O conceito de ser possível trabalhar de casa, de qualquer lado, foi um dos positivos das mudanças nos modelos de trabalho, com cada vez mais empresas a aceitarem que a dispersão geográfica está presente em todas as organizações e que é necessário promover o “work-life balance” de cada um.
Sendo a captação e retenção de talentos fundamental, a Noesis tem apostado na flexibilidade e numa política de benefícios e compensação. No final de 2023, a consultora estava a recrutar entre 100 e 150 colaboradores para integrar a sua equipa, em áreas críticas como cloud, cibersegurança, inteligência artificial ou automação.
Atualmente, a empresa conta com 1100 colaboradores, 30% de mulheres e 70% de homens, com uma idade média de 35 anos, sendo que 75% dos quais possui formação universitária.
De forma a conhecer quais tem sido as prioridades da empresa ao nível da gestão das pessoas, a RHmagazine conversou com Teresa Gândara, diretora de Capital Humano da Noesis, sobre a atual conjuntura da empresa.
Sendo a Noesis uma empresa que opera em diferentes países, cada um com culturas diferentes, como asseguram uma cultura coesa dentro da empresa e como partilham valores entre equipas tão geograficamente dispersas?
A cultura da Noesis, baseada em proximidade, é moldada pelos nossos próprios colaboradores, como tal, acreditamos que o talento é um fator intrínseco a esta vertente, independentemente da geografia. Claro que quando abordamos o tema da digitalização e automatização surge algum receio em torno dos recursos humanos. Porém as pessoas nunca vão deixar de ser vitais para o sucesso das empresas.
Do nosso ponto de vista, tendo em conta a presença em seis países e 20 localizações, é fundamental definir e implementar uma estratégia de Employer Branding que reflita a nossa cultura organizacional, a visão da liderança e dos seus colaboradores, mas também as diferentes expetativas não só dos que já estão connosco mas também dos candidatos e o que valorizam – algo que varia, inevitavelmente, tendo em conta a localização.
A um nível global, conseguimos facilmente definir a nossa cultura com uma punchline – Let’s Innovate Together – que nos representa tão bem. Na Noesis vivemos num ambiente de entreajuda onde a inovação é incentivada e trabalhada por todos ao longo de toda a jornada. O nosso mote fundamenta-se em pilares relacionados com as soluções inovadoras que criamos, a valorização de uma força de trabalho diversificada, a aposta na formação dos nossos talentos, a promoção do equilíbrio saudável entre vida pessoal e profissional e o impacto na sociedade.
Além disso, acreditamos que é essencial apostarmos numa cultura de alta confiança para que os nossos talentos possam ultrapassar desafios e atingir o potencial mais elevado possível. Como tal, todos devem estar familiarizados com o propósito e estratégia da organização, e ao mesmo tempo, sentirem-se em pleno direito de partilhar sugestões e colocar questões. Na Noesis valorizamos a voz dos nossos colaboradores e as suas opiniões nos processos de decisão.
Através desta visão ambicionamos promover um ambiente de trabalho, onde as nossas pessoas se sentem seguras, realizadas e motivadas, quer estejam em qualquer um dos nossos escritórios ou a trabalhar de forma remota, algo fundamental para a sua retenção.
Que estratégias foram implementadas para identificar e contratar talento num trabalho cada vez mais remoto?
A pandemia veio desbloquear o conceito de “work from anywhere”. Uma realidade relativamente recente, atualmente o tema da dispersão geográfica está presente na maioria das empresas multinacionais e globais – tal como na Noesis. Estando a internacionalização no nosso ADN, não nos é estranho trabalhar com colegas que estão noutros países, muito pelo contrário, encaramos esta realidade como a ordem natural do nosso crescimento e evolução.
Como tal, de modo a contratar talento internacional procuramos promover alguns dos nossos pilares como o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional dos nossos talentos, por isso a existência de um plano que promova o work-life balance e que combine “o melhor dos dois mundos” é extremamente importante. Com base nas preferências de cada colaborador, aferidas através de Employee Surveys, essenciais para irmos afinando a nossa estratégia, procuramos implementar o modelo de trabalho mais equilibrado e que melhor sirva os interesses das nossas pessoas e da organização.

Dado o enquadramento num mundo cada vez mais global e adepto do trabalho remoto, definimos um modelo de elevada flexibilidade e de trabalho híbrido, permitindo a cada um ajustar qual o regime mais adequado, dependendo da sua especialidade, área de trabalho, função, projeto, cliente, etc. No entanto, há uma diretriz geral e extensível a toda a empresa que contempla a presença de pelo menos dois dias por semana no seu respetivo escritório.
Acrescento ainda que existe ainda a adaptação a algumas políticas locais. Cada país tem uma gestão local, respondendo assim da melhor forma às suas necessidades. Por exemplo, no Brasil e nos EUA, existem obrigações legais e fiscais diferentes entre estados. Isto obriga-nos a adaptar da forma mais eficiente e também justa para todos os talentos dessa geografia.
Podem partilhar algumas inovações ou tecnologias que a Noesis implementou para assegurar que os trabalhadores sentem-se valorizados e reconhecidos através de interações virtuais?
Lançámos a iniciativa Come ON Board, em que a Administração está on-line para anunciar os resultados do negócio, partilhar as mais recentes novidades, objetivos e iniciativas das equipas nas diferentes geografias, e em que todos os colaboradores estão convidados para participar. Valorizamos a sua opinião e, por isso, durante estas sessões são convidados a colocar as suas questões, e a partilhar sugestões.
Transformámos o nosso onboarding para formato remoto, o que nos permite ter todos os nossos talentos, dos diferentes escritórios, a participar no Welcome Day e, em breve, vai entrar em funcionamento o novo modelo mais interativo e interessante para os participantes, para garantir melhor alinhamento com valores e cultura.
Criamos as InspiratiONal Sessions, em que convidamos regularmente personalidades inspiradoras para partilhar a sua experiência com os nossos talentos, que podem acompanhar a sessão online e interagir ao longo da iniciativa.
Em conjunto com o Grupo Altia, da qual a Noesis faz parte, todos os meses temos uma sessão Digital Talk, em que é apresentado um projeto desenvolvido numa das empresas do grupo, sempre com uma adesão superior a 100 colaboradores e, que acreditamos é também um convite ao conhecimento e à inovação.
Estratégias de comunicação eficazes são, em vários casos, cruciais para equipas dispersas? Que estratégias utilizam para criar pontes culturais entre os vossos colaboradores?
Na Noesis a comunicação desempenha um papel principal. Existe uma ausência de micro-managing ao nível da gestão do trabalho em si, mas procuramos acompanhar o desenvolvimento profissional dos nossos colaboradores. Seja através de reuniões de Direção trimestrais, de equipa ou de sessões Come ON Board, procuramos sempre fomentar, não só, uma cultura de partilha de informação regular, mas também uma cultura de transparência. Todos os colaboradores são convidados a participar, a colocar questões e a dar sugestões para novas iniciativas e projetos, o que nos permite ir ao encontro das suas expetativas, melhorando os processos internos e de negócio.
Não menos importante, temos o lançamento mensal da Newsletter, onde divulgamos informação interna e novidades, e a presença nas redes sociais, especialmente no Instagram, onde a nossa comunidade, composta maioritariamente por colaboradores, tem crescido exponencialmente.
Ao querermos ser um empregador de referência, o foco nas pessoas e na cultura organizacional é essencial para assegurar a prosperidade da Noesis.
Que desafios enfrentam ao gerir um capital humano tão diferente? E quais foram as lições e estratégias que emergiram ao ultrapassar esses obstáculos?
Liderar uma equipa à distância traz desafios que a liderança presencial e diária não tem, mas como se costuma dizer: “primeiro estranha-se e depois entranha-se”. A base deve ser a mesma, ou seja, ter uma equipa composta por bons profissionais, preparada e dimensionada para os objetivos e ambição característicos da Noesis.
Um exemplo de uma das lições que aprendemos neste novo contexto é a aposta na redução do chamado micro-management. Dado o desafio de liderar à distância, não há espaço para uma liderança que controla e decide tudo. Para isso, apostamos num modelo de responsabilidades e de governance muito claros, onde “a confiança é o alicerce” e cada equipa tem um amplo espetro de atuação e um elevado nível de autonomia, sendo claro o papel de cada um dentro da mesma. Na Noesis, e no que diz respeito à internacionalização, estamos na fase da “prova de conceito”: implementamos, experimentamos, avaliamos e por fim, evoluímos. Desta forma, tentamos promover também a mobilidade dos nossos colaboradores e proporcionamos experiências internacionais quando há essa motivação e sempre que é possível.