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Portugal está em risco de perder 1,1 milhões de empregos, até 2030. E de ganhar outros tantos

Mónica Felicidade Por Mónica Felicidade
31 de Janeiro, 2019
em MERCADO RH, TECNOLOGIA RH, TENDÊNCIAS RH
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Portugal está em risco de perder 1,1 milhões de empregos, até 2030. E de ganhar outros tantos
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Funções repetitivas do setor da indústria transformadora e do comércio serão as mais ameaçadas pela automação, até 2030, revela o estudo da Confederação Empresarial de Portugal.

Onze anos separam Portugal de uma possível perda de 1,1 milhões de postos de trabalho, como consequência da automação de alguns setores de atividade, nomeadamente da indústria transformadora e do comércio, que irão protagonizar 40% das perdas, até 2030. A conclusão é do estudo “Automação e o Futuro do Trabalho em Portugal”, desenvolvido pela Confederação Empresarial de Portugal (CIP), em parceria com o Mckinsey Global Institute e a Nova School of Business and Economics, e apresentado no passado dia 17 de janeiro.

Mas se, até 2030, Portugal poderá perder 1,1 milhões de empregos, outros poderá ver surgir, potenciados pelo crescimento económico e pelas novas tecnologias. De acordo com os dados do estudo, que aborda o impacto da automação no futuro do trabalho e aponta os principais desafios que se colocam ao processo de transição para o digital nos próximos onze anos, poderão ser criados entre 600 mil a 1,1 milhões novos postos de trabalho em setores como a saúde, assistência social, ciência, profissões técnicas e construção.

Segundo as conclusões do estudo da CIP, 50% do tempo despendido, atualmente, nas atividades laborais podia ser automatizado com as tecnologias já existentes, “o que representa o elevado potencial de automação de Portugal”, comparativamente com outros países. Até 2030, a percentagem poderá chegar aos 67%. No entanto, o referido potencial de automação poderá não ser atingido, como notam os autores, devido a questões técnicas, sociais e regulatórias, ao custo de desenvolvimento tecnológico e ao custo do trabalho.

Considerando as geografias analisadas no estudo (Japão, China, Itália, Espanha, Estados Unidos, França e Noruega), com as quais foi comparado o potencial de automação nacional, Portugal é apenas superado pelo Japão, onde 53% do tempo trabalhado poderá ser substituído por soluções tecnológicas também já existentes.

Funções repetitivas serão as mais afetadas pela automação

É no setor da indústria transformadora e do comércio que mais empregos serão automatizados. A tecnologia é uma ameaça que se evidencia em funções repetitivas, como operações de maquinaria, atividades administrativas e de interação com o cliente. Mas nem todas as funções estarão em risco, já que poucas serão totalmente automatizadas. Segundo o estudo da CIP, em Portugal, apenas 2% das profissões serão 100% substituídas pela tecnologia. Entre elas, encontram-se os operadores têxteis e os operadores de linhas de montagem.

As funções repetitivas, com potencial de automação, correspondem, atualmente, a 52% do tempo do trabalho nacional. Os dados revelam que mais de 70% do tempo despendido em cada atividade, especificamente em trabalhos físicos e de recolha e tratamento de dados, poderia ser realizado por máquinas.

No extremo oposto estão as atividades que apresentam um menor risco de automação, nomeadamente na área de gestão, onde só 9% das horas de trabalho podem ser executadas por máquinas.

A automação agravará, também, as diferenças salariais.  As entidades responsáveis pelo estudo preveem que o salário médio possa ser reduzido, como consequência “das mudanças na procura de trabalho devido à automação”. “As ocupações em crescimento, em Portugal, vão ser aquelas que tendem a ser menos remuneradas, por exemplo, trabalhadores da saúde ou de cuidados infantis, ou exatamente o oposto, isto é, trabalhos muito bem pagos, como engenheiros de software”, notam os autores.

Automação exige requalificação

Com a presença da tecnologia nos locais de trabalho, 1,8 milhões de trabalhadores portugueses necessitarão de melhorar as suas competências, ou mudar de emprego, até 2030, o que, alertam os autores do estudo da CIP, em parceria com o Mckinsey Global Institute e a Nova School of Business and Economics, “coloca desafios significativos que exigirão um papel ativo do Governo e do setor privado no processo de reconversão da força de trabalho”.

Para minimizar os desafios decorrentes da transição para o digital e para potenciar as oportunidades que daí poderão decorrer, “impõe-se uma avaliação de novas políticas públicas e um eficaz plano de requalificação da sociedade, num esforço conjunto entre setor público, empresas e instituições de educação e formação”, aconselham os autores do estudo que analisou 800 ocupações e duas mil tarefas desempenhadas em diversos setores.

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