Autor: Gonçalo de Salis Amaral | Head of HR Consulting da Neves de Almeida
A cultura de feedback nas organizações é o exercício de dar retorno aos colaboradores, apontando onde a sua prestação e atuação foram positivas, bem como onde existe oportunidades de melhoria. Sendo executada de forma adequada e construtiva, cria um ambiente de abertura ao diálogo e colaboração saudável e vantajosa, devendo ser uma prática genuína e constante, não apenas uma obrigação de agenda.
O feedback nas organizações é fundamental para orientar e esclarecer a atuação de cada colaborador na sua função, enquadrado na cultura, valores e propósito dessa mesma organização, ajudando o colaborador a entender e a ajustar-se ao que é esperado ao seu nível. Assim, contribui para que cada um compreenda a sua função e como esta afeta/interage com as demais, contribuindo para o todo.
Quando o feedback é contínuo ou regular, os resultados são ainda melhores, evitando que atitudes ou comportamentos menos próprios se prolonguem no tempo ou, pior ainda, se tornem hábito. Estes momentos deverão ser aproveitados também para que cada colaborador seja estimulado a dar o seu retorno, ajudando os líderes a compreenderem as verdadeiras dificuldades que a equipa encontra no dia-a-dia.
Assim, a cultura de feedback tem inúmeros benefícios e demonstrou-se uma ferramenta eficaz para a motivação, envolvimento e desenvolvimento das equipas, nomeadamente:
- Ao estimular a criação de um ambiente colaborativo, quando somos acompanhados e suportados, sente-se maior segurança e confiança para cooperar. Adicionalmente, promove o conforto na partilha de opiniões, ideias ou no esclarecimento de dúvidas;
- Ao impulsionar a comunicação, quando existe abertura para conversar, haverá menos espaço para ruídos e a “rádio alcatifa”, reduzindo os desentendimentos e as falsas informações. Também reduz a possibilidade de algum colaborador se sentir excluído ou perseguido;
- Ao promover o sentimento de suporte, visando o progresso de cada colaborador. Claro que a recetividade do feedback vai depender do nível de profissionalismo de cada um (de quem dá e de quem recebe) mas, em geral, mesmo as críticas negativas, sendo colocadas de maneira construtiva, como pontos de melhoria, são bem recebidas, levando ao progresso individual. Neste sentido, há que ajudar os colaboradores a lidar com críticas construtivas, retirando o estigma associado e encarando-a como uma forma de orientação;
- Promove a satisfação, já que ao verifica-se uma evolução, deverá originar um feedback de reforço positivo. Os colaboradores que se sentem desmotivados, geralmente, é por falta de retorno ou de interação com seus supervisores;
- Suporta o planeamento, já que o plano de ação que integra feedback é mais bem desenvolvido;
- Promove a melhoria dos resultados, já que os colaboradores comunicam e sentem-se motivados, o trabalho flui melhor. Ambientes colaborativos trazem resultados melhores.
O desafio está em como implementar a cultura de feedback na organização, não sendo uma tarefa tão simples como se possa pensar de início. É uma prática pensada a longo prazo, já que os seus resultados podem não ser imediatos. Além disso, alguns colaboradores poderão sentir-se incomodados no início, pelo que a implementação deverá seguir algumas etapas.
O primeiro passo é o de criar um ambiente inclusivo e recetivo, para que os colaboradores se sintam seguros e confortáveis, encarando a prática como positiva.
Seguidamente, há que conhecer a equipa, seus pontos fortes e de melhoria, suas necessidades e anseios, o que os motiva no dia-a-dia, entre outras características. Desta forma, fica mais fácil fazer uma abordagem assertiva.
Os colaboradores devem entender que as críticas são construtivas. Por isso, seja empático ao expor os pontos de melhoria e procure sempre destacar algum ponto positivo antes de fazer uma crítica. Neste sentido, não se esqueça de fazer elogios, ponto não raras vezes menosprezado, mas que é fundamental para o bom andamento do feedback.
As avaliações e conversas devem ser regulares. Assim que os colaboradores entenderem como funciona a prática, já se sentirão mais motivados. Em todos os feedbacks, metas devem ser definidas para que a prática faça parte da rotina da organização e não se torne um evento esporádico. Da mesma forma, o feedback deve ser aplicado e recebido do colaborador, ou seja, o colaborador deverá ter a sua oportunidade de falar sobre os pontos fortes e fracos que identifica na organização. Saiba ouvir e considere, sinceramente, o que têm a dizer. Dessa forma, a organização pode melhorar as suas práticas.
Aplique feedbacks em grupo e individuais. O feedback em grupo é importante para expor os pontos positivos e de melhoria da equipa de uma maneira ampla. É igualmente interessante pelo facto dos colaboradores sentirem-se encorajados a expor os avanços que desejam, ao estar amparados por seus colegas de equipa. No entanto, se o feedback for mais particular e exigir alguma diplomacia para ser aplicado, o ideal é que seja feito de forma individual. Evite expor erros publicamente.
Os colaboradores querem se sentir respeitados, apoiados e motivados. O trabalho pode fluir muito mais facilmente e a sua empresa só tem a ganhar com isso. Entender o que a cultura de feedback pode representar para seu negócio é o primeiro passo para desenvolver esta prática com sua equipa.