Os líderes empresariais em Portugal querem reforçar as equipas, mas reconhecem que formar e preparar os colaboradores é o principal obstáculo à transformação. É o que revela o 11.º KPMG CEO Outlook 2025, que recolheu opiniões de 1350 CEOs a nível global, incluindo 50 líderes empresariais em Portugal.
O cenário é otimista: 94% dos CEOs portugueses planeiam aumentar o número de colaboradores nos próximos três anos, superando a média global de 92%. Metade (50%) acredita no crescimento da economia mundial e 86% mostra confiança no crescimento das suas próprias organizações. Contudo, oito em cada 10 líderes (80%) assumem que a formação contínua e o desenvolvimento de competências são desafios estratégicos urgentes.
“Atualmente, o talento é o principal fator de diferenciação competitiva. As empresas portuguesas estão a investir nas pessoas e a preparar-se para o futuro, mas o desafio consiste em garantir que a formação e a capacitação acompanhem o ritmo da inovação“, refere Vítor Ribeirinho, Senior Partner e CEO da KPMG Portugal.
IA e cibersegurança no topo das prioridades
Os líderes portugueses identificam a cibersegurança (32%) como o maior desafio, seguida da integração da IA (24%) e da disrupção tecnológica e gestão de equipas multigeracionais (22%). As exigências regulatórias (20%) e a incerteza económica global (18%) são outras das preocupações.
Para 72% dos CEOs portugueses, a IA é prioridade máxima no que toca ao investimento, mas apenas 40% se sentem confiantes na capacidade das suas empresas para a integrar de forma eficaz. Entre os principais obstáculos surgem as implicações éticas da IA (54%), a escassez de competências (50%) e a falta de regulamentação (44%). Ainda assim, 59% planeiam investir entre 10% e 20% do orçamento anual em IA nos próximos 12 meses.
Talento especializado escasso
A pressão sobre o mercado de trabalho é notória. Segundo o estudo, 70% dos CEOs afirmam estar a contratar talento com competências em IA e 94% planeiam fazê-lo até 2028. Além disso, 80% identificam o upskilling e a preparação das equipas para a IA como desafios. A escassez de profissionais com experiência em IA emerge como fator crítico.
A dimensão ESG mantém-se entre as prioridades. Dados do estudo mostram que 77% dos CEOs portugueses acreditam ter recursos suficientes para cumprir as novas exigências de reporte e quase metade está a priorizar a conformidade para responder às expetativas de investidores e reguladores. A IA surge como ferramenta com potencial para acelerar a descarbonização e melhorar a qualidade da informação sustentável.
O KPMG CEO Outlook 2025 deixa ainda três recomendações para os líderes:
- Reforçar a resiliência, acompanhando a evolução geopolítica, o ambiente regulatório e a maturidade tecnológica das organizações;
- Acelerar o valor da IA, identificando problemas de negócio concretos e adotando a tecnologia com confiança e mecanismos de controlo;
- Criar valor sustentável, integrando a estratégia de sustentabilidade numa lógica orientada para impacto e resultados.
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