oferece contextos profissionais para que as novas gerações encontrem propósito e realização.

Como é que a empresa retém os seus profissionais?

Isso é conseguido através de um constante cuidado para com os nossos profissionais. A par de uma política retributiva que visa ser competitiva e ágil, estimulamos a meritocracia e preocupamo-nos em proporcionar contextos de bem-estar físico, social e emocional para os nossos colaboradores. A política de benefícios é, comparativamente com outras empresas, acima da média e, no geral, acredito que o que nos diferencia é a personalização. O nosso CEO global pratica uma política de proximidade, como aliás todos os restantes membros do comité executivo, e, a título de exemplo, faz questão de promover encontros regulares com pequenos grupos de colaboradores – President’s Breakfast –, nos quais procura estabelecer conversas informais one-to-one e partilhar conhecimento, experiência e estratégia. Outra iniciativa que, todos os anos, se realiza é o MDS Day – um encontro anual que visa promover a proximidade num ambiente descontraído, reforçando assim o sentido de pertença.

E como é que capta novos talentos?

Uma fonte de captação é interna, identificando e mapeando o potencial residente. O talento define-se como uma tríade de potencial, performance e, claro, motivação. A existirem estes três vetores num dos nossos profissionais, ele fica sinalizado para os desafios atuais e vindouros. Depois, temos uma network muito forte a funcionar continuadamente. É pouco usual, nas áreas de negócio, divulgarmos massivamente as oportunidades. Preferimos ir ao encontro das pessoas que percecionamos como detentoras do perfil que valorizamos e procuramos naquele momento. No âmbito de recém-licenciados, investimos muito nas parcerias com as universidades chave e, geralmente, conseguimos encontrar pessoas de enorme valor e jovialidade. Integramos também o Programa Contacto das empresas Sonae, onde damos a oportunidade a jovens talentos de elevado potencial de estagiar na MDS e poderem vir a integrar os seus quadros no futuro.

Que tendências considera que caracterizam, atualmente, a gestão de recursos humanos no setor dos seguros e consultoria?

Um dos principais desafios que enfrentamos passa por conseguir associar e adaptar o desenvolvimento e as competências dos colaboradores ao desenvolvimento do negócio, para que ambos possam crescer em conjunto. A superação deste desafio implica reforçar as competências técnicas, orientadas para o cliente e para o negócio, aumentar a eficiência na organização e melhorar a performance através de uma liderança adequada. Os gestores de pessoas devem desenvolver as suas equipas para estarem alinhadas com os objetivos definidos, sabendo que, cada vez mais, as competências ao nível da comunicação, agilidade, adaptabilidade e aprendizagem contínua são cruciais. Enquanto consultores de seguros e gestão de risco, somos trusted advisors e essa relação próxima com o cliente é o que nos diferencia das máquinas. Apesar de acreditarmos que tarefas mais rotineiras podem ser executadas por computadores, é inegável que estamos longe de ter inteligência artificial suficientemente desenvolvida ao nível do “sentir’’ e da empatia. Essa é a nossa mais-valia e é neste aspeto que deveremos continuar a investir nas nossas pessoas: no potenciar da sua mais-valia como seres relacionais em quem o cliente confia. Outra tendência que defendo como crítica para a sobrevivência de todos é a capacidade contínua de aprender a aprender. Essa é e será a nossa vantagem competitiva para nos continuarmos a posicionar favoravelmente no mercado de trabalho.

Que planos tem definidos para o futuro da política de recursos humanos da MDS?

O nosso trabalho é com as pessoas e para as pessoas. Trata-se de um processo contínuo. Estamos, neste momento, a dar passos significativos para a “globalização’’ no sentido de aproximação e sinergias com os nossos pares das outras geografias. Existe um fluxo muito interessante e regular, sobretudo entre profissionais portugueses e brasileiros e esse é um primeiro e muito importante passo do futuro que está a ser dado já hoje.

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