Para assinalar o Dia da Mulher, a RHmagazine foi conversar com Paula Mesquita, Diretora do stand da DS AUTO Chaves, para conhecer a sua perspectiva sobre a posição das mulheres num ramo que, tradicionalmente, era do foro masculino.
Quais são os desafios enfrentados pelas colaboradoras numa indústria que é, predominantemente, masculina?
A indústria automóvel ainda está, de facto, muito associada ao sexo masculino, mas também é verdade que as mulheres sempre gostaram de carros, pelo que faz todo o sentido que uma mulher possa usufruir da sua paixão por automóveis também no ramo profissional. Ao longo dos anos as mulheres têm vindo a quebrar barreiras, a ultrapassar obstáculos e a entrar em ramos que tradicionalmente eram do foro masculino.
Quando entramos num stand de automóveis o mais usual é sermos recebidos por um homem que supostamente é mais conhecedor das particularidades deste ramo. Quando somos recebidos por uma mulher pode haver alguma resistência e dúvidas sobre se aquela pessoa vai ser capaz de dar o melhor aconselhamento. Portanto, este é o maior desafio. Mostrar que uma mulher pode ser tão ou mais competente do que um homem no setor automóvel, ultrapassar ideias pré-concebidas de que nós não percebemos nada do assunto. O facto de sermos mulheres neste ramo aporta também o fator da sensibilidade e da inteligência emocional no atendimento ao cliente, em perceber o que procura, quais as suas necessidades e, a partir daí, prestar um serviço de excelência.
A verdade é que geralmente é a mulher que escolhe o carro, e quando colocada a pergunta qualquer homem acaba por confirmar esta realidade. Outro aspeto igualmente importante prende-se com o poder de compra que hoje as mulheres têm, embora ainda não igual aos dos homens segundo as estatísticas, mas já muito semelhante e em alguns casos até superior.
Relativamente à cultura organizacional, como é que a DS AUTO apoia e respeita a diversidade de género? Existem iniciativas específicas, neste sentido?

Na DS AUTO sentimos que existe uma preocupação constante com as pessoas, com as equipas e com todo o ambiente organizacional. Em termos de género, as equipas são muito equilibradas, quer em termos de liderança, quer em termos de colaboradores. Aqui olhamos ao mérito, à vontade de aprender, de trabalhar, de crescer a nível pessoal e profissional e não ao facto de ser homem ou ser mulher. É a forma da marca olhar para os seus recursos humanos. Acreditamos numa sociedade onde todos são tratados com o mesmo respeito e os mesmos valores, independentemente de se ser homem ou mulher. Queremos estar rodeados de pessoas competentes e que vejam na nossa marca uma realização profissional de sucesso.
E em termos de atração e retenção de talento feminino, o que está a ser feito?
Na DS AUTO as pessoas são formadas e preparadas para ganharem e crescerem de acordo com as suas ambições e objetivos.
A motivação das equipas deve ser uma constante, quer através dos benefícios concedidos, quer através de um balanço entre a vida profissional e familiar e do ambiente gerado entre a equipa.
As nossas portas estão abertas a todas as mulheres que queiram ingressar neste campo, sendo que a igualdade de condições com profissionais do sexo masculino é uma premissa. As nossas reuniões e atividades em equipa e com os restantes stands da marca são outra forma de atrairmos e retermos este talento feminino, mostrando que o setor automóvel é um setor de mulheres e que estas fazem um excelente trabalho.
Como Diretora, qual é a sua visão sobre a liderança feminina na DS AUTO? Existem outras mulheres em posições de liderança? Alguma vez sentiu-se discriminada no local de trabalho?
Enquanto mulher na direção de um Stand da DS AUTO é muito importante verificar que outras mulheres estão a seguir o mesmo caminho. Sinto-me orgulhosa por ajudar a desbravar este caminho e a eliminar ideias pré-concebidas em relação à liderança do sexo feminino nesta área. A DS AUTO tem um conjunto de stands liderados por mulheres. Além da DS AUTO de Chaves, constatamos que a DS AUTO Turquel em Alcobaça, a DS AUTO Atalaia, a DS AUTO Canedo, a DS AUTO Guia, a DS AUTO Lisboa – Parque das Nações e a DS AUTO Peso da Régua são também liderados por mulheres.
É verdade que já senti alguma descriminação neste setor por ser mulher por parte de alguns clientes, mas foram situações que foram sendo ultrapassadas.
Como já referi, ainda persistem alguma ideias de que este setor não é para mulheres, mas a prova disso somos todas nós que lideramos stands de automóveis, com equipas que acreditam em nós e no nosso potencial. Além disso, ser mulher tem vantagens neste setor, pois a opinião feminina na hora da escolha tem muito peso, além da empatia que se cria com o cliente.
Consegue partilhar os primeiros passos para promover uma visão mais igualitária e desmistificar estereótipos?
Creio que em primeiro lugar não devemos estar presos a esses tais estereótipos seja em que setor for. Se temos vontade de fazer algo, de aprender uma determinada profissão, de empreender em algum negócio devemos seguir o nosso sonho. Além disso, se formos apoiados por pessoas que já conhecem o negócio e nos ajudam em todo o processo tudo se torna mais simples. Não serei a primeira mulher no ramo automóvel, mas sinto que a minha vontade e iniciativa contribuem para desmitificar algumas ideias e inspirar tantas pessoas a seguirem aquilo em que acreditam, sem se deixarem tolher por ideias antiquadas que em nada contribuem para uma sociedade mais igualitária.
Nem sempre estive ligada ao setor automóvel, antes estava ligada ao ramo de formação, mas não foi difícil conhecer o setor e estar preparada para dar todas as respostas que o cliente do sexo masculino coloca. O importante é acreditarmos na nossa capacidade de aprender e de concretizar. Para sermos bons profissionais só depende de nós enquanto pessoas, e não se somos homens ou mulheres.