Por Pedro Santos, Country Leader Portugal e VP Operations, da Foundever
No mundo global em que vivemos, a capacidade de comunicar de forma eficaz em várias línguas tornou-se num fator essencial para o sucesso das marcas. Mas é preciso ter em conta que o trabalho multilingue ultrapassa a simples tradução: trata-se de falar, verdadeiramente, a língua dos clientes – tanto no sentido literal como cultural.
Hoje, a experiência do cliente (CX) ocupa um lugar central nas estratégias das marcas. Num mercado onde, de acordo com dados da Foundever, 78% dos consumidores estão dispostos a abandonar uma marca após uma má experiência e 75%, segundo um estudo do CSA Research, preferem interagir com as marcas na sua língua nativa, ter uma oferta que vá ao encontro destas expectativas apresenta-se não apenas como uma vantagem, mas antes como uma necessidade. As marcas globais enfrentam, neste sentido, o desafio de proporcionar experiências personalizadas e culturalmente alinhadas, especialmente num universo digital fortemente conectado.
A digitalização tem sido um dos principais fatores a transformar a forma como as empresas gerem e desenvolvem o trabalho multilingue. Ferramentas baseadas em inteligência artificial e machine learning simplificam os processos e ajudam as empresas a crescer de maneira mais eficiente. No entanto, quando as ações exigem empatia e personalização – fatores preponderantes para conquistar a lealdade dos clientes – a interação humana, com talentos diversificados e devidamente formados, continua a ser insubstituível.
Mas como encontrar e formar estes talentos? O recrutamento de profissionais multilingues pode ser, sem dúvida, um desafio complexo. Afinal, não basta dominar várias línguas; é necessário saber adaptar-se a diferentes contextos e compreender as nuances culturais.
A meu ver, as empresas devem adotar uma abordagem estratégica para superar este desafio: podem começar pelo desenvolvimento de planos de recrutamento abrangentes, utilizando diversos canais, como as redes sociais ou os portais de emprego, e pela definição clara dos requisitos para cada função, o que ajudará a atrair os candidatos mais indicados.
De seguida, sabendo a importância da compreensão cultural, é preciso que esta seja avaliada adequadamente, tal como se faz, de forma mais natural, com a proficiência linguística. Como alguém que cresceu num ambiente multicultural e trabalha numa empresa internacional, acredito que esta capacidade de adaptação cultural é o maior trunfo para o êxito das empresas.
Contratados os profissionais, é necessário garantir a sua progressão, oferecer-lhes oportunidades de formação e desenvolvimento contínuos – por exemplo, aulas de línguas ou formações em ferramentas digitais específicas ou soft skills -, e, claro, proporcionar um bom ambiente de trabalho, diverso e inclusivo, onde seja valorizado e reconhecido o mérito dos trabalhadores.
À medida que caminhamos para um futuro cada vez mais global e interligado, devemos encarar o trabalho multilingue como um investimento prioritário. Falar a língua dos clientes, através de equipas culturalmente sensíveis, e com acesso a tecnologias que potenciam a eficiência, é mais do que uma questão de palavras – é uma questão de confiança e sucesso.
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