Autora: Maureen Lonergan, Vice President na AWS Training and Certification
Por esta altura, no ano passado, os ventos contrários da economia obrigavam as organizações a analisar os custos operacionais de uma forma geral. As pessoas foram forçadas a serem mais criativas, de forma a fazerem mais com menos.
Na altura, ouvi constantemente os executivos dizerem que a chave para a resiliência da empresa, especialmente em tempos turbulentos, é concentrar-se no desenvolvimento dos seus colaboradores e ancorar a sua cultura na abertura, curiosidade e aprendizagem contínua. Os líderes encorajaram os colaboradores a pensar de forma diferente, a procurar perspetivas diversificadas e a desafiarem-se uns aos outros de forma produtiva.
Em 2024 o contexto é mais otimista, e coloca as pessoas no centro das oportunidades. Quer seja o gestor de área de negócio, de RH ou de tecnologia, investir nas competências dos colaboradores será sempre a alavanca mais estratégica e poderosa de que pode dispor.
Em 2024, consigo observar 4 grandes tendências a moldar a inovação organizacional.
Inteligência Artificial Generativa
O World Economic Forum’s Future of Jobs Report 2023 indica que mais de 75% das organizações planeiam adotar big data, computação em cloud e inteligência artificial (IA) nos próximos cinco anos.
Quer a sua organização esteja no início da exploração destas tecnologias, quer esteja já num bom caminho da sua utilização para modernizar as suas operações e atingir os seus objetivos, é necessário ter os RH com competências específicas.
E o conjunto de talentos disponíveis continua a ser reduzido – especialmente no mais recente subconjunto de IA, conhecido como IA generativa. O ritmo acelerado de mudança introduzido pela IA generativa implica uma melhoria rápida nas competências dos colaboradores e empregadores. E isto por uma boa razão: a IA generativa captou a nossa imaginação, mostrou-nos de que forma pode revolucionar experiências de trabalho e de vida, impactar as nossas funções, indo muito mais além do que as TI. Independentemente do grau de preparação da sua organização, a IA generativa está aqui para ficar.
Faça um plano para preparar os seus colaboradores para o mundo da IA generativa – refiro-me a programadores, responsáveis das vendas, marketing, RH, apoio ao cliente e tantos outros (encontra no mercado pequenas formações, de 10 minutos que o ajudam a começar, como por exemplo o AWS Generative AI for Executives).
Conheça melhor esta realidade através de outros casos de utilização de IA e incentive os seus gestores a perceber como a IA generativa pode melhorar as suas áreas de negócio, não só na forma como o trabalho pode ser feito, mas também para inspirar inovação no serviço ao cliente. Organize debates entre organizações, para que partilhem aquilo que já aprenderam e crie responsáveis pelo desenvolvimento de IA generativa, aptos para definir orientações e limites para a sua utilização atual e futura. A IA generativa está a gerar novas competências, assim como a Internet e a computação em cloud já o fizeram.
O papel dos RH na transformação digital
Historicamente, as iniciativas de transformação digital chegaram via linhas de negócio ou através das equipas centrais de IT. Mas, neste momento assistimos a uma mudança, ou seja, verificamos que temos dirigentes e executivos a trabalhar em conjunto para entender todo o potencial da cloud e como esta plataforma pode gerar valor. Quando formam toda a sua força de trabalho para trabalhar na cloud, aumentam o retorno do investimento em cloud computing, a eficiência geral do negócio, a segurança e aceleram a inovação.
Com a cloud como um imperativo empresarial crítico, os RH terão de repensar as estratégias de talento das suas organizações: de recrutamento; de retenção e os programas de formação contínua. Existe, também, uma componente de gestão da mudança que os RH vão ter que conduzir, uma vez que as funções historicamente não tecnológicas, terão que aprender e trabalhar com a cloud. No processo de formação e requalificação de RH pode deparar-se com alguma apreensão, mas se interligar objetivos de aprendizagem empresariais a objetivos pessoais, torna o processo mais fácil. A IA generativa já está a revelar-se disruptiva. Independentemente da função que desempenha, chegou a altura de se aliar aos RH para garantir que os seus colaboradores estão preparados para apoiar a estratégia de cloud da empresa.
Mudámos a forma como trabalhamos, mas em termos de escala, os modelos virtuais e autónomos de trabalhar, comunicar e aprender serão sempre vencedores, no entanto, em termos de eficácia, nunca ultrapassarão totalmente os modelos presenciais.
Aprendizagem interativa com foco no digital
A inovação tem surgido no sentido de maximizar o melhor dos dois mundos, e também se aplica à aprendizagem. Por exemplo, os videojogos são utilizados, há décadas, para ajudar a aprender e, ainda assim, têm vindo a amadurecer muito rapidamente nos últimos tempos. Os trabalhadores nativos digitais de hoje (com idades compreendidas entre os 25 e os 35 anos) esperam uma aprendizagem baseada em jogos (gamificação), com elementos e princípios interativos semelhantes aos dos videojogos, que tornem a experiência de aprendizagem mais envolvente e motivadora.
O que é único na gamificação é o facto de ser semelhante a uma missão, que busca a resolução criativa de problemas, a sós ou com outros, e que leva a uma maior compreensão e aplicação prática dos conceitos apreendidos, por comparação com os métodos de aprendizagem tradicionais. Encorajo-o a explorar esta opções para impulsionar os objetivos de requalificação dos seus colaboradores, pode ajudá-los a melhorar os resultados da aprendizagem, bem como a quebrar os silos organizacionais.
A reserva de tempo dos colaboradores dedicado à aprendizagem
Não é tanto uma tendência, mas sim o que considero ser imperativo. Os líderes devem criar uma cultura que permita aos colaboradores aprender e adquirir competências que vão para além das suas funções normais. Estes aprenderão e desenvolverão as suas competências de forma informal, à medida que fazem o seu trabalho.
Desafio os líderes a encorajarem as suas equipas a passarem 10% do seu tempo longe das exigências do e-mail e das tarefas diárias, e a concentrarem-se na aprendizagem.
Na minha organização temos as ‘sextas-feiras sem reuniões’, que permitem aos funcionários a liberdade de utilizar este dia para aprender. Quanto mais os seus colaboradores se empenharem em utilizar este tempo para desenvolverem as suas competências e conhecimentos em novas áreas, mais proveitoso será para a sua organização. Apaixona-me incentivar os meus colaboradores a serem curiosos, engenhosos e a irem além dos limites da sua imaginação.
É assim que nascem as grandes ideias e que se alimenta a confiança e a permanência dos colaboradores. As sextas-feiras sem reuniões foram tão bem recebidas na minha organização que estão a ser adotadas noutras áreas da empresa. Se esta prática lhe agrada, sinta-se à vontade para a utilizar, ou criar a sua própria versão. Assim que a puser em prática, a sua organização mudará para melhor.
A prosperidade e a estabilidade de uma organização, mesmo em tempos mais difíceis, assenta em normas culturais que colocam as pessoas em primeiro lugar. Pode ter o melhor produto e a melhor tecnologia a impulsionar as suas operações, mas as suas ações têm que permitir que os seus colaboradores cresçam consigo, é isso que impulsiona o resultado final. Estou entusiasmada com o que 2024 nos reserva.