O número de pessoas empregadas em Portugal tem atingido máximos históricos, ultrapassando os 5.100.000. Destes, 35,2% têm um baixo nível de qualificação, isto é, o ensino secundário ou menos, o que representa o dobro da média europeia. Esta foi uma das conclusões do estudo da Randstad Research acerca do segundo trimestre de 2024.
Os 50 destaques referentes ao período compreendido entre maio e agosto de 2024 resultaram da análise dos dados partilhados pelo INE (Instituto Nacional de Estatística), pelo IEFP (Instituto do Emprego e Formação Profissional), pelo Ministério do Trabalho, pelo Banco de Portugal e pela Eurostat.
Apenas 34,2% da população empregada em Portugal está qualificada ao nível do ensino superior. A taxa de emprego nesta parte da população, mais qualificada, é de 80,2%, segundo o estudo da Randstad Research. Já na população com estudos secundários e pós-secundários, a taxa de emprego é de 69,5%.
Mais de metade da população desempregada em Portugal, segundo o estudo da Randstad Research, não completou o ensino secundário. Este fator justifica que 146.800 pessoas, quase metade dos desempregados, estejam nesta situação há mais de um ano.
O emprego em Portugal
No segundo trimestre de 2024, o emprego do setor público continuou a crescer, atingindo as 749.678 pessoas empregadas. Destas, 37,2% pertencem aos setores da saúde e da educação. Segundo os dados da Eurostat, a taxa de emprego entre os 16 e os 64 anos alcançou os 72,2% em Portugal, refletindo, mais uma vez, um máximo histórico. Este valor está 1,9 p.p. acima da média europeia.
A taxa de desemprego jovem, por outro lado, sofreu uma redução de um ponto percentual neste trimestre, segundo a Randstad Research. Fixou-se nos 6,1%, valor que, ainda assim, é quatro vezes superior à média de desemprego total em Portugal.
Isabel Roseiro, diretora de marketing da Randstad Portugal, afirmou: “Esta análise que fazemos na Randstad Research permite-nos retirar conclusões muito relevantes sobre a evolução do mercado. Regista-se uma perspetiva de crescimento muito positiva, mas há ainda uma fatia grande da população em idade ativa a quem a falta de formação dificulta muitas vezes a integração ou reintegração no mercado de trabalho.”
“Estes dados são importantes, já que permitem às organizações tomar decisões sustentadas nestes insights e assim antecipar necessidades, de forma a manter a sua competitividade no mercado”, concluiu.
Outras conclusões relevantes
O estudo da Randstad Research evidenciou, ainda, o aumento da população ativa em Portugal, neste trimestre, em 3.000 pessoas, atingindo os 5.430.000. Dentre esta parte da população, 33,4% têm o ensino superior. Quanto às que têm o ensino secundário e pós-secundário, correspondem a 32,4% da população ativa. As pessoas com ensino superior integram a taxa de atividade mais elevada, de 83,5%.
No segundo trimestre de 2024, a taxa de emprego fixou-se nos 56,3%, integrando 4.250.000 profissionais assalariados, dos quais 84% têm contrato sem termo. O regime de teletrabalho aumentou em 41.900 pessoas, ultrapassando o milhão. Assim, os profissionais em teletrabalho representam 21% do total de profissionais. A Península de Setúbal e Lisboa encontram-se acima da média nacional, neste tópico.
Em maio de 2024, o valor médio das remunerações em Portugal foi de 1.456,78€, o que retratou um aumento mensal de 1,2%. Lisboa é a região com o número mais elevado, com uma média de remunerações de 1.726,32€. Desde 2022, foram mais as empresas que se constituíram em Portugal, do que as que se dissolveram. Esta realidade manteve-se no segundo trimestre de 2024. Em junho, foram 3.598 as empresas que se constituíram, face às 841 que se dissolveram.