A disparidade salarial entre homens e mulheres ainda é uma realidade em Portugal. Segundo o Talent Trends 2024, um estudo da consultora de recrutamento especializado e de soluções de RH Michael Page, o país continua a apresentar valores acima da média europeia neste tópico. Esta situa-se nos 12,7%, enquanto Portugal está fixado nos 13,1%. Contudo, a Estónia e a Letónia são os países que têm as disparidades mais significativas da Europa, superiores a 20%.
A falta de transparência nas políticas salariais, as políticas laborais pouco inclusivas ou familiarmente responsáveis e o recrutamento pouco imparcial são os principais fatores que contribuem para a desigualdade salarial. As empresas têm um importante papel na diminuição desta disparidade, podendo incentivar a mudança e o ambiente mais equitativo.
Se os critérios para ascender a posições de liderança passarem por conhecimentos e competências, a igualdade de género é promovida. Oferecer programas de desenvolvimento profissional, formações especializadas e mentorias são medidas que as empresas devem implementar. Os subsídios ou apoios financeiros para a formação contínua também podem ajudar a eliminar a disparidade salarial.
Análises detalhadas de equidade salarial interna em diversas funções garantem a transparência salarial. Através desta prática, as empresas podem identificar e corrigir desequilíbrios salariais. Outras medidas também podem ser implementadas, tais como a divulgação pública de políticas salariais e a exigência de relatórios regulares sobre a equidade de género. Assim, a responsabilidade corporativa é mantida, assim como a ação proativa na correção de desigualdades.
Medidas relevantes
Como fator determinante caracteriza-se, igualmente, a criação de políticas laborais mais inclusivas e familiarmente responsáveis. São exemplos delas os horários flexíveis, o teletrabalho e a igualdade nas licenças de maternidade e paternidade. Esta última evita que as responsabilidades familiares não sejam, apenas, das mulheres. A “penalidade maternal” pode ser reduzida, se pais e mães tiverem o mesmo tempo e disponibilidade para cuidar dos filhos, o que equilibra, igualmente, as expectativas no local de trabalho.
Do lado dos empregadores, é importante que estes priorizem as competências e a qualificação dos candidatos na contratação, sem considerar o género. Entrevistas cegas ou sistemas de avaliação padronizados podem ajudar no processo de recrutamento imparcial. Deste modo, as empresas garantem que as decisões são tomadas de forma justa, proporcionando igualdade de oportunidades desde o início.
O estudo da Michael Page concluiu, ainda, que a diferença salarial entre géneros não tem o mesmo impacto em todas as mulheres. A idade, o estado parental, as incapacidades, a etnia e a religião também têm uma enorme influência nas remunerações. Esta realidade tem consequências para a economia e para as pessoas em geral, indo muito além das próprias empresas.
Da perspetiva da Michael Page Consulting
Catarina Ricardo, Consultora da Michael Page Consulting, afirmou: “A dificuldade em reter talentos femininos, perda de produtividade e uma cultura corporativa menos inclusiva, são alguns dos efeitos. Por outro lado, menor poder de compra para as mulheres afeta negativamente o crescimento económico e perpetua a desigualdade social. As mulheres com rendimentos mais baixos têm menor capacidade de poupança e de acesso a melhores condições de vida“.
Eliminar a disparidade salarial é muito desafiante, em Portugal e no mundo. No país, já foram implementadas ações e colaborações com entidades de regulação do setor. Com estas medidas, as empresas são avaliadas quanto à equidade salarial, pelo que tentam, previamente, reduzir as desigualdades.
A Consultora acrescentou, ainda: “A Michael Page Consulting tem apoiado as empresas a detalhar essas disparidades, assim como a definir e realizar os planos de ação, ajudando-as a garantir que os seus processos salariais estão em conformidade com a legislação e as boas práticas.”
“Esta solução inclui a avaliação das práticas de remuneração, a comparação de salários em diferentes funções e a sugestão de melhorias para garantir a equidade interna. Auxiliamos as empresas a adaptarem-se às exigências legais e sociais em torno da igualdade salarial, fornecendo relatórios detalhados e recomendações práticas para reduzir a disparidade”, concluiu.