Autor: Luís Cadillon, Diretor da Unidade de Negócio HCM (Human Capital Management) na Cegid em Portugal
Todos os anos são publicados artigos com tendências no mundo laboral e uma das que conquistou lugar cativo nas listas de antevisões foi o “fim” do CV (Curriculum Vitae). Tendência essa que, na prática, termina quando é colocado o primeiro anúncio de emprego do ano.
No entanto, como tudo o que vive, também o CV evolui e se transforma. E os sistemas de informação desempenham aqui um papel de pivot. O conceito de ecossistema de competências, associado a uma plataforma de gestão de Recursos Humanos, permite, de algum modo, dizer “adeus” ao currículo na forma estrita como conhecemos, e dar lugar a um mapeamento interno de competências dos colaboradores, através de funcionalidades de gestão de talento. Para o exterior, ligado a este, um sistema de centralização dos pedidos pode ser a chave para diversificar as fontes de contratação e os perfis. No fundo, a entrada em jogo de um currículo aumentado.
Os marketplaces, que hoje compreendem produtos e serviços, serão, na sua adaptação ao ecossistema de cada organização, uma plataforma que albergará, nas suas vertentes especializadas, currículos externos e internos classificados de acordo com as competências. Isto oferecerá aos gestores a possibilidade de solicitar os perfis, dentro ou fora da organização, de acordo com as tarefas que sejam necessárias nos respetivos departamentos. Com apoio de um SIRP (Sistema de Informação de Recursos Humanos), os gestores solicitarão os perfis consoante as tarefas que seja preciso realizar nos seus respetivos departamentos sem perder tempo a procurar perfis internos e externos que encaixem a cada necessidade que a organização venha a ter.
Mas há, cada vez mais, sinais de que por quem os sinos dobram são os cargos e a descrição de funções. Menos de 1 em cada 5 colaboradores se sentem atraídos pela organização com base na ideia de cargo, demonstra um estudo recente desenvolvido pela Deloitte. E cada vez mais empresas baseiam a sua organização e decisões com base nas competências de que dispõem, e não nos cargos que nelas existem ou possam vir a ser criados. Atualmente, com a ajuda de sistemas como o SIRH, as empresas passaram a fundamentar as suas decisões com base nas competências e não no título do cargo e nos diplomas.
E isso muda as regras do jogo, em favor de uma maior liberdade de transformação do papel de cada um de nós, na sua carreira profissional ao longo da vida. Se a polivalência se aprofundará como garante de solicitações laborais, o assumir de tarefas para as quais não nos sentimos hábeis apenas porque integram a descrição do cargo que assumimos passará a ser admitida como aquilo que sempre foi: uma miragem, nascida da imaginação humana. E que no final do dia, cairá perante o imperativo da competência.