Este mês celebro um ano de crónicas. Um ano de partilha em torno de temas que fazem parte do meu dia a dia e que se cruzam com o dia a dia de tantos vós, profissionais de recursos humanos, formadores, coaches, empreendedores e apaixonados por gestão de pessoas, ou simplesmente, apaixonados por pessoas.
Em jeito de balanço aproveitei para revisitar os temas que atravessaram as crónicas que tive oportunidade de partilhar e verifiquei que os temas que mais pautaram este ano relacionam-se com a área de formação e desenvolvimento (o que não é uma surpresa), mas também com inteligência artificial e desenvolvimento pessoal.
Quem me acompanha sabe que além de ser frequentemente mordida pelo bichinho da aprendizagem, sempre vi uma mais valia em saber mais sobre os temas digitais, aliados ao desenvolvimento de competências humanas. Talvez por essa razão tenha ao mesmo tempo uma pós-graduação em TIC e Educação e uma Certificação em Coaching, apenas para dar um exemplo. A primeira dá-me as bases para perceber em que é que a tecnologia nos pode ajudar na facilitação da aprendizagem, enquanto que a segunda me tem ajudado não só a ajudar os outros, mas a desenvolver competências fundamentais como a capacidade de escuta, a colocação de questões e trabalhar o foco no momento presente.
É com alegria que verifico que os temas que me foram surgindo ao longo do ano estão de alguma forma alinhados com aquilo que são os grandes desafios em termos de competências e necessidades do mercado de trabalho identificados em inúmeros estudos sobre o futuro do trabalho e competências mais procuradas por exemplo pelo World Economic Fórum. Refiro-me à priorização da Inteligência Artificial como grande aposta, mas também a temas como a criatividade, flexibilidade e pensamento crítico, também chamadas de Power skills. Estas, anteriormente conhecidas como soft skills, referem-se a tudo o que esteja ligado ao desenvolvimento pessoal.
Ou seja, a componente digital ganha uma criticidade ainda mais incontornável com o desenvolvimento da inteligência artificial, o que nos coloca a nós profissionais com uma pressão acrescida e por vezes receio do futuro. E perante estes momentos de mudança, é a nossa capacidade de resiliência, empatia, liderança e colaboração, entre outros, que poderá ser o grande diferenciador:
- Resiliência: como capacidade de resistência para lidar com as adversidades e dificuldades que nos surgem no caminho;
- Empatia: para nos conseguirmos colocar no lugar do outro e nos reinventarmos na forma de apoiar os outros nas suas dificuldades;
- Liderança: como pilar diferenciador na criação de equipas de alto desempenho e satisfação;
- Colaboração: para mais do que nunca percebermos que a soma é mais do que as partes e que ninguém tem todas as respostas.
Quer uma boa e uma má notícia?
Começando pela má. A tecnologia está a evoluir a uma velocidade nunca antes vista. Aquilo que aprendemos até agora e que achamos que sabemos não é o suficiente para nos conduzir a um futuro bem sucedido. Se sofre de FOBO (Fear of Being Obsolete, isto é, medo de se tornar obsoleto), existem razões para esse sentimento. De facto, a adoção das novas ferramentas por profissionais com competências em IA exige uma necessidade de adaptação, a um ritmo mais rápido, como identificado pelo 2025 Global AI Jobs Barometer conduzido pela PwC. E grande parte das funções vão ser expostas à IA.
Agora a boa notícia. As competências humanas fundamentais continuam a ser relevantes mesmo com a evolução tecnológica (diria que ainda mais relevantes) e estas não ficam obsoletas. Não quero com isso dizer que ficam estáticas durante o tempo, claro que não. Mas quem desenvolveu uma boa capacidade de escuta ativa, consegue fazê-lo em ambiente online ou remoto. A adaptação do líder à maturidade do colaborador continua a ser essencial. A flexibilidade para navegar perante o desconhecido, o controlo emocional, tudo isto são ferramentas que podemos trabalhar ao longo do tempo e cujo investimento nunca será em vão.
Iniciando um novo ciclo de crónicas, irei certamente regressar ao tema das Grandes tendências de L&D e impacto da Inteligência Artificial, que continuarei a acompanhar. No entanto, o mote está traçado. Perante este mundo de tendências e mudança, continuemos a aposta segura: a aposta no nosso próprio desenvolvimento enquanto seres humanos.