A rendibilidade das empresas portuguesas voltou a cair. É o terceiro trimestre consecutivo em que a situação se verifica, em fase de agravamento dos custos de financiamento. Contudo, também o peso da dívida diminuiu, pelo que a autonomia financeira conseguiu atingir máximos históricos.
O resultado da rendibilidade das empresas é obtido a partir do rácio entre os valores verificados antes de amortizações, depreciações, juros e impostos e o total do ativo. No final do primeiro trimestre de 2024, o resultado foi de 8,8%. Este valor reflete menos 0,5% do que o mesmo período no ano anterior. A partir do segundo trimestre de 2023, época em que o valor atingiu os 9,5%, este indicador tem vindo a diminuir.
Os setores da eletricidade, gás e água e da construção foram os únicos a contrariar esta tendência entre janeiro e abril deste ano. A rentabilidade do primeiro setor subiu 4,2 pontos percentuais, atingindo os 12,9%. No caso do segundo, o aumento foi de 0,2 pontos percentuais, chegando aos 6,8%. As empresas públicas viram a sua rendibilidade aumentar para 7,4%. As empresas privadas diminuíram o valor para 8,8%.
Os dados do Banco de Portugal
Segundo o Banco de Portugal, a autonomia financeira das empresas foi reforçada no início de 2024, levando-a a atingir os 44,5% no último trimestre. Este valor é o máximo conquistado desde 2006. O indicador é medido através do cálculo do peso do capital próprio no total do ativo. As empresas reduziram os financiamentos para 27,1% do ativo.
Conforme apurado pelo Jornal Eco, o Banco de Portugal explicou: “O aumento da autonomia financeira e a diminuição do peso dos financiamentos obtidos no total do ativo continuaram a refletir a conversão de empréstimos de empresas do grupo em capital observada no quarto trimestre de 2023. A redução dos financiamentos obtidos também reflete a redução continuada dos empréstimos contraídos junto do setor financeiro.”
A autonomia financeira foi reforçada numa fase em que o custo dos financiamentos foi agravado para 4,2%, devido às elevadas taxas de juro. As empresas têm pago mais pelos seus financiamentos há seis trimestres.