Autor: António Saraiva, Business Development Manager do ISQ Academy
Upskilling e reskilling entrou no léxico da capacitação e desenvolvimento de pessoas. Não é estranho a este facto os desafios que se têm perfilado da transição digital e verde. Mas é um processo que se tem pautado de forma recorrente, dadas as evoluções que têm acontecido ao longo dos anos.
Hoje, mais que nunca, sabe-se que há que acelerar o que podemos apelidar de movimento de upskilling e reskilling dentro da força de trabalho da generalidade das organizações. Em termos simplistas, aprimorar as competências dentro das atuais atribuições e aumentar, reconfigurando-as para novos desafios, acaba por ser o lema no mundo laboral.
Mas este movimento acontece tão só em prol de mais e melhores resultados, em via da tão propalada melhoria da produtividade e, consequentemente, lucro que daí advém? Sim, mas muito mais que isso. Há todo um conjunto de fatores de vida que são cada vez mais apreciados por quem exerce a sua profissão: é o direito à aprendizagem, à participação ativa nos desafios atuais e, inequivocamente, a um bem-estar que passa por se encontrar devidamente informado e preparado, logicamente mais motivado.
Pode-se aprofundar a diferença entre estes dois conceitos, pois a mesma está profundamente enraizada no objetivo supremo da formação profissional. Se no upskilling a aposta é fazer mais e melhor na respetiva área de conhecimento, o reskilling acaba por ter uma possível orientação para a recolocação numa nova função. Neste caso, vamos a números que nos permitem ter uma ideia clara sobre o que deve ser refletido.
De acordo com o McKinsey Global Institute, cerca de 375 milhões de profissionais (mais ou menos 14% da força de trabalho a nível global), estima-se que podem alterar o seu trabalho atual nos anos mais próximos, logicamente que por via dos grandes temas do momento: transição digital e verde, e muito especificamente os correlacionados com a automação e a Inteligência Artificial.
O reskilling acaba por ter uma possível orientação para a recolocação numa nova função.
É precisamente neste caminho a reflexão que fazemos dentro do ISQ Academy. Além dos nossos indicadores internos, trabalhamos sobre os estudos e os respetivos indicadores de mercado. Em especial, os correlacionados com o futuro do trabalho. Sentimo-nos claramente obrigados, e acima de tudo comprometidos, em participar num compromisso que mantenha ativas as pessoas, mas mais que isso, que permita, também, que possam desenvolver a sua carreira.
Para além de ser uma questão comum, no trabalho conjunto que fazemos com os nossos clientes e parceiros, percebemos o mesmo que a levantada no Fórum Económico Mundial, em Davos: Como vamos preparar o nosso capital humano para os desafios em curso e os que se avizinham?
Não se trata de obtermos respostas certas ou erradas. É obter tão só a resposta: existe uma necessidade de reciclagem permanente, utilizando uma expressão claramente ambiental, mas que tem um âmbito genérico – pretende-se sempre que todos melhorem a resposta às solicitações de mercado, derivado de um mundo em constante mudança.
Não se trata de obtermos respostas certas ou erradas. É obter tão só a resposta: existe uma necessidade de reciclagem permanente
Não interessa muito se a aprendizagem se faz presencialmente, virtualmente, seja qual for a metodologia ou canal de aprendizagem utilizado. Sabemos, tão só, que lifelong learning não é apenas uma moda ou uma expressão, é acima de tudo um Propósito.
E que terá, e será, um propósito de vida. Como diria Alvin Toffler, “os atuais analfabetos, são aqueles que perderam a capacidade de aprender, desaprender e reaprender”. No fundo, há que se ganhar uma lógica de flexibilidade constante para se obter conhecimento.
Tudo é novo e tudo é obsoleto de um momento para o outro. Por isso, a exigência de aprendizagem contínua e constante. A experiência de capacitação requer, acima de tudo, aprendizagem de maior profundidade. Mesmo num mundo altamente digital, requer aprender a pensar, agir e evoluir, com uma forte análise crítica do ambiente que nos rodeia.
Mesmo num mundo altamente digital, requer aprender a pensar, agir e evoluir, com uma forte análise crítica do ambiente que nos rodeia.
É importante, sem dúvida, existir um mindset digital, em que percebamos o exponencial que, por exemplo, a Inteligência Artificial aporta, assim como abandonar o caráter linear no qual fomos ensinados durante anos. Mas, para isso, há uma primeira etapa importante: conhecermos que existe um ciclo, certamente non-stop, que vai rodando entre o aprender e o desaprender, remetendo-nos para equilíbrios, também, entre o upskilling e o reskilling, ao longo da vida profissional.
As discrepâncias entre as competências que as pessoas têm e as necessárias para a nova realidade são consideradas críticas. É preciso gerar uma forte combinação entre pessoas qualificadas e adaptáveis, alinhadas com uma cultura organizacional forte e padrões comportamentais orientados para um propósito, mesmo perante um contexto de incerteza. Há um mundo repleto de oportunidades construídas por via da automação, análise de dados, inteligência artificial e outras tecnologias emergentes.
No ISQ Academy, aprendemos que, para se garantir bons resultados e produtividade, há uma intensa necessidade de reskilling, mas em que a humanização do ambiente de trabalho não pode, nem deve, passar ao lado, incluindo o bem-estar das pessoas.
Artigo publicado na edição 153 da RHmagazine, referente aos meses de julho e agosto de 2024