Segundo dados divulgados no Talent Shortage Survey 2024, realizado pela ManpowerGroup, 65% dos empregadores portugueses revelam alguma dificuldade em encontrar profissionais com os perfis de que necessitam e 16% sentem mesmo muita dificuldade.
De acordo com o estudo, a escassez de talento alcança 81%, valor com ligeira descida face a 2023, quando este se revelava em 84%.
A ManpowerGroup indica que Portugal encontra-se na 5ª posição entre os países com maior escassez de profissionais, acima da média global, que se situa nos 75%, e ao lado de países como a Irlanda, a Índia, o Japão, a Alemanha, a Grécia e Israel.
“A este cenário unem-se fatores como as alterações demográficas, com o envelhecimento da população e a emigração, e a crescente concorrência global por profissionais qualificados, e encontramo-nos hoje com Portugal na 5ª posição do ranking de países com maior escassez de talento, traduzindo assim as dificuldades de contratação sentidas pelos empregadores nacionais.”, explica Rui Teixeira, Country Manager do ManpowerGroup Portugal.
Embora os setores analisados neste estudo revelarem todos dificuldades na contratação, os setores da “Saúde & Ciências da Vida”, “Indústria Pesada & Materiais” e “Bens & Serviços de Consumo” são as categorias que apresentam uma maior escassez de talento para a ManpowerGroup.
Nos setores dos Serviços de Comunicação – que incluem telecomunicações e media -, Finanças e Imobiliário e Energia e Utilities, a escassez de talento fixa-se nos 81%, surgindo, de seguida, o setor das Tecnologias da Informação, a registar um valor de 80%. Finalmente, com uma escassez de talento de 74%, encontra-se o setor dos Transportes, Logística e Automóvel, que registou o abrandamento mais expressivo da escassez de talento, face ao verificado em 2023, quando esta foi de 86%.
A nível regional, é na Região Sul e Grande Porto que os empregadores têm mais dificuldades na contratação de profissionais, com valores a situarem-se nos 87% e 86%, respetivamente. Segue-se a Região Centro, com uma escassez de talento de 82%, e a Região Norte, a fixar-se nos 79%. Por fim, 77% das empresas da Grande Lisboa assumem sentir também estes desafios.

“Para responder a este desafio, é essencial que as organizações apostem na capacitação do talento, de forma a dotar os profissionais das competências desejadas, ao mesmo tempo que promovem a sua empregabilidade futura. É igualmente importante que continuem a apostar em responder às atuais preferências dos profissionais, também elas em forte evolução nos últimos anos. O estudo mostra-nos isso mesmo, com as empresas a apostar na oferta de maior flexibilidade nos modelos de trabalho, bem como aumentos salariais por forma a tornarem as suas propostas mais competitivas num cenário de elevada concorrência pelo talento”, conclui Rui Teixeira.
Médias e Grande Empresas até 1.000 trabalhadores são as que declaram as maiores dificuldades em atrair talento qualificado
Todas as categorias de dimensão de empresa analisadas afirmam ter dificuldades em contratar o talento necessário em 2024. São as Grandes Empresas até 1.000 trabalhadores e as Médias Empresas as que registam uma escassez de talento mais elevada, a situar-se nos 87% e 84%, respetivamente.
Seguem-se as Grandes Empresas entre 1.000 e 5.000 trabalhadores, e as com mais de 5.000 trabalhadores, ambas com 82% dos empregadores a revelarem dificuldades em encontrar os perfis desejados.
Com valores ainda elevados, embora menos acentuados, os empregadores das Pequenas e as Microempresas registam uma escassez de talento de 80% e 73%, respetivamente.
As prioridades dos empregadores nacionais na contratação
O Talent Shortage Survey 2024 também indicou que, no que respeita às competências técnicas em falta, 26% dos empregadores portugueses voltaram a referir os perfis tecnológicos e especializados em Data, mantendo a tendência que se tem vindo a registar desde 2022.
Além destas, destaca-se, em 2024, a necessidade por profissionais na área do Marketing e Vendas, relatada por 21% dos empregadores inquiridos, e ainda com competências na área da Engenharia, destacada por 20% das empresas inquiridas.
Em vagas relacionadas com o Atendimento e a Relação com o Cliente, a escassez de talento demonstra-se também uma realidade, com 19% dos empregadores a destacarem a necessidade por profissionais com as competências técnicas nesta área.
Destaca-se ainda a procura por competências técnicas nas áreas de Operações e Logística e Indústria e Produção, ambas referidas por 18% dos empregadores.
Colaboração, trabalho em equipa e a resolução de problemas são as competências mais procuradas pelas empresas
Num panorama cada vez mais digital e com constantes avanços tecnológicos, as competências humanas são cada vez mais importantes no mundo do trabalho. Na verdade, segundo o estudo “O Futuro do Trabalho tem huManpower”, da Manpower, 46% dos empregadores refere que as soft skills são os atributos mais importantes a considerar durante o processo de recrutamento.
Dentro destas competências, é a capacidade de Colaboração e Trabalho em Equipa que mais se destaca, sendo procurada por 46% das empresas, seguida da Resolução de Problemas, referida por 34% dos empregadores nacionais. Também muito procuradas pelos empregadores encontram-se a Resiliência e Adaptabilidade (32%), a Responsabilidade e Fiabilidade (27%) e ainda a Capacidade de Iniciativa, referida por 22% dos inquiridos.
Para superar o desafio da escassez de talento, os empregadores estão a oferecer maior flexibilidade sobre quando e onde o trabalho é realizado, de forma a aumentarem a atratividade da sua proposta
Tendo em conta o atual cenário de dificuldade na contratação, os empregadores estão a desenvolver novas estratégias para irem ao encontro das preferências de candidatos e trabalhadores e assim reforçarem a sua capacidade de atração de talento.
Oferecer uma maior flexibilidade sobre quando e onde é realizado o trabalho surge, assim, como a principal prioridade das empresas para tornar a sua proposta mais atrativa, sendo referida por 50% dos inquiridos, mantendo a tendência verificada no ano passado.
Os empregadores procuram, desta forma, promover a autonomia e o equilíbrio e bem-estar do seu talento, respondendo à sua preferência crescente por modelos híbridos e horários mais flexíveis. A par desta estratégia, segue-se o aumento dos salários, medida destacada por 30% dos empregadores que procuram, assim, responder ao contexto de inflação e ao impacto no poder de compra dos trabalhadores, e a diversificação das bases de talento, recorrendo por exemplo a talento sénior, destacada por 26%.
Além destes exemplos, a ManpowerGroup refere ainda que a oferta de bónus de integração na empresa e a manutenção de colaboradores que são parcialmente redundantes, ambas as estratégias mencionadas por 22% dos inquiridos.