Em Portugal, 85% dos trabalhadores consideram os benefícios importantes ou muito importantes quando avaliam uma proposta de emprego, 16 pontos percentuais acima da média europeia. Para 72%, um pacote pouco atrativo pode mesmo ser motivo suficiente para recusar uma oferta de trabalho, segundo o Great Employee Benefits Study 2026, investigação realizada por professores e investigadores da Universidade Aalto, na Finlândia, e conduzida pela Pole Star Advisory, em colaboração com a Vip District by Epassi.
Contudo, quando avaliam os benefícios que recebem, os portugueses atribuem-lhes uma classificação média de 6,1 pontos numa escala de zero a 10, o resultado mais baixo entre os oito países analisados, contra uma média europeia de 6,7. Mais de metade (51%) apresenta baixos níveis de satisfação e apenas 12% manifesta elevada satisfação.
A diferença também se verifica na perceção das empresas: 65% acreditam que os seus colaboradores estão satisfeitos, mas apenas 57% dos trabalhadores partilham essa avaliação.
Por cá, 72% das empresas pretendem reforçar o orçamento destinado a benefícios em 2027, sobretudo para melhorar o bem-estar dos trabalhadores, promover a retenção de talento e facilitar a conciliação entre vida pessoal e profissional. Mas as prioridades nem sempre coincidem. Quando questionados sobre os benefícios que mais valorizam, os trabalhadores portugueses destacam:
- Seguros: 55%;
- Formação e desenvolvimento profissional: 37%;
- Programas de bem-estar mental: 27%;
- Apoio a dependentes: 26%;
- Descontos em despesas do dia a dia: 25%.
Embora os seguros também liderem as prioridades das empresas, apenas 43% reforçariam esta categoria se dispusessem de orçamento adicional. Em contrapartida, as organizações atribuem maior importância ao apoio a dependentes (38%, contra 26% dos trabalhadores) e aos programas de bem-estar mental (36%, contra 27%).
É no impacto financeiro que surge uma das diferenças mais expressivas. Para 77% dos portugueses, os melhores benefícios são aqueles que permitem poupar dinheiro ou pagar serviços que utilizariam de qualquer forma. Apenas 59% das empresas afirmam dar prioridade a esta dimensão. Entre os trabalhadores menos satisfeitos, a principal razão de descontentamento é o facto dos benefícios não contribuírem para reduzir as despesas pessoais, apontado por 21%.
Há benefícios que ficam por usar
A inadequação da oferta também ajuda a explicar outro resultado. Só 47% dos portugueses afirmam ter utilizado todos os benefícios disponibilizados pela empresa no último ano. Entre aqueles que deixaram benefícios por utilizar, 54% justificam-no com a falta de correspondência aos seus interesses pessoais. A falta de tempo (38%), o valor insuficiente para suportar os serviços pretendidos (35%) e a impossibilidade de utilizar os benefícios junto dos prestadores da sua preferência (30%) são outros obstáculos.
A comunicação também parece não estar a chegar a todos. Embora 60% das empresas afirmem incentivar ativamente a utilização dos benefícios, apenas 41% dos trabalhadores reconhecem esse esforço. Além disso, 17% admitem não compreender plenamente o pacote disponibilizado.
Portugal tem os trabalhadores menos dispostos a recomendar a empresa
O estudo identifica, assim, dificuldades que vão além do orçamento. Os benefícios podem existir, mas não corresponder às necessidades dos trabalhadores, não ser suficientemente conhecidos ou apresentar limitações na utilização.
As diferenças de satisfação surgem associadas à intenção de permanência e à disposição dos trabalhadores para recomendar o empregador. Entre os portugueses menos satisfeitos com os benefícios, 66% esperam continuar na mesma organização daqui a dois anos. A percentagem sobe para 93% entre os mais satisfeitos.
O contraste é ainda maior no Employee Net Promoter Score, indicador que mede a disponibilidade dos trabalhadores para recomendar a empresa. Portugal apresenta o resultado mais baixo dos oito países, com -29 pontos, face a uma média europeia de -10,3.
Entre os colaboradores com satisfação elevada relativamente aos benefícios, o indicador atinge +67 pontos. Entre os menos satisfeitos, desce para -73. A diferença é de 140 pontos, embora os dados não permitam estabelecer uma relação direta de causa e efeito.
A investigação mostra ainda que as razões para permanecer e para abandonar uma organização não são necessariamente as mesmas. Em Portugal, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é o principal motivo de permanência apontado por 24% dos trabalhadores. Já entre aqueles que ponderam sair, 40% identificam a remuneração considerada injusta ou pouco competitiva como principal razão.
Os resultados colocam os benefícios no contexto mais amplo da compensação e da experiência profissional, em que o salário, a flexibilidade e as condições de trabalho continuam a desempenhar um papel relevante.
Para os departamentos de recursos humanos, a questão ganha particular importância perante os planos de reforço do investimento em 2027. Sobretudo porque apenas 48% das empresas portuguesas afirmam utilizar ferramentas para medir a satisfação, o bem-estar e o envolvimento dos colaboradores, e só 32% dispõem de relatórios automáticos sobre a utilização dos benefícios.
Os dados mostram que os benefícios são apenas uma parte da equação. O salário, a flexibilidade e as condições de trabalho continuam a pesar nas decisões dos trabalhadores, tanto na hora de escolher uma empresa como na de a abandonar.
Ainda assim, as organizações portuguesas preparam-se para investir mais em benefícios sem que muitas disponham de ferramentas para perceber se estão a responder às necessidades dos colaboradores. Apenas 48% afirmam medir a satisfação, o bem-estar e o envolvimento das equipas, enquanto só 32% recorrem a relatórios automáticos para acompanhar a utilização dos benefícios.
A quarta edição do Great Employee Benefits Study 2026 ouviu oito mil trabalhadores e 3.147 representantes empresariais de oito países europeus, incluindo mil trabalhadores e 397 empresas em Portugal.
Aproveite e leia já as últimas edições da RHmagazine AQUI





























