Face ao contexto de crescente incerteza económica e pressões orçamentais intensas, as empresas portuguesas estão a rever a forma como definem e implementam os benefícios atribuídos aos seus colaboradores. A conclusão é do mais recente estudo da WTW, Tendências em Benefícios para 2025, que chama a atenção para a necessidade de uma gestão mais estratégica e eficiente destes recursos.
“Após um longo período de forte investimento nos benefícios, e perante a possibilidade de abrandamento da economia, as empresas estão a recuar e a reavaliar o que realmente gera valor para os colaboradores e para o negócio. Isso significa direcionar o investimento para os benefícios que mais importam, promover a personalização e ajudar os colaboradores a tomarem melhores decisões”, comenta Miguel Albuquerque, Diretor de Health & Benefits da WTW, em comunicado.
Segundo o estudo, muitas organizações estão a adotar uma abordagem mais inteligente na alocação de recursos, utilizando os benefícios não apenas como um elemento compensatório, mas como uma ferramenta estratégica para promover o envolvimento, a retenção e o sentido de propósito dos colaboradores. Atualmente, a competição por talento é o principal fator (66%) a influenciar a estratégia de benefícios nas empresas portuguesas. Logo a seguir surgem os custos crescentes associados a esses benefícios, bem como as pressões financeiras e orçamentais (52%).
Entre os principais entraves à implementação das estratégias de benefícios destacam-se os custos crescentes dos cuidados de saúde, que em Portugal registam um crescimento próximo dos dois dígitos. Esta realidade está a dificultar a atuação das empresas em benefícios de reforma (47%), de saúde (41%) e programas de bem-estar (26%).
Como resposta, muitas empresas estão a optar por otimizar os recursos existentes em vez de expandir o portefólio de benefícios. Melhorias no financiamento, na experiência do colaborador, na análise de dados e na gestão administrativa são algumas das vias encontradas para aumentar o impacto das ofertas atuais.
Nos próximos três anos, 52% das empresas planeiam reajustar ou realocar os seus investimentos em benefícios. Por outro lado, 78% pretendem alargar as opções disponíveis aos colaboradores, promovendo assim maior flexibilidade e personalização, de acordo com o estudo.
Para mitigar os custos, a maioria das empresas está a apostar em soluções de navegação que permitam aos colaboradores tirar melhor partido dos seus benefícios (72%), a realinhar os gastos entre diferentes tipos de benefícios (52%) e a selecionar fornecedores com melhor relação custo-benefício, especialmente nas áreas da saúde, reforma e proteção (54%).
Melhorar a saúde mental, os benefícios de saúde, o bem-estar financeiro e os benefícios de reforma são prioridades para os próximos anos, assim como elevar o valor gerado pelos benefícios já disponibilizados. Várias empresas estão ainda a reforçar a comunicação e a investir em mecanismos que promovam comportamentos mais informados e positivos por parte dos colaboradores. A avaliação contínua dos fornecedores, com base no desempenho e no feedback dos trabalhadores, é igualmente uma prioridade.
“As organizações enfrentam hoje mais pressão do que nunca para implementar uma estratégia de benefícios eficaz. Encontrar soluções inovadoras para desafios antigos e novos e redesenhar os benefícios com base no propósito e nos valores da empresa é um bom ponto de partida. Ainda há um caminho a percorrer para ultrapassar os atuais desafios, mas as organizações parecem estar a seguir a direção certa ao concentrarem-se no que realmente importa para os seus colaboradores”, remata Miguel Albuquerque.