Qual foi o impacto da revolução digital na Gestão de Pessoas da DECO PROteste?
O impacto foi grande. Começámos por ser uma empresa familiar e tivemos que passar por uma fase de profissionalização. O performance management, por exemplo, era feito em Word, mas já introduzimos o SuccessFactors. De ferramentas colaborativas, só tínhamos o Yammer, mas agora também possuímos o Teams e o SharePoint. Passámos a nossa academia para o digital, trouxemos o 70-20-10, dispomos de um Programa de Gestão de Recrutamentos (ATS) materializado num site de carreiras que não existia e utilizamos Inteligência Artificial (IA).
Justamente, na sua perspetiva, de que forma é que a IA ainda vai revolucionar mais a Gestão de Pessoas?
Vai revolucionar muito. Por exemplo, nós já utilizamos o ChatGPT, na área de Recursos Humanos, para descritivos de funções. Isto significa que não tenho de investir um dia inteiro a elaborar uma job description, o que é fantástico. Mas não acredito que vá substituir as pessoas. Acho que vai libertá-las para tarefas que acrescentem maior valor à organização. Sou a favor da IA e tento transmitir esta visão à equipa. Devemos explorar ao máximo estas ferramentas.
De que forma é que a DECO PROteste promove uma cultura que incentiva a diversidade, a inclusão, a colaboração e a inovação?
Nós temos uma política DEI, quer ao nível do grupo, quer ao nível local. Adaptámos o código de conduta e todos os colaboradores fizeram formação, pelo que há uma maior sensibilidade na DECO PROteste. Como líderes, é crucial que perguntemos como é que os colaboradores estão e que os respeitemos. As pessoas têm backgrounds, perspetivas e etnias diferentes, pelo que precisamos de passar esta mensagem nos nossos processos de recrutamento.
Devido a um trabalho da DECO PROteste, foi instituído o Dia Nacional da Sustentabilidade e até temos grupos internacionais que trabalham especificamente nesta área
Como é que as práticas de RH contribuem para as metas de sustentabilidade e de impacto social da própria organização?
Devido a um trabalho da DECO PROteste, foi instituído o Dia Nacional da Sustentabilidade e até temos grupos internacionais que trabalham especificamente esta parte. Existe da nossa parte muito cuidado com os fornecedores, a nossa revista é parcialmente reciclável – porque não dá para ser na totalidade – e estamos a digitalizar a nossa oferta, temos painéis solares no edifício, possuímos o certificado verde da EDP e procuramos sensibilizar os colaboradores para replicarem estas boas práticas.
Perante as mudanças na cultura organizacional, como é que a DECO PROteste mantém a sua identidade e coesão?
O nosso ADN não mudou. Continuamos a defender o consumidor, mas queremos ter uma maior proximidade com as marcas. A chave está na comunicação. Nós explicámos aos nossos colaboradores como seria a nova marca e o que significava este novo posicionamento. As lideranças devem estar alinhadas com o que pretendemos para o futuro da organização; portanto, também comunicámos muito com os líderes. Temos de ser credíveis naquilo que estamos a transmitir e agir em conformidade.
Quais são as principais estratégias de atração e retenção de talento na DECO PROteste?
Temos trabalhado muito o nosso employer branding. As nossas pessoas são o centro da atividade de produção e sentimos que havia necessidade de divulgar externamente as boas-práticas. Apostamos muito nos posts do LinkedIn e tentamos mostrar ao máximo aquilo que fazemos internamente e as funções que desempenhamos. Todas as ferramentas do mercado que existem, nós temos. E temos mesmo a possibilidade de impactar.
O nosso ADN não mudou. Continuamos a defender o consumidor, mas queremos ter uma maior proximidade com as marcas. A chave está na comunicação
Quais são as principais tendências na área de RH?
Uma das tendências é o novo perfil de liderança. Precisamos de ter lideranças diferentes, que evoluam para aquilo que as novas gerações valorizam. Outra tendência é a de escutar os colaboradores: temos uma iniciativa, o “People Sessions”, na qual os colaboradores têm um pequeno-almoço com o Country Manager. Ainda há a questão da diversidade nas equipas, porque temos propensão a estar com pessoas que tenham o perfil mais parecido com o nosso. Outra tendência é a da confiança nas organizações, que tem vindo a diminuir.
Quais são as vossas prioridades na Gestão de Pessoas?
Uma prioridade são as competências comerciais da organização. Temos de ser mais comerciais: não só a equipa de vendas, mas todos os colaboradores da organização. Por outro lado, a digitalização, principalmente em termos de mindset, é também uma prioridade. Outra prioridade é o nosso business acumen, porque mudámos muito nos últimos anos e precisamos de ter uma linguagem comum a toda a equipa. Por fim, as lideranças mais fortes, claro.
Como é que a DECO PROteste se vê daqui a 25 anos?
Espero que nos mantenhamos relevantes para a sociedade, mas mais digitais e voltados para as populações mais jovens. Vejo a DECO PROteste como a única referência na defesa do consumidor, mesmo em relação à concorrência. Queremos ser a referência para a concorrência.
Artigo publicado na edição 155 da RHmagazine, referente aos meses de novembro e dezembro de 2024
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