Num cenário em que os modelos tradicionais de benefícios já não acompanham as expetativas dos trabalhadores, o Instituto de Informação em Recursos Humanos (IIRH) realizou, esta quinta-feira, dia 11 de setembro, o webinar “Flexibilidade com propósito: benefícios que se adaptam às necessidades reais dos colaboradores”, em parceria com a Coverflex.
O evento foi moderado por Vanessa Fernandes, CEO do IIRH, e contou com intervenções de Paulo Fradinho, Head of Insurance da Coverflex, Inês Gonzalez, Senior People Operations Specialist na PandaDoc, e Miguel Lynce Faria, responsável de Compensação e Benefícios da The Navigator Company. Os oradores explicaram como as organizações podem desenvolver políticas de benefícios que combinam flexibilidade, relevância e alinhamento estratégico, respondendo simultaneamente às prioridades individuais e aos objetivos do negócio.
Do lado da Coverflex, Paulo Fradinho começou por abordar os principais desafios que as empresas enfrentam na implementação de planos de benefícios flexíveis, nomeadamente a tecnologia, questões fiscais específicas do contexto português e a necessidade de os departamentos de recursos humanos se adaptarem a uma gestão mais centrada nas pessoas.
O responsável sublinhou ainda a importância da comunicação e da gestão de mudança. Segundo Paulo Fradinho, é essencial colocar as pessoas no centro e simplificar os processos, de modo a que os planos flexíveis funcionem e os colaboradores percebam e utilizem o valor dos benefícios.
“Um dos grandes desafios é como podemos adaptar o sistema global de compensação para que possa ser percebido de forma igualitária para todos os colaboradores e que seja, ao mesmo tempo, competitivo com aquilo que é o mercado”, continuou Inês Gonzalez, da PandaDoc.
Na sua intervenção, Miguel Lynce Faria destacou que a Navigator procura equilibrar a diversidade de benefícios com a necessidade de simplicidade e clareza na comunicação. “Sentimos que, hoje em dia, a remuneração tradicional não é suficiente. Os benefícios são uma componente cada vez mais importante na proposta de valor de uma empresa e na Navigator acreditamos que fazem a diferença”, frisou. Entre os benefícios disponibilizados estão seguros de vida e saúde, fundos de pensões, subsídios de alimentação, colónias de férias, prémios de aniversário e de nascimento, bem como o programa Habitar, que apoia colaboradores na compra ou arrendamento de um imóvel.
O responsável de Compensação e Benefícios da The Navigator Company sublinhou ainda a importância de comunicar o valor destes programas aos colaboradores. Como tal, são realizadas sessões de esclarecimento sobre cada benefício, publicados indicadores de utilização e nos recibos de vencimento está o custo individual de cada um. “É uma forma da empresa ir valorizando a proposta de valor que oferece aos seus colaboradores e o colaborador também ter noção e conhecimento do impacto que isso tem.”
Para Inês Gonzalez, uma boa estratégia de benefícios só tem impacto se for acompanhada de uma comunicação clara e contínua. A PandaDoc partilha a utilização dos benefícios de forma global, incluindo dias de férias adicionais e de autocuidado (“self-care days”), folgas no dia de aniversário e apoios pontuais, como prémios de nascimento ou apoio a quem muda de país. “A comunicação que fazemos é normalmente anual”, explicou. A empresa garante ainda que todos os colaboradores têm acesso às informações sobre os seus benefícios e que novos funcionários participam em sessões específicas conduzidas pelas equipas de Learning and Development e Compensation Team.
Seguro de saúde como prioridade estratégica
Num estudo recente da Coverflex sobre custos dos seguros de saúde para empresas, estimou-se uma previsão de subida de 10,3% em 2025, valor ligeiramente acima dos 9,9% registados no ano passado. Para Paulo Fradinho, as empresas não devem encarar o seguro apenas como um encargo financeiro. “O seguro de saúde é, de facto, um dos benefícios mais falados no nosso país (…) e já é prioridade”.
De acordo com o Head of Insurance da Coverflex, o seguro de saúde é hoje uma expetativa dos trabalhadores e tem impacto direto na produtividade, bem-estar e retenção de talento. Paulo Fradinho acrescentou que existem formas de equilibrar o investimento da empresa com o valor percecionado pelos colaboradores. Uma abordagem é definir um nível base de cobertura oferecido pela empresa e permitir que os trabalhadores complementem o seguro conforme as suas necessidades. “Prefiro muito mais falar de um investimento e de uma proposta de valor do que meramente um custo”, fez questão de dizer.
Inês Gonzalez destacou ainda o papel estratégico dos benefícios flexíveis na atração e retenção de talento, especialmente em setores competitivos como a tecnologia. “É um dos pontos que tentamos potenciar mais durante o processo de recrutamento e também ao longo da vida do colaborador quando está a trabalhar conosco”, afirmou.
Assista ao webinar em: https://www.youtube.com/watch?v=Xkyw9vUKBJA
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