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Salário médio sobe mas desigualdades e desafios persistem

IIRH Por IIRH
7 de Fevereiro, 2025
em DESTAQUES, MERCADO RH
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O salário médio líquido dos trabalhadores por conta de outrem em Portugal registou um aumento de 2,97% em 2024 face aos 1.011 de 2022., situando-se agora nos 1.041 euros.

Este crescimento representa a maior subida da última década, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). No entanto, a valorização salarial nem sempre se traduz numa melhoria real do poder de compra, nem elimina as disparidades estruturais do mercado de trabalho português.

A inflação e o impacto real nos rendimentos

O aumento do salário médio supera a inflação registada em 2024, o que sugere uma recuperação do poder de compra dos trabalhadores. No entanto, a remuneração bruta total mensal média cresceu apenas 6,4%, atingindo 1.640 euros, mas o crescimento real, ajustado à inflação, foi de 3,6%.

Este dado é crucial porque, apesar de um crescimento expressivo dos salários nominais, a capacidade real de consumo das famílias não acompanha totalmente a escalada dos preços. Ainda que a tendência seja positiva, o ajustamento salarial continua a ser uma questão premente, especialmente para setores mais vulneráveis.

Disparidades de género: o fosso salarial que persiste

A desigualdade salarial entre homens e mulheres continua a ser um problema estrutural do mercado de trabalho português. Os dados mais recentes indicam que as mulheres ganham menos 179 euros no salário face aos homens (166 em 2022).

Em 2024, uma trabalhadora ganhava, em média, e já depois das contribuições sociais e impostos, 955 euros, enquanto um trabalhador conseguia tirar um vencimento médio líquido de 1.134 euros por mês.

Esta disparidade não pode ser justificada apenas por fatores como diferenças de função ou tempo de serviço há um problema sistémico relacionado com a segregação ocupacional e a progressão na carreira.

As mulheres continuam sub-representadas em funções de liderança e em setores mais bem remunerados, o que agrava ainda mais esta diferença. A falta de transparência salarial e a escassa implementação de políticas de equidade de género nas empresas reforçam este cenário.

Quais foram os setores que mais ganharam?

Os dados do INE mostram que os aumentos salariais foram muito díspares entre setores profissionais. Algumas categorias conseguiram ultrapassar largamente a inflação, enquanto outras tiveram crescimentos mais modestos.

• Forças Armadas: +8,76% (passando de 1.176 euros para 1.279 euros)

• Agricultores, trabalhadores da agricultura, pesca e floresta: +5,92% (de 710 euros para 752 euros)

• Pessoal administrativo: +5,45% (de 844euros para 890 euros)

• Operadores e trabalhadores da montagem: +6,59% (de 865 euros para 922 euros)

Estes dados demonstram um esforço de valorização salarial em alguns setores tradicionalmente menos remunerados, como a agricultura e a administração. No entanto, é importante perceber que este crescimento salarial nem sempre reflete um reconhecimento do valor do trabalho. Muitas vezes, pode resultar da escassez de mão de obra nestas áreas, forçando as empresas a aumentar salários para atrair e reter talento.

Os professores e médicos, inseridos no grupo dos especialistas das atividades intelectuais e científicas, registaram aumentos salariais que acompanharam de perto a variação do índice de preços ao consumidor. Em 2023, o vencimento médio líquido deste segmento profissional cresceu 59 euros, passando de 1.389 para 1.448 euros, refletindo um aumento de 4,25%.

Já os trabalhadores qualificados da indústria, construção e artífices tiveram uma valorização salarial ligeiramente inferior. O rendimento médio líquido nesta categoria aumentou 35 euros, subindo de 841 para 876 euros, o que representa uma variação de 4,16%.

Por outro lado, os grupos profissionais mais penalizados em termos de evolução salarial foram os técnicos de nível intermédio e os gestores de topo de empresas, assim como os representantes do poder legislativo, incluindo deputados e membros do Governo. Estes profissionais registaram incrementos salariais muito mais modestos, de 1,28% e 1,61%, respetivamente.

No caso específico dos técnicos de nível intermédio, que incluem funções como programadores e educadores de infância, o ordenado médio líquido aumentou apenas 14 euros, situando-se nos 1.111 euros, face aos 1.098 euros registados em 2022.

O que estes dados revelam sobre o mercado de trabalho português?

Os números mostram um cenário misto. Por um lado, há um esforço para aumentar os salários e recuperar parte do poder de compra perdido nos últimos anos. No entanto, continuam a existir desafios estruturais que impedem uma evolução mais equilibrada do mercado de trabalho:

1. Disparidades salariais por género – As mulheres continuam a ganhar significativamente menos do que os homens, sobretudo em posições de liderança.

2. Precariedade no emprego – Muitos trabalhadores continuam a receber abaixo do salário mínimo ou a depender de vínculos contratuais instáveis.

3. Segmentação do mercado – Algumas profissões beneficiam de aumentos significativos, enquanto outras mal acompanham a inflação.

Para o futuro, será essencial apostar em políticas salariais mais justas, reforçar mecanismos de transparência e equidade de género e melhorar as condições de trabalho nos setores mais vulneráveis.

A tendência de crescimento dos salários é positiva, mas para ser verdadeiramente sustentável, precisa de ser acompanhada por
reformas mais profundas no mercado laboral português.

Consulte mais informações em www.ine.pt

Veja também o PDF Estatísticas do Emprego


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