Por Luis Marques, Partner e Diretor-Geral da Fórmula do Talento
Há uns anos, quando trabalhava na Sonae, desloquei-me à sede da empresa, na Maia, e encontrei o engenheiro Belmiro de Azevedo. Como era seu timbre, gostava de questionar e saber o que cada um de nós andava a fazer e questionou-me: “Então, que andas a fazer por aqui?” Respondi-lhe que ia participar numa reunião de um projeto que estávamos a desenvolver ao nível de todo o grupo, relacionado com a gestão do talento.
O engenheiro Belmiro retorquiu de imediato: “O talento não se gere; liberta-se!” Esta frase tem-me acompanhado desde aí, e muitas têm sido as situações em que a utilizo para lembrar a quem me rodeia que a melhor forma de potenciar o talento das organizações é libertar esse talento e criar condições para que ele se manifeste na sua plenitude.
Então, como podemos potenciar o talento? Esse trabalho começa por identificar o talento de que a organização precisa e saber atraí-lo. Uma reputação sólida enquanto empregadora constrói-se na experiência de quem lá trabalha ou trabalhou: são essas pessoas que se tornam os seus melhores embaixadores.
Mas atrair não chega. É preciso cuidar do talento que já existe, sobretudo daquele que faz a diferença, revela potencial ou cuja saída teria um impacto significativo. Isso exige uma comunicação interna clara e regular, remuneração competitiva e justa e uma cultura que reconheça os resultados e diferencie o mérito.
As pessoas também precisam de perspetivas de crescimento. Planos de carreira claros, mobilidade interna, formação contínua e novos desafios ajudam-nas a evoluir e a manter o entusiasmo pelo trabalho. Um bom ambiente, assente em relações de confiança, deve dar espaço para criar, inovar e até errar. E as oportunidades devem chegar a todos, independentemente da idade ou antiguidade, aproveitando o contributo único de cada pessoa.
Há ainda uma mudança de olhar essencial: começar pelo que cada colaborador tem para oferecer, em vez de se fixar no que lhe falta. O feedback contínuo e um acompanhamento próximo do desempenho permitem reconhecer conquistas, corrigir dificuldades e apoiar o desenvolvimento. A experiência vivida todos os dias no trabalho passa, assim, a fazer parte da estratégia de talento.
Num contexto cada vez mais exigente, potenciar talento vai além de o reter. É criar um lugar onde as pessoas queiram ficar e dar o seu melhor e de onde, se um dia saírem, levem novas competências e uma boa memória da empresa. Libertar o talento é, afinal, o grande desafio.
Artigo publicado na edição 165 da RHmagazine, referente aos meses de setembro e outubro de 2026
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