Quando as emoções desafiam os processos tecnológicos, só há uma alternativa: saber ouvir as emoções dos colaboradores para garantir o sucesso da estratégia de gestão de recursos humanos. Lembre-se que comportamento só gera comportamento porque existem emoções associadas que são partilhadas, identificadas e alinhadas entre as pessoas.
Sendo a Talentia Software uma empresa editora de um software tecnológico especializado em capital humano, o tema das «emoções» é um desafio à tecnologia. Nenhum software é à prova de emoções e nenhum software tem a capacidade de interpretar emoções. É aquele limite diferenciador entre a «máquina» e o «ser humano».
Os diretores e gestores de RH procuram tecnologias de elevado desempenho capazes de reduzir ao mínimo a subjetividade das suas análises e que possam fornecer em tempo real indicadores de performance sobre o seu capital humano, permitindo-lhes uma rápida e acertada tomada de decisão. São definidos KPI exaustivamente, organizam-se processos e metodologias em nome da «boa gestão», aplicabilidade e redução de custos associados às demasiadas especificidades tecnológicas.
É comum ver todo este esforço ser colocado em causa quando, após a seleção, implementação, testes e funcionamento on-going, o sucesso não é o esperado. «O que falhou?» é a pergunta mais frequente. A resposta é uma só: não deu atenção às emoções das pessoas, que «estandardizou» em processos e nos planos de desenvolvimento individual que criou.
Gerir pessoas é diferente de gerir recursos. Estabelecer planos de formação, coaching, aumento salarial ou até rotatividade na função pode não ser a solução perfeita para as suas pessoas terem sucesso. Perguntámos às pessoas «o que se passa?», «o que a motiva?», «o que a impede de crescer?»… ou, ainda mais simples, «entendeu o plano de desenvolvimento definido? Concorda com o plano ou gostaria de sugerir algo diferente?»?
Com a melhor das intenções, perdemo-nos em projetos de redefinição e reengenharia organizacional e comunicamos por e-mail. Perdem-se emoções nessa forma de comunicar e, mais importante, perdem-se oportunidades para criar emoções agradáveis (ou positivas) que criem sentimentos ao nível individual de identificação social com a organização, mas também ao nível organizacional.
As emoções positivas fortalecem qualquer equipa, tornando-a mais resistente e capaz de reagir positivamente à mudança garantindo um compromisso: «faremos o nosso melhor».
Todos nós intrinsecamente processamos milhões de pensamentos todo o dia de um modo mais ou menos consciente, dizemos coisas que não sentimos e acabamos por viver no modo «piloto automático», impedindo-nos de ouvir as nossas próprias emoções positivas e de as transmitir no nosso dia a dia de trabalho.
Extremamente interessantes as técnicas recomendadas pela Sociedade Brasileira de Coaching («6 técnicas para cultivar emoções positivas», 2013) para uma organização cultivar as suas emoções positivas:
- encontrar significados positivos: encontre significados positivos em eventos e experiências vividas;
- ter objetivos: emoções positivas estão ligadas às causas e às consequências do processo de atingir objetivos, principalmente se esses objetivos forem intrínsecos e autoconcordantes;
- comprometa-se em atividades sociais: participar em atividades sociais e envolver-se com a comunidade estão associados a um alto grau de felicidade e satisfação;
- meditação e relaxamento: ambas as técnicas produzem resultados benéficos. A meditação coloca-nos num estado alerta e consciente, focado no momento presente, enquanto as técnicas de relaxamento visam descansar o corpo, a mente e libertar a tensão;
- crenças fortalecedoras: crenças limitativas evocam e reforçam emoções negativas. As emoções negativas, por sua vez, reforçam as crenças limitativas. Saia desse círculo vicioso e desenvolva crenças positivas e fortalecedoras;
- carpe diem: «aproveita o dia presente»! Desfrute o momento e deixe-se energizar pelos pequenos prazeres da vida, como ouvir boa música e dar gargalhadas com os amigos.Fica o desafio. Lembre-se que comportamento só gera comportamento, porque existem emoções associadas que são partilhadas, identificadas e alinhadas entre as pessoas.Ser feliz é uma das emoções positivas mais importantes numa organização. Estimula a criatividade, a orientação para soluções, a estabilidade e cimenta o espírito de equipa.Em resumo, concordo que: «ser feliz não tem só vantagens para o próprio, tem ganhos ao nível social. […] Os que constroem diariamente a felicidade tendem a ser altruístas e não egoístas, atentos ao bem comum, cooperativos, pacifistas, confiantes nos outros, mais tolerantes e democráticos e companhias agradáveis. São também mais criativos e proativos e, muitas vezes, envolvem-se em ações de voluntariado, sendo assim cidadãos dedicados ao coletivo e, em consequência, inspiração para outros» (2014, estudo do Instituto da Felicidade Coca-Cola Portugal).
- Seja feliz!
- Está comprovado por vários estudos que as pessoas mais felizes estão mais satisfeitas com a sua função! Além disso, os mais felizes são também aqueles que mais valorizam as empresas que integram.
- Por último, terei que eleger a emoção positiva favorita da Talentia: ser feliz!
- Os desafios sociais e familiares que todos atravessamos desafiam algumas destas técnicas. Mas também essa variável deve ser tida em consideração pelas equipas de RH, sendo fundamental que o contexto socioprofissional de cada colaborador seja tido em consideração. Quantos gestores de RH sabem, conhecem ou têm acesso às emoções dos seus colaboradores? Esperamos que cumpram a sua função, que excedam a sua performance… e sabe o que os seus colaboradores esperam de si e da marca que representam?
Partilho 100% com as ideias contidas em seu texto Inês. Contudo, os gestores das nossas empresas, ainda que em processo de evolução, estão muito “ocupados” com as realidades numéricas…entendem isto das emoções como um processo individual com o qual a empresa não tem muito a ver???
Acredito na mudança e espero que a nova geração de gestores, os denominados Geração Y, invadam as empresas com a ferramenta mais poderosa de motivação e desenvolvimento: GERIR COM EMOÇÃO = FELICIDADE = MOTIVAÇÃO.